sexta-feira, 11 de maio de 2018

Medellín de outras vidas




Medellín é cheia de ladeiras, algumas feito parede de tão íngremes. Cheia de árvores. Cheia de charme (lembrei do Guilherme Arantes rs). Mas também é pouco prática. Acaba com as pastilhas de freio dos carros. Com as embreagens. Com a perna de quem caminha.




Medellín é cheia de contrastes, não é uma escolha óbvia, mas é encantadora. Senti-me em casa em Medellín. Algo me chamava para lá. Há cidades que são assim, é coisa de química, de outras vidas, sei lá. Não dá mesmo para explicar o que não se explica.


Em Medellín subi a comunidade de bondinho. Fiz uma amiga entre as agentes de intercâmbio que visitei. Dormi em uma cama deliciosa, no melhor hotel da viagem. Trabalhei como se estivesse no escritório. Assisti à missa.



A noite no Shopping El Tesoro foi brilhante em todos os níveis. As fotos mostram o motivo. O restaurante era o MILAGROS DE AMOR. A vista era de toda a cidade, mágica pelas luzes de suas casas e edifícios no cair daquela tarde. E os clientes colocaram velas no altar da Nossa Senhora de Guadalupe. No meio do bar. Do meio do restaurante. No meio de um shopping. No topo de uma cidade. Dentro do meu coração.







Te vi, mas não te conheci, Cali



Querida Cali, você me mostrou o que é julgar pelas aparências. Sei que quando optamos por esse caminho, não somos justos. Não temos bagagem para opinar.



Aliás, falando em bagagem... Eu não tinha onde guardá-la. Levei aquela mala sem alça para baixo e para cima, e confesso que isso não me ajudou a gostar de você. É que minha visita foi vapt-vupt. Cheguei, trabalhei e fui embora. Não deu nem tempo para você me mostrar o que tem de bom.



É que eu fiquei cismada com as casas de escadas caracol, todas do lado de fora. Fiquei pensando se o ladrão subiria por ali. A reunião acontecia e eu não conseguia me desgrudar da imagem da “starway to heaven” hahahaha. Olha a foto aí:



Em Cali a desigualdade social é mais evidente. O Centro Comercial Unicentro é extremamente moderno, por exemplo. É ali que estão concentradas a maioria das agências de intercâmbio da cidade. Há um shopping no primeiro piso, que reúne as principais marcas desse mundão nosso que hoje parece, em determinados aspectos, tão pequeno e tão igual.


Foi só quando almocei no restaurante Primos, que tem um gato como logomarca, que descobri o motivo do bichano ser o símbolo de Cali. Aliás, foi no Primos que substituí meu café por uma aromatizada de frutas vermelhas i-nes-que-cí-vel. Jesus Cristo, que coisa boa. E parece que só falo em comida. 





Deixa eu voltar ao assunto do gato.O pintor e escultor Hernando Tejada doou uma imensa escultura de gato à cidade, feita de bronze, em uma área que estava sendo revitalizada na época. Isso aconteceu em 1996, e hoje o gato tem a companhia de diversas gatas coloridas criadas por artistas renomados locais.

O gato de bobo não tem nada. Boba sou eu, que viajei sem o maridão. =)

Bogotá, sua linda.




Mais uma viagem a trabalho. Lá fui eu de volta para a Colômbia. Passei a ter simpatia por esse país desde a primeira vez que o visitei. Como fiz em minha última viagem, deixo aqui minhas impressões sobre minha rápida visita. A primeira delas é sobre Bogotá.



Bogotá, sua linda.

Querida Bogotá, você me faz lembrar Belo Horizonte quando vejo suas montanhas. Mas as suas montanhas são mais altas.
Seu status de segunda capital mais alta da América Latina mexeu um pouquinho comigo. Senti meu nariz ressecado, mas não me importei. Caminhei feito uma louca pelas ruas planas da Zona Rosa. Não choveu, apesar da promessa. Isso me deixou feliz, tão feliz que nem liguei para a minha testa queimada de sol. Estava sol. Estava frio. Tudo junto e misturado.


A Zona Rosa é uma delícia. Um bairro que tem de tudo um pouco, inclusive as agências de intercâmbio que visitei. Abençoada praticidade em uma cidade de 8 milhões de habitantes!
Amei seu café, suas vitrines com saias multicoloridas e cheias de babados, seu artesanato e as milhões de vezes que ouvi a frase “con mucho gusto”, sempre acompanhada de um sorriso. Senti-me respeitada quando me perguntavam se poderiam incluir o serviço na conta do restaurante. Claro que sí, cómo no!


Não visitei seus pontos turísticos, mas reconheci você nos rostos de cada um que encontrei. Aprendi com eles. Pratiquei espanhol com eles. Tornei-me uma pessoa melhor, pois hoje sei um pouquinho mais do mundo do que sabia antes de embarcar. Obrigada, Bogotá. Hasta luego!



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

IH Dublin (International House Dublin)


Acabo de voltar de Dublin, cidade deliciosa que me acolheu pela primeira vez em 1997, quando fui levar um grupo de adolescentes para estudar inglês nas férias de julho.

Há 6 anos trabalho para a escola International House de Dublin. Meu papel é auxiliar nossos parceiros (agências de intercâmbio) na América Latina, fornecendo informações sobre nossos cursos, acomodações, e sobre a infra-estrutura da escola.

Criei o link abaixo para auxiliar quem esteja interessado em estudar na IH Dublin, e estou à disposição para ajudar os interessados através do email luiza@ihdublin.com =)

Link de fotos IH Dublin

domingo, 9 de julho de 2017

Viajando de taxi - Parte 2

- Não é possível, Lu. Pega um UBER, é muito mais barato.

Esse foi o conselho da minha amiga Denise quando fui a Salvador trabalhar, e também visitá-la. Quem me conhece sabe que sou meio das antigas, e que tenho uma certa simpatia pelos táxis, sei lá o motivo, deve ser coisa de outras vidas.

- O aplicativo está dando pau, vou pegar táxi mesmo.

E lá fui eu, depois da reunião, dentro daquele carro velhinho, já meio arrependida. Tanto carrão bonito na fila dos táxis e sobrou aquele maltratado pra mim, com jeito de surrado, pedindo aposentadoria. Tudo bem, pensei. A distância é curta, nada vai acontecer.

Mas aconteceu. Primeiro uma fumaça esquisita. Depois o motorista, um senhor negro e bem gordo, feliz e sorridente feito o Mussum (alô, geração Uber: o Mussum era um engraçadíssimo integrante dos Trapalhões, junto com o Didi, Dedé e o Zacarias), resolve parar o táxi.

- Só um minutinho, dona.

Viro para o lado, olho pela janela. É noite, e o local não me parece o mais acolhedor desse mundo.

- Aqui é perigoso, moço? - Questionei, mas minha voz foi engolida pelo barulho do trânsito daquela hora do rush.

Vi o Mussum pegando um galão lá no porta-malas, e depois o levando para a frente do carro. Devia ser água, mas naquele momento eu não sabia se olhava para o galão, para a janela, para o meu celular (ligo para alguém?), ou se fechava os olhos e rezava.

Alguns minutos se passaram até que o motorista voltou para dentro do carro.

- Vai dar não, dona. Pifou mesmo. Vou parar um táxi para a senhora.

Confesso que fiquei com medo, mas foi tudo tão rápido, que logo me vi dentro de outro veículo, dessa vez com um motorista mais jovem, mais magro, mas igualmente agradável.

- Deixo a senhora e volto para ajudar o colega. Um dia é ele, outro dia sou eu...

Quem dera o mundo fosse assim.

Adoro conversar com os motoristas. Ainda em Salvador, um deles me contou que não faltava peixe na sua geladeira, nunquinha mesmo. Disse ele que dá para pescar de cima do muro do seu quintal. É só se acomodar lá em cima,  jogar a linha e esperar o bichinho morder a isca.

- Sério, você pesca da sua casa? Assim mesmo?

- Sim, senhora. E pego peixe, viu? Minha casa é um paraíso. Eu moro no paraíso, dona.

Seu outro colega de profissão, motorista de táxi que me levou nesse início de julho para a estação de trem de Carapicuíba, em São Paulo, é outro orgulhoso da sua casa. No caminho, ele me contou que depois de se aposentar, passou a dirigir aquele táxi. Logo nos primeiros dias,  levou uma passageira que o ensinou um atalho para pegar outro passageiro que o esperava do lado oposto da cidade. Esse atalho passava pela "roça", onde ele viu uma casa velha, no meio do mato, com a placa de "Vende-se" do lado de uma placa com os dizeres "Trago seu amor de volta, costuro o nome do seu inimigo na boca do sapo", e por aí vai.

Ri muito quando ele disse que ligou para o número de telefone pintado na placa e perguntou quanto custava a casa da bruxa. Cismou com a casa, mas não tinha dinheiro suficiente. Não é que o dono baixou 40.000 reais para que ele pudesse comprá-la? Comprou, mandou rezar missa no local para a família toda, para tirar a energia da bruxa e renovar os ares pra ele. Criou galinha, plantou jaboticaba, mas a família, que era bom, não queria se mudar pra lá não. Demorou foi tempo, ele contou, até que depois de muito churrasco, muita árvore frutífera plantada e muitos ovos colhidos na hora, sua filha e sua esposa se convenceram de que morar naquele mato era, no fundo, bom demais.

- Tem miséria não, moça, pode pegar mais bala. A senhora está com cara de quem não quer uma bala só.

Sorrio, puxo uma "Azedinha" de morango para dentro do bolso, e acerto a conta com aquele senhor taxista, dessa vez na Av.Paulista.

Sim, o trânsito é caótico. Mas como é lindo descobrir seu lado humano.

domingo, 23 de outubro de 2016

E assim redescobri Buenos Aires



Acordo várias vezes pela madrugada para não perder meu compromisso da manhã. Checo o Google Maps para apontar a direção da próxima reunião. Pratico o espanhol abordando o vendedor de revistas, o moço da lanchonete, o recepcionista do hotel, a garçonete do restaurante.

Não, não há ninguém do meu lado. Mais uma vez viajo sozinha a trabalho, e entre as reuniões agendadas, tenho a companhia dos meus pensamentos, das minhas percepções, e de todos os meus sentidos, normalmente aguçados quando nos encontramos num ambiente diferente. Nesse caso, Buenos Aires.

Pizzarias, cafeterias, livrarias, papelarias... Que delícia, um cinema de rua, há quanto tempo não via um desses! E mais teatros, e mais livrarias, e mais pizzarias com os mais diversos títulos, desde "a mais tradicional ", "a melhor", "a mais popular" ou até mesmo "a única" entre as várias outras do mesmo quarteirão.

Enquanto saboreio uma empanada de carne e tomo uma Schweppes de pomelo, a larga avenida ferve em todas as direções. Jovens com fones de ouvido dão suas passadas sem reparar no que há ao redor, idosos elegantes atravessam a faixa de pedestres com cuidado, pessoas mendigam, pessoas veem vitrines, pessoas encontram amigos, pessoas ignoram pessoas.

Estou só, mas me vejo ali, entre os cidadãos comuns que vivem nas grandes cidades. Estranhei sabores como a toranja, mas identifiquei-me com o doce de leite. Confundi-me com o horário, mas não me soou estranho o barulho das buzinas.

Ainda assim, sou estrangeira. Não entendi o motivo do cartão de metrô não ser vendido na própria estação do metrô. E também não compreendi porque vários trens não têm sistema de som.

"Callao” – diz a senhora do meu lado, anunciando o nome da estação enquanto eu me esforçava para enxergar do lado de fora do vidro da porta de um vagão lotado. “Gracias”, sorri, agradecendo aos anjos protetores dos viajantes, que vem na forma das pessoas prestativas que ajudam assim, de graça, sem a gente nem mesmo ter que pedir.

Cada vez que viajamos temos sensações diferentes, mesmo sendo um local já previamente visitado. Mudam as regiões onde nos hospedamos, mudam os hotéis, os restaurantes, o clima, os estabelecimentos comerciais, e principalmente, mudamos nós, seres em constante movimento, assim como as cidades em todo o mundo.


O que não muda é vontade de descobrir o novo e de aprendermos com as nossas pequenas e grandes descobertas. É, viajar vicia.
Acordo várias vezes pela madrugada para não perder meu compromisso da manhã. Checo o Google Maps para apontar a direção da próxima reunião. Pratico o espanhol abordando o vendedor de revistas, o moço da lanchonete, o recepcionista do hotel, a garçonete do restaurante.

Não, não há ninguém do meu lado. Mais uma vez viajo sozinha a trabalho, e entre as reuniões agendadas, tenho a companhia de meus pensamentos, percepções, e todos os sentidos, normalmente aguçados quando nos encontramos num ambiente diferente. Nesse caso, Buenos Aires.

Pizzarias, cafeterias, livrarias, papelarias... Que delícia, um cinema de rua, há quanto tempo não via um!!! E mais teatros, e mais livrarias, e mais pizzarias com os títulos de "a mais tradicional ",  "a melhor",  "a mais popular" ou mesmo "a única" entre as várias outras do mesmo quarteirão.

Enquanto saboreio uma empanada de carne e tomo uma cerveja Quilmes, a larga avenida ferve em todas as direções. Jovens com fones de ouvido passam ser perceber o que há ao redor, idosos elegantes atravessam a rua com cuidado, pessoas mendigam, pessoas veem vitrines, pessoas encontram amigos, e outras se ignoram