domingo, 9 de julho de 2017

Viajando de taxi - Parte 2

- Não é possível, Lu. Pega um UBER, é muito mais barato.

Esse foi o conselho da minha amiga Denise quando fui a Salvador trabalhar, e também visitá-la. Quem me conhece sabe que sou meio das antigas, e que tenho uma certa simpatia pelos táxis, sei lá o motivo, deve ser coisa de outras vidas.

- O aplicativo está dando pau, vou pegar táxi mesmo.

E lá fui eu, depois da reunião, dentro daquele carro velhinho, já meio arrependida. Tanto carrão bonito na fila dos táxis e sobrou aquele maltratado pra mim, com jeito de surrado, pedindo aposentadoria. Tudo bem, pensei. A distância é curta, nada vai acontecer.

Mas aconteceu. Primeiro uma fumaça esquisita. Depois o motorista, um senhor negro e bem gordo, feliz e sorridente feito o Mussum (alô, geração Uber: o Mussum era um engraçadíssimo integrante dos Trapalhões, junto com o Didi, Dedé e o Zacarias), resolve parar o táxi.

- Só um minutinho, dona.

Viro para o lado, olho pela janela. É noite, e o local não me parece o mais acolhedor desse mundo.

- Aqui é perigoso, moço? - Questionei, mas minha voz foi engolida pelo barulho do trânsito daquela hora do rush.

Vi o Mussum pegando um galão lá no porta-malas, e depois o levando para a frente do carro. Devia ser água, mas naquele momento eu não sabia se olhava para o galão, para a janela, para o meu celular (ligo para alguém?), ou se fechava os olhos e rezava.

Alguns minutos se passaram até que o motorista voltou para dentro do carro.

- Vai dar não, dona. Pifou mesmo. Vou parar um táxi para a senhora.

Confesso que fiquei com medo, mas foi tudo tão rápido, que logo me vi dentro de outro veículo, dessa vez com um motorista mais jovem, mais magro, mas igualmente agradável.

- Deixo a senhora e volto para ajudar o colega. Um dia é ele, outro dia sou eu...

Quem dera o mundo fosse assim.

Adoro conversar com os motoristas. Ainda em Salvador, um deles me contou que não faltava peixe na sua geladeira, nunquinha mesmo. Disse ele que dá para pescar de cima do muro do seu quintal. É só se acomodar lá em cima,  jogar a linha e esperar o bichinho morder a isca.

- Sério, você pesca da sua casa? Assim mesmo?

- Sim, senhora. E pego peixe, viu? Minha casa é um paraíso. Eu moro no paraíso, dona.

Seu outro colega de profissão, motorista de táxi que me levou nesse início de julho para a estação de trem de Carapicuíba, em São Paulo, é outro orgulhoso da sua casa. No caminho, ele me contou que depois de se aposentar, passou a dirigir aquele táxi. Logo nos primeiros dias,  levou uma passageira que o ensinou um atalho para pegar outro passageiro que o esperava do lado oposto da cidade. Esse atalho passava pela "roça", onde ele viu uma casa velha, no meio do mato, com a placa de "Vende-se" do lado de uma placa com os dizeres "Trago seu amor de volta, costuro o nome do seu inimigo na boca do sapo", e por aí vai.

Ri muito quando ele disse que ligou para o número de telefone pintado na placa e perguntou quanto custava a casa da bruxa. Cismou com a casa, mas não tinha dinheiro suficiente. Não é que o dono baixou 40.000 reais para que ele pudesse comprá-la? Comprou, mandou rezar missa no local para a família toda, para tirar a energia da bruxa e renovar os ares pra ele. Criou galinha, plantou jaboticaba, mas a família, que era bom, não queria se mudar pra lá não. Demorou foi tempo, ele contou, até que depois de muito churrasco, muita árvore frutífera plantada e muitos ovos colhidos na hora, sua filha e sua esposa se convenceram de que morar naquele mato era, no fundo, bom demais.

- Tem miséria não, moça, pode pegar mais bala. A senhora está com cara de quem não quer uma bala só.

Sorrio, puxo uma "Azedinha" de morango para dentro do bolso, e acerto a conta com aquele senhor taxista, dessa vez na Av.Paulista.

Sim, o trânsito é caótico. Mas como é lindo descobrir seu lado humano.

domingo, 23 de outubro de 2016

E assim redescobri Buenos Aires



Acordo várias vezes pela madrugada para não perder meu compromisso da manhã. Checo o Google Maps para apontar a direção da próxima reunião. Pratico o espanhol abordando o vendedor de revistas, o moço da lanchonete, o recepcionista do hotel, a garçonete do restaurante.

Não, não há ninguém do meu lado. Mais uma vez viajo sozinha a trabalho, e entre as reuniões agendadas, tenho a companhia dos meus pensamentos, das minhas percepções, e de todos os meus sentidos, normalmente aguçados quando nos encontramos num ambiente diferente. Nesse caso, Buenos Aires.

Pizzarias, cafeterias, livrarias, papelarias... Que delícia, um cinema de rua, há quanto tempo não via um desses! E mais teatros, e mais livrarias, e mais pizzarias com os mais diversos títulos, desde "a mais tradicional ", "a melhor", "a mais popular" ou até mesmo "a única" entre as várias outras do mesmo quarteirão.

Enquanto saboreio uma empanada de carne e tomo uma Schweppes de pomelo, a larga avenida ferve em todas as direções. Jovens com fones de ouvido dão suas passadas sem reparar no que há ao redor, idosos elegantes atravessam a faixa de pedestres com cuidado, pessoas mendigam, pessoas veem vitrines, pessoas encontram amigos, pessoas ignoram pessoas.

Estou só, mas me vejo ali, entre os cidadãos comuns que vivem nas grandes cidades. Estranhei sabores como a toranja, mas identifiquei-me com o doce de leite. Confundi-me com o horário, mas não me soou estranho o barulho das buzinas.

Ainda assim, sou estrangeira. Não entendi o motivo do cartão de metrô não ser vendido na própria estação do metrô. E também não compreendi porque vários trens não têm sistema de som.

"Callao” – diz a senhora do meu lado, anunciando o nome da estação enquanto eu me esforçava para enxergar do lado de fora do vidro da porta de um vagão lotado. “Gracias”, sorri, agradecendo aos anjos protetores dos viajantes, que vem na forma das pessoas prestativas que ajudam assim, de graça, sem a gente nem mesmo ter que pedir.

Cada vez que viajamos temos sensações diferentes, mesmo sendo um local já previamente visitado. Mudam as regiões onde nos hospedamos, mudam os hotéis, os restaurantes, o clima, os estabelecimentos comerciais, e principalmente, mudamos nós, seres em constante movimento, assim como as cidades em todo o mundo.


O que não muda é vontade de descobrir o novo e de aprendermos com as nossas pequenas e grandes descobertas. É, viajar vicia.
Acordo várias vezes pela madrugada para não perder meu compromisso da manhã. Checo o Google Maps para apontar a direção da próxima reunião. Pratico o espanhol abordando o vendedor de revistas, o moço da lanchonete, o recepcionista do hotel, a garçonete do restaurante.

Não, não há ninguém do meu lado. Mais uma vez viajo sozinha a trabalho, e entre as reuniões agendadas, tenho a companhia de meus pensamentos, percepções, e todos os sentidos, normalmente aguçados quando nos encontramos num ambiente diferente. Nesse caso, Buenos Aires.

Pizzarias, cafeterias, livrarias, papelarias... Que delícia, um cinema de rua, há quanto tempo não via um!!! E mais teatros, e mais livrarias, e mais pizzarias com os títulos de "a mais tradicional ",  "a melhor",  "a mais popular" ou mesmo "a única" entre as várias outras do mesmo quarteirão.

Enquanto saboreio uma empanada de carne e tomo uma cerveja Quilmes, a larga avenida ferve em todas as direções. Jovens com fones de ouvido passam ser perceber o que há ao redor, idosos elegantes atravessam a rua com cuidado, pessoas mendigam, pessoas veem vitrines, pessoas encontram amigos, e outras se ignoram


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Meu México



Menos de 40 minutos para o embarque. Já escrevi textos em aeroportos algumas vezes na minha vida, e hoje aproveito o chá ( o de aeroporto e o de maçã com canela que estou tomando nesse momento ) para falar das minhas impressões sobre a minha primeira visita à cidade do México.


Apesar de estar com a boca ressecada, os olhos avermelhados e o nariz meio estranho pelo efeito da poluição, saio daqui com o coração tranquilo e tocado pelo povo mexicano, com sua graça, simpatia, desordem, caos. Gente que nem a gente.


Lembro-me de um post que fiz com algumas particularidades que observei no Chile, e senti vontade de fazer isso de novo. Uma vez meu marido me disse algo que nunca saiu da minha cabeça. "Quando viajamos, nascemos de novo". E é isso mesmo. Em um passe de mágica, tornamo-nos abertos para outras cores, gostos, cheiros. Há pessoas que passam por essa experiência de maneira mais prática. Outras, não. Gosto de pensar que os verdadeiros viajantes são aqueles que conservam a curiosidade de uma criança pequena, e se emocionam com os detalhes. Os detalhes são tudo, na verdade.


Os mexicanos sempre dizem ‘buenos dias’ com sorriso no rosto. Eles me chamam de ‘senhorita’, mesmo sendo uma senhora. Se espirro, me desejam ‘salud’.


Os mexicanos riem se pergunto se o molho é muito picante. Para eles, nunca é. Quando minha língua fica dormente, sou obrigada a sorrir com eles.


Os mexicanos dobram o comprovante da sua compra e o enrolam no seu cartão de crédito. É fofo, mesmo você tendo que desdobrar o papel e guardar separadamente do cartão, na sua carteira.


Os mexicanos têm duzentos tipos de táxi, mil tipos de bandeiras e cobranças, e confesso que às vezes você se sente um pouco enganada. Mas possuem um projeto de táxis elétricos pioneiros, e tive a sorte de ser passageira de um dos 20 veículos disponíveis na cidade.


Os mexicanos comem em barracas de rua, sentam-se em banquinhos de plástico e se servem de linguiça, arroz, carnes variadas e legumes. Imagino a trabalheira daquelas senhoras montando as barraquinhas de esquina todos os dias, com inúmeros recipientes de molho, panelas, chapa... Não experimentei, quem sabe na próxima =)


Os mexicanos me trataram bem. Foram educados e cordiais. Sim, tive sorte. Mas acredito nos anjos protetores dos viajantes, aqueles que colocam as pessoas certas no nosso caminho, pessoas que dedicam um pouquinho do seu tempo para explicar que as bandeirinhas de festa junina não tem nada de festa junina, apenas chamam a atenção para possíveis compradores do imóvel que está ali à exposição.


Cada um dos mexicanos que perdeu um pouquinho de seu tempo comigo, foi apreciado. Com eles, pratiquei espanhol. Aprendi sobre a arte de colocar minúsculas miçangas em esculturas de madeira, de uma tribo indígena quase intocada pela colonização espanhola, e que por isso preserva sua cultura. Aprendi que os Maias eram povos mais educados e refinados, e os Astecas mais conquistadores. Aprendi que Cancún não é o México. Só que isso eu já sabia, e Cancún é bom assim mesmo.


Hoje, em um mercado da cidade, as cores mexicanas me inundaram. Senti-me perdida em meio a produtos chineses, artesanatos de verdade, comida típica, frutas e verduras. Parei para fazer compras e tive uma aula de Frida Kahlo. A vendedora me explicou que, para ela, o mais tocante na história de Frida é o fato dela apreciar as pessoas mais simples. A ingenuidade e simplicidade dessa gente era admirada por essa pintora tão conhecida, em detrimento dos que se diziam intelectualizados.


Em minhas reuniões de trabalho, mais uma vez senti o quanto o mundo é pequeno. A distância não impede que tenhamos amigos em comum no Facebook, que possamos nos ver pela primeira vez e compartilhar histórias de pessoas que ambos conhecemos em diferentes épocas e situações.


Saio com a sensação de que somos povos tão diferentes, mas ao mesmo tempo, tão parecidos. Somos frutos de um mesmo Deus, e só queremos ser felizes. Que o respeito ao outro seja a semente dos viajantes. Quero ver essa terra florir!

***

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Livro Próxima Estação: Intercâmbio faz 15 anos e é disponibilizado como "E-BOOK" na Amazon.


Esse ano o meu livro Próxima Estação:Intercâmbio fez 15 anos e resolvi publicá-lo na versão E-BOOK na Amazon! É um livro dedicado aos participantes de um programa HIGH SCHOOL, e também aos apaixonados por essa experiência. Mais de 5000 jovens já acompanharam as páginas dessa aventura, e agora conto com vocês para divulgarem a versão online.
Não é necessário ter o Kindle, é possível lê-lo em qualquer aplicativo: celular, laptop, tablet, etc...

Clique no link abaixo para conferi-lo na Amazon Brasil!
https://www.amazon.com.br/dp/B01FCH7HE2

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Primeiro vídeo da escola NESE (The New England School of English) - Boston/Cambridge - USA

Esse é o primeiro vídeo da NESE (The New England School of English). Aqui, é possível encontrar vários argumentos que mostram como a cidade de Cambridge (onde está a Harvard e o M.I.T) é o local perfeito nos EUA para estudar inglês! Confira!

Sou representante da escola NESE aqui no Brasil, e posso ajudar aos alunos interessados indicando nossas agências de intercâmbio parceiras em todo o país, além de auxiliá-los com as dúvidas que possam surgir sobre a escola e as cidades de Cambridge e Boston.

Espero que curtam o vídeo!
A NESE reúne inúmeras premiações, entre eles o fato de estar frequentemente mencionada como uma das cinco melhores escolas para se aprender inglês no exterior =)