sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre as nuvens de Floripa






Viajar sozinha é um barato em alguns aspectos. Exemplos?

-É uma chance de finalmente ler as revistas que seguem empilhadas e abandonadas no meu porta-revistas sem que eu tenha a chance de olhar para as pobres coitadas.

-É a oportunidade de fazer coisas meio "queima filme", tipo ficar tirando foto da janela do avião estilo turista deslumbrada, que afinal de contas eu sou mesmo e quer saber?... Não tô nem aí, quem achar estranho que ache! :) Falando nisso, confiram as fotos deste "post" que retratam minha chegada a Floripa.

-É a hora de tirar fotos de si própria e ver como elas saem (sim, isso é esquisito, mas não deixa de ser um passatempo divertido!).

-É o tempo que a gente tem para fazer as listas de coisas pendentes que lotam as nossas agendas, tais como "quem vou presentear no Natal" ou "consultas médicas que tenho de marcar até o final do ano" ou "providências que tenho que fazer para a casa nova" (essa tá grande) ou "próximos lugares para os quais viajarei".

-É o momento de dormir com a boca aberta no assento do avião (tenho a ligeira impressão de que fiz isso na minha volta de Florianópolis para BH). Isso é raro, para mim raríssimo, mas tenho me sentido tão cansada com essa correria de ultimamente que estou achando o máximo tirar uma soneca inesperada!

-É a chance de prestar atenção na conversa dos outros e rir sozinha. Às vezes me impressiona como temos a capacidade de travar conversas de horas a fio com pessoas totalmente desconhecidas, e o pior, tornar a conversa de tal maneira empolgada que parece fazer parte de um repertório de dois amigos de infância! Acho que isso é algo da nossa cultura mesmo, é único e muito, muito divertido!

-É a hora de conferir quem anda embarcando pelos aeroportos do Brasil na revista de bordo (Sim, eu gosto dessa parte e não, não sei explicar o motivo!!!).

Bom, mas o post é sobre Floripa!
E a primeira coisa que me veio à cabeça quando a conheci há alguns anos foi a vontade de morar ali.
Fui a Floripa em algumas ocasiões, e sempre a trabalho.
Não sei como é o dia-a-dia da cidade, não sei como é a dinâmica do trânsito, não sei como é nada, no fundo, e mesmo assim, tudo que senti foi "nossa, que vontade de morar aqui".
Isso se passou também em Londrina.
E em Sydney, na Australia.
Que engraçado isso, mas até hoje realmente foram as três cidades onde tive essa sensação.
Tenho que descobrir o que há de comum entre as três.
Às vezes foi o meu estado de espírito enquanto passeava por elas.
Quem sabe.
Acho que preciso ir de novo a Londrina.
E a Sydney,claro.
Quem sabe assim...

domingo, 18 de outubro de 2009

Olhar Estrangeiro

Em homenagem aos meus intercambistas e ex-intercambistas...

domingo, 11 de outubro de 2009

Lembranças doces de um mar salgado




Houve um tempo em que as nossas férias na praia duravam de 15 dias a um mês.

Houve uma época em que, ao invés de procurar uma agência de viagens, bastava combinar com a família e partir para a casa da avó. Família, leia-se: avó, pai, mãe, irmãos, tios, tias, primos, amigos, cachorro...

Um rancho, que delícia de palavra. Um rancho na praia, uma combinação ainda mais deliciosa.

Acredito que as pobres das mães daquela época, caso questionadas, prefiram de longe as férias de hoje àquela visão interminável de louças para lavar!

Ah, aquela época onde não havia restaurantes self-service...

Ah, aquele tempo em que meu pai trazia peixes recém-pescados e mais um tanto de mentiras cabeludas na geladeira de isopor...

Um tempo de farofeiros na praia (e nós éramos uns deles, e com orgulho!). Imagens nítidas me vêm à cabeça da intrincada operação para se colocar o guarda-sol bem enterradinho na areia. Não, eles não nos esperavam já prontinhos, como as praias particulares de nossos bem conhecidos resorts. Eram colocados ali, com suor e esforço. E ainda tínhamos que carregar as cadeiras de praia naquela grande trilha de terra batida e mais um tanto de metros de areia quente.

Houve uma época em que conferíamos as ofertas de cadeira de praia na loja Mesbla! (Que me perdoem os mais novinhos que não têm essa referência...)

Houve um tempo em que eu lambia o picolé de creme holandês e ele ficava transparente, pois era puro gelo. Ou comia abacaxi cortadinho em rodelas e chupava cana até a barriga doer.

Nas minhas férias de infância, o cheiro de terra molhada, maresia, fumaça para espantar pernilongo, peixe frito e pitanga se confundiam ao longo dos dias que pareciam intermináveis, tanto era o tempo disponível para brincar, comer, nadar, brincar, dormir ou não fazer nada (sim, isso existe!)

Meu Deus, eu assisti ao casamento da Ladi Di com o Príncipe Charles em uma casa de praia. Ou tentei assistir, para ser mais clara. A televisão raramente pegava, e a imagem era tão cheia de fantasmas e chuviscos que freqüentemente perdíamos a paciência, isso quando o controle do vertical (lembram-se?) tinha que ser acionado para conseguirmos enxergar alguma coisa.

Houve um tempo em que eu gritava porque tinha sapo no box do banheiro, porque tinha minhoca no anzol, porque tinha besouro na mesa, porque minhas costas e meu corpo inteiro doíam e eu parecia um pimentão vermelho e porque minha barriga estava ralada de tanto pegar jacaré na prancha de isopor.

Eu já peguei bicho de pé na praia.

Já chorei de medo de histórias de terror contadas na praia.

Já tive paixonites de infância na praia, alimentadas pelo som de “Como uma Onda” do Lulu Santos no meu walk-man.

Já brinquei de jogo da memória na praia, de mímica de filmes, de fogãozinho de lenha para fazer arroz doce de verdade, de cavaleiro, de princesa, de sereia, de bola, de castelo, de gravar imitações de novelas de rádio em um gravador de fita-cassete.

Já guardei água salgada na garrafa de água mineral para levar para casa.

Já peguei um siri e coloquei em um balde para virar bicho de estimação (ele fugiu, lógico).

Já fiz coleção de conchinhas.

Já cresci. Mas essas lembranças não saem nunca de dentro de mim.

Elas vêm e voltam.

Como uma onda no mar.

sábado, 3 de outubro de 2009

E a gente ACHA que viaja...






Bom, a gente, leia-se: eu.

O que é que eu estou achando, pobre coitada de mim, que um dia me julguei capaz de criar um blog sobre viagem? Está certo que já passeei um bocado, é verdade. Mas um bocado comparado a quê?

A minha professora de Francês acha que esse negócio de comparar é uma bela de uma roubada.

Até o cara conhecer a classe executiva, acha que viajar de econômica é a oitava maravilha do mundo. Depois que a sorte o contempla, certo dia, com um tal de "upgrade"... Acabou-se a fantasia. Bom mesmo é a business class, o resto é, vamos dizer, resto...

Quando comecei a escrever aqui no Viajar Vicia, falei de uma conhecida minha, que mora em Londres, e que um dia acordou e decidiu passar um ano viajando pelo mundo. Claro que não deve ter sido bem assim, acredito, mas peço permissão para a intervenção da minha visão romântica. E não tenho dúvida que se tratou de uma decisão cercada de romantismo, até porque ela viajou com o namorado para conhecer nada mais nada menos do que... o mundo.

Uma volta ao mundo, com o namorado, por um ano. Ouvir novos idiomas a cada ponto da jornada, respirar diferentes odores, sentir temperaturas desconhecidas, brigar e fazer as pazes enquanto paisagens como essas que coloquei nesse post (SIM, foram eles que registraram esses cenários sem qualquer auxílio de photoshop, JURO!) ajudam a tornar o dia-a-dia desses dois um pouquinho diferente da rotina da grande maioria dos mortais...

Tinha um bocado de tempo que eu não dava uma lidinha na aventura dos dois, confesso. Só hoje, ao dar uma passadinha por lá, dei-me conta que eles partiram da Inglaterra em Outubro de 2008! E estão viajando até hoje! Minha professora que me desculpe, mas COMO não comparar? Coitados dos meus pacotes de uma semana na praia! Se eu juntar todas as viagens da minha vida não devem chegar nem perto do tempo de férias desses dois, que percorreram até agora um roteiro que contemplou o Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Fiji, Austrália, Bali, Java, Singapura, Malásia, Tailândia...

Não tô com inveja, gente... Tá, tô um pouco. E feliz por conhecer alguém assim, capaz de chutar o balde e meter o pé na estrada, brigar com escorpiões no chuveiro, nadar com tubarões, escalar montanhas... Um brinde ao ano sabático! Quem sabe um dia chego lá? (Em versão, digamos, um pouco menos radical...)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

SP em P&B


4 e meia da manhã, dilúvio em BH.

Ai, dureza, acordar cedo (madrugada) para viajar a trabalho, e ainda debaixo de um temporal?

Droga de aeroporto longe!!!!!!!!!!

Troquei o sapato. O que eu tinha escolhido tinha a meia aparente, ia ensopar tudo.

Chamei o taxi, que chegou super rápido.

Marcelo foi me levar lá na portaria, que delícia de marido.

Ia aterrisar praticamente na hora, não fosse o fato de que o avião teve de subir de novo quando já avistávamos a pista de Congonhas.

"Xi, fechou"- comenta o moço do meu lado, fato que até me assustou, para falar a verdade, pois normalmente quase não troco palavras com ninguém no avião. O oposto de uma conhecida, que simplesmente beijou seu vizinho de poltrona (que até então nunca tinha visto na vida) durante praticamente todo seu vôo internacional. Mas isso é um caso em um milhão, que deveria ir para o Guinness!

Liguei para avisar que me atrasaria para a primeira reunião.

Ainda bem que os paulistas entendem tudo o que se refere a trânsito caótico e atraso de vôo. Choveu? Melhor ainda. Pode processar se alguém brigar com você!

Enquanto a garoa molhava São Paulo, uma espessa camada de nuvens cobria a cidade deixando o céu todo branco, que nem cobertura de chantily.

Ao final do dia, entro na casa de minha amiga Miriam e me deparo com um lindo quadro de um beijo em Paris.

Vontade de estar em Paris.

Vontade de beijar em Paris.

Não era como o quadro que ilustra esse post, mas tão lindo quanto, talvez ainda mais!

E mais garoa.

E mais conversa, como é bom colocar o papo em dia!

E dá-lhe comida boa, boas risadas, e boas checadas de e-mail porque afinal de contas estava ali pra trabalhar!

No outro dia, café da manhã saudável e pé na estrada, ou melhor, na Avenida.

Depois do treinamento, sigo para o Consulado Americano.

Tremo, mas não é de nervoso, é de frio. 12 graus centígrados!!!!!! Tá nevando!

Fila, deixo o celular guardado, passo por uma revista, faço amizade com algumas companheiras de espera, mais precisamente com duas, muito simpáticas e de São Paulo. Mais fila, pré-entrevista, espero de novo (e muito), dou uma corridinha no banheiro enquanto minhas novas amigas seguram minha bolsa, volto pra fila, tiro impressão digital, mais espera para a entrevista final, fome, barriga roncando (por que eu não almocei antes ?), mais fila para pagar a taxa do visto de negócios, e ainda outra para pagar a taxa do sedex, onde estão minhas amigas, será que algum dia as verei de novo?

Ah, Starbucks! Agora minha viagem a São Paulo tem a cara da minha ida a Boston.
Como não tem chá? Tudo bem, vou de mocha latte mesmo...

Consigo antecipar o vôo pela primeira vez, ôba!

Descubro que a aeronave tá atrasada, mas tudo bem, ainda assim chego em Confins uma hora antes do que chegaria com a minha passagem antiga.

Meia hora para o próximo ônibus até BH?????? De que adianta antecipar o vôo nessa terra?

Fecho os olhos e tento dormir.

Estou nos braços de Marcelo, dou um beijo estalado na Júlia.

Sonho?

Não, voltei pra casa.

E mês que vem tem mais...


domingo, 13 de setembro de 2009

Viagem de Domingo




Domingo tem sido meu dia eleito para viajar pela internet.


Normalmente, para não dizer em quase 100% das vezes, uso a danada para o trabalho, mais precisamente para e-mails, centenas, milhares, zilhares deles.


Mas no domingo tenho procurado aproveitar um tempinho para checar as novidades: ver as recentes fotos de minha grande amiga que está morando na Austrália e que é simplesmente a mais nova vizinha do guitarrista do ACDC; dar uma visitadinha no recente blog que descobri, o garotinharuiva.blogger.com, onde aproveito para me enriquecer culturalmente e aprender que, na Rússia, o domingo é o dia mais movimentado da semana.

Sim, é isso mesmo! Enquanto nós, brasileiros, conhecemos beeeem aquela rotina de almoço em família e uma cochilada básica depois (não que eu faça isso - eu almoço, mas não cochilo rs rs), os russos movimentam as cidades fazendo compras em meio a um trânsito de pessoas fervilhante. De acordo com a autora do blog, somente os bancos e as escolas fecham!


É, sem dúvida essa é uma visão diferente do domingo. Tudo bem que nossos shoppings tem funcionado, e muitas outras casas comerciais também, mas estamos longe desse auê, que aliás deve ser bem interessante!


Essa história de rotina é uma coisa meio maluca, pois ao mesmo tempo que queremos fugir dela, às vezes amamos encontrar o conhecido: a mesma deliciosa padaria para se tomar o café da manhã do final de semana, o mesmo tempinho reservado para a internet, os mesmos amigos para trocar confidências... O novo, o antigo, o novo, o antigo...


E formar uma nova rotina, em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas? Pois é isso que meus intercambistas fazem. Intercâmbio é participar do dia-a-dia de um outro povo. Leia-se: atividades rotineiras, mas uma rotina nova, que nunca foi sua!!! E aí, essa rotina pode ser considerada rotina??

Outro dia o Pedro, um de meus intercambistas, mandou o link para seu blog, que vou dividir com vocês. Nele é possível navegar pela rotina de um adolescente no exterior, aquela história de acordar de manhã, ver a neve na calçada e tiritar de frio enquanto espera o escolar (para descobrir que as meninas entram primeiro no ônibus... - que tal adotarmos essa prática de primeiro mundo?).


Apesar de já ter escrito um livro sobre intercâmbio, jamais fui tão fundo em tão genuína descrição. Obrigada, Pedro! Com você pude aprender ainda mais!


E obrigada, Pedro e Bella, por mais duas fotos estonteantes...


PS - O link do blog é:http://hearthehush.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Moving...





Hoje à tarde fiz algo que não faço há muito, muito tempo. Aliás, fiz algo que nunca havia feito na minha vida. Passei parte da tarde navegando na internet - até aí nada muito inédito - passeando pelas páginas de meus intercambistas e me emocionando com suas fotos - também algo presente em meu cotidiano - ouvindo boa música... Mas fiz isso da sala da MINHA CASA. Minha primeira casa, my little lovely cozy home - e estou apaixonada por ela.

Tá, é um apartamento, mas não importa. Dele vejo a lua cheia da janela da varanda e um pedaço de montanha que brinda a manhã no quarto da minha filha. Aqui arranco mato, troco água do bebedouro de beija-flores (ainda não vieram, mas somos pacientes), sinto o vento mais forte e o barulho de chuva vindo da coifa da cozinha. Aqui sou feliz, como já era, só que um pouco mais.

Mudar é uma viagem. Uma viagem pra dentro, enquanto arrumamos as coisas e separamos o que encaixotar. Uma viagem pra fora, enquanto nos aprendemos a nos desprender. Fotos, bilhetes, cartas, cartões, passado... Nenhuma mudança passa ilesa, mudar é revigorante, mas é doído, e uma maravilha, mas estressa, é uma nova etapa, e por isso também é saudade.

A verdade é que a vida da gente é uma coleção de intercâmbios, de novas realidades, de mudanças, de processos de adaptação, de criação de histórias, de contemplação, de meditação e de descobertas (exteriores e interiores).

Ao enxergar a viagem de meus intercambistas através de suas lentes e olhares tão singulares, tive hoje ainda mais certeza de que experiências como essas são para quem gosta de viver intensamente. Enquanto eles descobrem o Canadá, a Nova Zelândia e os Estados Unidos, descubro a sensação de cuidar da minha própria casa. Enquanto eles registram com seu olhar adolescente a enormidade de suas vivências, coloco uma fadinha de brinquedo no meu canteiro. E a terra gira, a vida continua, e estamos todos em nossa constante mudança... desejando... que seja sempre... para melhor.


Crédito das fotos: Bella Corradi (Canada), Pedro Prado (Canada), Thais Fernandez (England)