segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


Slow Travel: é devagar que se chega longe?


Alguma vez você já se sentiu mais cansado ao voltar de uma viagem de férias, ou talvez ainda mais estressado do que estava antes de embarcar? Isso ocorre, muitas vezes, por transferirmos nosso estilo de vida (a famosa corrida contra o tempo) aos passeios que realizamos. Engolimos o café da manhã no caminho para o trabalho, almoçamos sem saborear a comida para poder ir ao banco, comprar aquele presente de aniversário, ou até mesmo freqüentar a academia de ginástica que promete o condicionamento físico 'com aulas de apenas trinta minutos'. Com toda essa correria, não é à toa que muitas pessoas acabam resumindo suas férias a viagens abarrotadas de programações. Espaço para relaxar? Esse fica para depois...

Pois os adeptos do 'slow travel' (algo como 'viagem lenta') buscam o oposto. Esta tendência surgiu como uma consequência do movimento 'slow food' (comida lenta), uma corrente iniciada na Itália dos anos oitenta motivada por um protesto contra a abertura de uma lanchonete Mc Donald's em Roma. O 'slow food' prega a preservação da cozinha regional e dos métodos tradicionais de preparação das refeições, o que acabou influenciando outras esferas de nossa vida e se tornando um movimento bem mais amplo.

Traduzindo para o mundo do turismo, o viajante lento é aquele que opta por se hospedar em uma casa ou apartamento alugado no destino que escolheu. É aquele que troca o café da manhã do hotel por uma caminhada até a padaria ou ao mercado. É o que substitui as frenéticas visitas a todos os cartões postais obrigatórios por uma caminhada pela vizinhança ou uma conversa com os moradores locais. É aquele que, ao invés de passar duas horas na fila para visitar um ponto turístico, opta por fazer um lanche no gramado de um parque urbano e observar o movimento das pessoas. Afinal de contas, um os principais elementos que definem a viagem lenta é a oportunidade se conectar a elas – as pessoas – e suas diferentes formas de enxergar o mundo.

Fazer parte de uma cultura local? Aproximar-se de seus hábitos de vida? Isso soa como um intercâmbio… E é a mais pura verdade. Está certo que não podemos ser radicais a ponto de imaginar que uma pessoa que se matricule em um curso de inglês em Nova Iorque não visitará o Empire State Building ou a Estátua da Liberdade. Mas só o fato de trocar uma viagem turística por uma experiência educacional já fará com que o estudante vivencie de maneira mais próxima a vida daquele lugar. E essa vivência ocorrerá através de pequenas situações, tais como ler o jornal do dia, tomar o transporte público, ajudar nas tarefas domésticas da família hospedeira... São inúmeras as oportunidades de conhecer as mais diferentes facetas da nova cidade ao invés de colecionar as fotos dos pontos visitados – quais eram mesmo seus nomes? – de maneira tão superficial.

Outra proposta cada vez mais comum dos adeptos do 'slow travel' é participar de trabalhos voluntários fora de seu país natal, um processo que possibilita viver de perto não só os aspectos culturais, como também a realidade sócio-econômica do país escolhido. Mas não é preciso renunciar ao transporte de avião ou o transporte individual, utilizar as estradas marginais ao invés das rodovias, ingerir apenas produtos orgânicos ou ser voluntário em outro país para aproveitar os benefícios da filosofia da viagem lenta. Levar na bagagem o respeito ao outro e ao meio ambiente já é um diferencial que por si só traz inúmeros benefícios.

Aí vai a minha proposta: tentemos reservar um tempinho só, um minutinho que seja, para nos desvencilharmos dessa correria desatada e nos perguntarmos: é devagar que se chega mais longe?

Saiba mais: SlowMovement.com

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ponto de partida


Já tem um bom tempo que esse blog tem me pedido pra existir.
Eu só enrolo...
É aquela coisa de lista de prioridades.
Mas final do ano tem dessas coisas, a gente começa a se reorganizar.
Ao menos tenta. Quem sabe dessa vez funciona. É o que espero.

Falar de viagem sempre me dá prazer. Claro que viajar me dá mais prazer ainda, só que hoje o número de despedidas no aeroporto das quais participo suplanta (e MUITO) o número das minhas decolagens.

Mas não faz mal, afinal é parte da profissão que eu escolhi. Se minhas despedidas diminuírem, será um claro sinal de pouco trabalho, e isso não é nada bom. Melhor mudar de assunto que esse é muito cansativo. Cansei da crise, da alta do dólar, euro, libra, etc etc.

Queria compartilhar esse blog com aqueles que sentem que a viagem faz parte deles como escovar os dentes ou... deixa pra lá.

Não importa a frequência, o lugar, já que a gente viaja todo o dia na própria cidade onde vive, não é mesmo? Quem discordar é só reparar no caminho por onde costuma passar olhando pra dentro. (A gente fica tão concentrado na quantidade de caraminholas que passam por nossa cabeça que nos perdemos completamente nos detalhes de nossos percursos diários). Olhando para os lados, o queixo cai com aquela cerca viva da casa da esquina na qual você nunca tinha reparado.

E sendo na nossa cidade, ou no outro lugar do planeta, o que importa é aquela marquinha que a viagem deixa na gente. Pode ser uma pessoa, um cheiro, um vento na hora certa, uma tatuagem, as costas vermelhas do sol.

Viajar pra quê?
Pra descobrir que é bom voltar?
Pra ver o que você achou que não conhecia e que no fundo conhece bem?
Pra se conhecer melhor?
Pra não pensar em nada, que saco esse negócio de ter motivo pra tudo, não é mesmo?
Pra ver que tem tantos lugares melhores para se viver, ou que o seu é o melhor de todos?
Pra conhecer alguém, pra beijar na boca, pra tomar caipirinha ou enfiar o pé na areia? - Achou que era na lama, né? Ou na jaca...
Pra aprender uma língua estrangeira?
Pra viver como um estrangeiro?
Pra experimentar uma nova culinária?

Seja qual for sua resposta, eu quero saber.
Conta pra mim!!!!!!