domingo, 27 de dezembro de 2009

10 coisinhas que deixam a gente feliz nas férias


Ontem passei a manhã arrumando o quarto da Júlia.
Adoro fazer esse tipo de coisa no final do ano, sabe aquela sensação de arrumar os pertences e, de tabela, os pensamentos?
Pois é. Foi numa dessas que encontrei um caderninho que Júlia e sua turminha de colegas produziram no segundo período, e que se chama "23 coisinhas que nos deixam felizes". Nele, lindamente ilustrado pela minha filhota, cada coleguinha elegeu sua "coisinha", aquele momento lindo e mágico (e principalmente, SIMPLES), que é capaz de deixar uma criança feliz.

Então me lembrei que havia prometido contar a vocês se havíamos conseguido ser criativos o suficiente para aproveitar as férias na praia, mesmo sem mergulhos na piscina e no mar por causa do queixinho suturado da Júlia.

Vão aí, então, as "10 coisinhas que deixaram a gente feliz nas férias apesar dos 3 pontinhos...(no queixo)"

1)Ficar de bobeira na parte ultra-rasa da piscina (protegida pela sombra), sentadinho e com água até a cintura.
2)Pedir uma água de côco e tomá-la sem precisar sair da parte ultra-rasa da piscina (protegida pela sombra).
3)Achar uma "panela" no mar (um pedaço mais sem onda e meio piscinão) e ficar brincando por ali, às vezes ousando deixar que a água passe dos joelhos.
4)Brincar de baralho das Princesas da Disney e morrer de rir com o Marcelo que chama a Bela de "Cortinão Amarelo", a Aurora de "Rosilda", a Ariel de "Peixe Frito", a Cinderela de "Azulão" e por aí vai...
5)Desenhar na areia com um "pauzinho próprio para desenhar na areia" que um dia o Marcelo descobriu em uma das praias que fomos e Júlia guarda até hoje.
6)Tirar 1.300 fotos quando o sol está quase no horizonte e o mar fica com aquele tom de rosa com dourado, inexplicável de bonito.
7)Ficarmos acomodados em um quiosque à beira-mar e almoçar ao som das ondas e com o visual daquele oceano sem fim.Pé na areia, peixe no estômago, é ruim de querer voltar pra casa...
8)Ver Seção da Tarde comendo chocolate do Frigobar e curtindo o ar-condicionado do quarto. Não sei dizer quantos ANOS faziam desde a última vez que tive a sensação de ver "Esqueceram de mim 3" Dublado em uma quarta-feira à tarde.
9)Ver Júlia se divertir horrores caçando Vampiros à noite com os monitores do Hotel.
10)Como é interessante vivenciar aquilo que a gente sempre soube, mas quando sente, quanta diferença... A certeza de que o que torna os lugares especiais são realmente as pessoas.
FELIZ 2010!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Uma piscadela de olho para uma São Paulo que pisca

Mal pisquei os olhos e já abri de novo.
3 e meia da manhã. Inacreditável.
Minha cabeça pulsa: dor, dor aguda, dor, dor aguda...
Liguei pro táxi para me deixar no terminal do ônibus que vai para o aeroporto, mas ninguém atendeu. Tentei outro número. Ninguém de novo.
Lá vai Marcelo me levar... Quatro e quinze da manhã, ninguém merece! Acho que dessa vez mereci :)
O embarque saiu no horário, mas o vôo não. Meia hora de atraso, tudo bem. Estava com folga de horário.
Dor, dor aguda, dor, dor aguda, Neosaldina.
Cookie (rio ao lembrar do Marcelo dizendo que aquilo é uma arma para jogar na cabeça da aeromoça), suco de laranja, dor, dor aguda...
Como assim, não tem fila para o táxi, será que desci em Congonhas mesmo?
Ah, tá, é quase Natal. Agora todo mundo sai, ninguém entra - explica o taxista.
Meia hora para a primeira reunião, passeio por vitrines fechadas.
Lindo o dia, sol a pino, compro um Tylenol na Farmácia.
Tenho que esperar 6 horas para tomá-lo, eu sei.
Depois da reunião, vôo para o Starbucks da esquina.
Chai Tai gelado (o paraíso), cookie de aveia, cheiro de Estados Unidos, dor, dor aguda.
Mais reunião, mais um taxista simpático, desses que não tem medo de perguntar para outro taxista onde é a tal rua que ninguém conhece mas que estava tão pertinho.
Perto da padaria Letícia. Perto de alguma farmácia?
Dor, dor aguda, minha cabeça parece estourar.
Outra reunião, de lá parto para o encontro da hora do almoço.
Mais cheiro de Estados Unidos. A lanchonete remete aos anos cinquenta e seus tradicionais e famosos Hamburguers americanos.
Lotado? Sim, fico no balcão, não tem problema.
Começo a tremer. Acho que é fome. Depois do almoço tem Tylenol.
Me dá o hamburguer mais saudável do Cardápio e enche de Onion Rings dentro.
Não, não sou de ferro, não sou nem de longe como os moços insandecidos que preparavam 15 hambúrguers ao mesmo tempo, conferindo comandas, correndo de um lado para o outro, colocando luvas, montando o sanduíche, tirando luvas, cobrando no cartão, está satisfeito, sobremesa, um café, muito obrigado, Feliz Natal.
Sim, é quase Natal.
O trânsito flui.
Não tanto em algumas partes, mas na maioria.
Sinto como se estivesse em um reality show, com X horas para cumprir o roteiro X.
Engraçado, sei que estou dando voltas, sei que havia um roteiro mais inteligente, sei, sei, sei.
Mas não importa, estou no horário, cumpro o conograma com perfeição.
Feliz Natal, despeço-me do motorista e entro novamente no aeroporto de Congonhas com duas horas de antecedência do meu vôo.
Consigo antecipar.
Comemoro.
O avião atrasa.
Choro. Não é de tristeza, é a dor de cabeça. Tô no limite.
Não vou tomar outro remédio, fico com receio. Melhor esperar chegar em casa.
Tensão no vôo, tô doente e carente.
O pouso não é sutil, mas estou em casa.
Ao desembarcar, vejo as luzes que piscam em Confins.
Não me intimido e tiro fotos.
Meu coração se ilumina.
É Natal, tempo de paz, e quem diria, de trabalho em São Paulo.
Engraçado fazer visitas nessa época.
Bom ouvir Feliz Natal de todos que passam.
E melhor ainda é desejá-lo. A todos. A você.
Que continuemos nessa estrada...

Árvore no Parque Ibirapuera. Tirei a foto de dentro do táxi... Queria ver à noite!

Árvore no aeroporto de Confins! Em casa, enfim! Feliz Natal a todos!!!!!!!!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se tudo na vida fosse planejado...


Eu saberia arrumar as malas, só para relembrar meu post anterior.
Poderia pacientemente criar os "looks" de cada dia e, assim, não trazer todo o meu guarda roupa para a praia.
Se tudo fosse planejado, bem pensado, certamente eu aprenderia com os erros anteriores.
Ou com as experiências prévias.
Se tudo fosse planejado, eu me lembraria de que na praia passamos o dia de bíquini e chinelos Havaiana.
E que meu casaco cinza, minha calça jeans, meu All-Star preto, minhas três meias soquete e mais trocentos ítens desnecessários que trouxe só servem para encher as gavetas do quarto do hotel.
Se tudo fosse planejado, minha filhinha não teria cortado o queixo na piscina.
Ai, desespero ao vê-la chorando e eu, na maior tremedeira do mundo, dizendo "calma, fica tranquila, mamãe tá aqui,toma uma Sukita para acalmar" (e o copo só faltou cair da minha mão!).

Um baita susto (em todos, talvez em mim, principalmente), três pontos (no queixo da Juju), um curativo grandão (idem), dias de molho nas férias (de novo para todos)...

O problema é que, nesse caso, molho não quer dizer "molhado", pois a realidade é a mais oposta disso possível - e a mais seca também...

O mar e a piscina vão ficar só para os pezinhos... (ao menos o corte não foi no pé, certamente daria muito mais trabalho!).

Se tudo fosse planejado, não teríamos imprevistos.
Se não fôssemos criativos, não saberíamos lidar com eles.
Ainda bem que temos criatividade de sobra para testá-la nessa semana na praia sem praia.
Depois conto como foi.
Beijos, já um pouco menos nervosos, de uma mãe aflita em Ilhéus.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Arrumando malas e mentes


Adoro esse título.
Não é meu, infelizmente...
Um dia o li em um artigo que lidava sobre preparação para intercambistas e me apropriei dele, assim, sem pedir licença.
O texto dizia que a arrumação da bagagem conta muito sobre a personalidade do viajante.
Há aquele enraizado, que tem dificuldades de se libertar, e com isso carrega o mundo a tiracolo.
Em compensação, há o aberto para o mundo, o literalmente "sem lenço e sem documento", que viaja com uma mochila praticamente lotada de espaço para o novo...

Se eu seguir esse raciocínio e procurar me analisar a partir da arrumação da minha mala, vou pirar.
Acho que na categoria "preparação de bagagem" minha nota é abaixo da crítica.
Primeiro é que me estresso. Levo um dia organizando a bendita, independente de ser uma viagem de 3 ou de 15 dias.
Praticamente despenduro tudo o que está no armário. Pego, olho, dobro, ponho em cima da cama. Quando percebo, lá está uma pilha de dar medo. Impossível usar tanta roupa. Tiro metade. Mas e aquela blusa preta, ela é bem coringa... Ponho de novo. Mas vai estar calor... Tiro. E aí tem início a via-sacra!

Quando chego ao destino, cadê a escova de dentes? Esqueço 4 vezes a cada 5. Lá vou eu na farmácia comprar. Na última viagem a Curitiba, foi ela e o desodorante. Acabei comprando um em forma de pomada, achei o máximo, o duro foi quase confundí-lo com a pasta de dente...

Há alguns anos (uns BONS anos, diga-se de passagem) realizei um sonho de consumo e comprei uma valise dura, daquelas CHIQUÉEEERIMAS, tipo container, preta e sem jeito de puxar (ela até tinha rodinha, mas se puxava com uma fita que no fundo não prestava pra nada e só fazia a danada da bagagem tombar para os lados). Meu Deus, que viagem comprar aquela coisa! Não existia mala mais sem alça no mundo do que aquela trambolha preta pesadésima, que mesmo vazia já quase estrapolava a franquia de peso. E eu lá, carregando o treco. E me achando o máximo.

O pior foi quando pedi emprestado um exemplar daquelas mochilas enormes de colocar nas costas, tipo bagagem de quem vai pra Machu Pichu, e que eu, inocentemente, achei que teria condições físicas de portar. Que INFERNO de peso era aquele que causava uma dor INSANA nas costas! Tive que sair por Nova Iorque procurando um carrinho de rodinhas para encaixar aquela porcaria e sair empurrando!!!!!!!!

Quantos hematomas já ganhei carregando malas com meu desajeito... Sobe carregando peso por escadas, desce para pegar o metrô, bate com a mala na canela (enquanto é a sua, ainda vai...)

Isso me fez lembrar de uma vez em Paris, quando levei um grupo de adolescentes. O ônibus que foi nos buscar no aeroporto não comportou nem metade das malas do povo(como nós, brasileiros, carregamos bagagem, meu DEUS!). Resultado: fiquei no aeroporto com o resto das valises, claro. Eu, as malas e Deus, lá no Charles de Gaulle. Quando chega o outro ônibus, lá vou eu procurando quem é que vai carregar aquela quantidade de bagagem para dentro do veículo. Demorou uns cinco minutos para eu perceber que era eu, euzinha, que ia ter de fazer todo o serviço. E depois ainda me perguntavam porque eu chegava no Brasil doente, magrinha, abatida rs rs rs

Minha cunhada quer perder uma festa de confraternização para arrumar as malas de sua viagem a Nova Iorque. "Vai velejar por dois anos?"- pergunta um primo. Mal sabe esse meu primo que certo dia, lá na Disney, sua amada mãe, que viajava comigo, perdeu um dia de passeio para ficar no quarto do hotel justamente arrumando a sua bagagem!

E a amiga que fiz na minha primeira viagem à Disney que simplesmente ADORAVA organizar minunciosamente todas as malas das companheiras de quarto?

É, tem doido pra tudo. E mala para todos os tipos de doido.

Só sei que devo ter evoluído, pois há meses não despacho minha bagagem nas viagens que faço a trabalho. Vou com a mochila do computador nas costas e uma maxi-bolsa que comporta os ítens necessários e a muda de roupa do dia seguinte.

Um espírito evoluído, acho que é isso que estou me tornando.

E daí se esqueço a escova de dentes de vez em quando? Pô, deixa de ser mala!!!!!!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sob o sol de Curitiba


A revista de bordo da Gol traz a matéria sobre viajar sozinho.
Entre os pontos positivos, a vantagem de estar aberto a novos e inesperados roteiros.
Nada de limites definidos.
Fazer o que der na telha, mesmo que seja passar um dia de bobeira, tomando café e olhando o movimento na esquina, sem dever nada a ninguém.
Um tempo só seu.
Liberdade.

Embarco para Curitiba com horários apertados, reunião após reunião.
Não tenho tempo de passar um dia de bobeira, tomando café e vendo o movimento da esquina.
Não tenho condições de mudar o roteiro... O meu já está todo estabelecido por horários e mapas.
Também é impossível não dever nada a ninguém!
Mesmo assim, arranjo um minutinho e tomo um mate batido bem gelado.
Delícia.

Tem tanta coisa simples que enfeita o dia da gente.
Pegar o Mate Leão do copinho e bater no liquidificador com gelo, até formar uma espumona. (Por que não pensei nisso antes?)
Parceiros profissionais simpáticos.
Um taxista conversado, que sai da timidez e me pede para explicar porque diabos as pessoas precisam chegar no aeroporto uma hora antes do vôo.
Um quarto de hotel minúsculo, mas novinho, limpíssimo e com internet gratuita.
Um jantar sozinha em um restaurante bucólico de massas, com um garçom tão atencioso e bonzinho que chegou a me deixar sem-graça (olha esse prato de 24 reais, a sopa de 9... Servem bem e são uma delícia!).
Andar na rua sob um sol escaldante de 37 graus e mesmo assim apreciar a paisagem.
Uma praça com fonte.
Uma loja de design.
Uma confeitaria e delicatessen.
Um armazém charmoso com sorvetes importados.
Uma casa com um jardim na frente que dá vontade de morar.
Um castelo que hoje recepciona eventos.
Um novo shopping moderno.
Um velho shopping com decoração natalina.

O Brasil é muito, muito grande.
Tantas coisas estão aí para serem exploradas, descobertas, amadas.
Dessa vez fui correndo, atarefada, sob o sol de Curitiba.

Mas fui feliz.
E a cada mês sou um pouco mais.
E agrego em mim mais um novo pedaço desse país continental.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre as nuvens de Floripa






Viajar sozinha é um barato em alguns aspectos. Exemplos?

-É uma chance de finalmente ler as revistas que seguem empilhadas e abandonadas no meu porta-revistas sem que eu tenha a chance de olhar para as pobres coitadas.

-É a oportunidade de fazer coisas meio "queima filme", tipo ficar tirando foto da janela do avião estilo turista deslumbrada, que afinal de contas eu sou mesmo e quer saber?... Não tô nem aí, quem achar estranho que ache! :) Falando nisso, confiram as fotos deste "post" que retratam minha chegada a Floripa.

-É a hora de tirar fotos de si própria e ver como elas saem (sim, isso é esquisito, mas não deixa de ser um passatempo divertido!).

-É o tempo que a gente tem para fazer as listas de coisas pendentes que lotam as nossas agendas, tais como "quem vou presentear no Natal" ou "consultas médicas que tenho de marcar até o final do ano" ou "providências que tenho que fazer para a casa nova" (essa tá grande) ou "próximos lugares para os quais viajarei".

-É o momento de dormir com a boca aberta no assento do avião (tenho a ligeira impressão de que fiz isso na minha volta de Florianópolis para BH). Isso é raro, para mim raríssimo, mas tenho me sentido tão cansada com essa correria de ultimamente que estou achando o máximo tirar uma soneca inesperada!

-É a chance de prestar atenção na conversa dos outros e rir sozinha. Às vezes me impressiona como temos a capacidade de travar conversas de horas a fio com pessoas totalmente desconhecidas, e o pior, tornar a conversa de tal maneira empolgada que parece fazer parte de um repertório de dois amigos de infância! Acho que isso é algo da nossa cultura mesmo, é único e muito, muito divertido!

-É a hora de conferir quem anda embarcando pelos aeroportos do Brasil na revista de bordo (Sim, eu gosto dessa parte e não, não sei explicar o motivo!!!).

Bom, mas o post é sobre Floripa!
E a primeira coisa que me veio à cabeça quando a conheci há alguns anos foi a vontade de morar ali.
Fui a Floripa em algumas ocasiões, e sempre a trabalho.
Não sei como é o dia-a-dia da cidade, não sei como é a dinâmica do trânsito, não sei como é nada, no fundo, e mesmo assim, tudo que senti foi "nossa, que vontade de morar aqui".
Isso se passou também em Londrina.
E em Sydney, na Australia.
Que engraçado isso, mas até hoje realmente foram as três cidades onde tive essa sensação.
Tenho que descobrir o que há de comum entre as três.
Às vezes foi o meu estado de espírito enquanto passeava por elas.
Quem sabe.
Acho que preciso ir de novo a Londrina.
E a Sydney,claro.
Quem sabe assim...

domingo, 18 de outubro de 2009

Olhar Estrangeiro

Em homenagem aos meus intercambistas e ex-intercambistas...

domingo, 11 de outubro de 2009

Lembranças doces de um mar salgado




Houve um tempo em que as nossas férias na praia duravam de 15 dias a um mês.

Houve uma época em que, ao invés de procurar uma agência de viagens, bastava combinar com a família e partir para a casa da avó. Família, leia-se: avó, pai, mãe, irmãos, tios, tias, primos, amigos, cachorro...

Um rancho, que delícia de palavra. Um rancho na praia, uma combinação ainda mais deliciosa.

Acredito que as pobres das mães daquela época, caso questionadas, prefiram de longe as férias de hoje àquela visão interminável de louças para lavar!

Ah, aquela época onde não havia restaurantes self-service...

Ah, aquele tempo em que meu pai trazia peixes recém-pescados e mais um tanto de mentiras cabeludas na geladeira de isopor...

Um tempo de farofeiros na praia (e nós éramos uns deles, e com orgulho!). Imagens nítidas me vêm à cabeça da intrincada operação para se colocar o guarda-sol bem enterradinho na areia. Não, eles não nos esperavam já prontinhos, como as praias particulares de nossos bem conhecidos resorts. Eram colocados ali, com suor e esforço. E ainda tínhamos que carregar as cadeiras de praia naquela grande trilha de terra batida e mais um tanto de metros de areia quente.

Houve uma época em que conferíamos as ofertas de cadeira de praia na loja Mesbla! (Que me perdoem os mais novinhos que não têm essa referência...)

Houve um tempo em que eu lambia o picolé de creme holandês e ele ficava transparente, pois era puro gelo. Ou comia abacaxi cortadinho em rodelas e chupava cana até a barriga doer.

Nas minhas férias de infância, o cheiro de terra molhada, maresia, fumaça para espantar pernilongo, peixe frito e pitanga se confundiam ao longo dos dias que pareciam intermináveis, tanto era o tempo disponível para brincar, comer, nadar, brincar, dormir ou não fazer nada (sim, isso existe!)

Meu Deus, eu assisti ao casamento da Ladi Di com o Príncipe Charles em uma casa de praia. Ou tentei assistir, para ser mais clara. A televisão raramente pegava, e a imagem era tão cheia de fantasmas e chuviscos que freqüentemente perdíamos a paciência, isso quando o controle do vertical (lembram-se?) tinha que ser acionado para conseguirmos enxergar alguma coisa.

Houve um tempo em que eu gritava porque tinha sapo no box do banheiro, porque tinha minhoca no anzol, porque tinha besouro na mesa, porque minhas costas e meu corpo inteiro doíam e eu parecia um pimentão vermelho e porque minha barriga estava ralada de tanto pegar jacaré na prancha de isopor.

Eu já peguei bicho de pé na praia.

Já chorei de medo de histórias de terror contadas na praia.

Já tive paixonites de infância na praia, alimentadas pelo som de “Como uma Onda” do Lulu Santos no meu walk-man.

Já brinquei de jogo da memória na praia, de mímica de filmes, de fogãozinho de lenha para fazer arroz doce de verdade, de cavaleiro, de princesa, de sereia, de bola, de castelo, de gravar imitações de novelas de rádio em um gravador de fita-cassete.

Já guardei água salgada na garrafa de água mineral para levar para casa.

Já peguei um siri e coloquei em um balde para virar bicho de estimação (ele fugiu, lógico).

Já fiz coleção de conchinhas.

Já cresci. Mas essas lembranças não saem nunca de dentro de mim.

Elas vêm e voltam.

Como uma onda no mar.

sábado, 3 de outubro de 2009

E a gente ACHA que viaja...






Bom, a gente, leia-se: eu.

O que é que eu estou achando, pobre coitada de mim, que um dia me julguei capaz de criar um blog sobre viagem? Está certo que já passeei um bocado, é verdade. Mas um bocado comparado a quê?

A minha professora de Francês acha que esse negócio de comparar é uma bela de uma roubada.

Até o cara conhecer a classe executiva, acha que viajar de econômica é a oitava maravilha do mundo. Depois que a sorte o contempla, certo dia, com um tal de "upgrade"... Acabou-se a fantasia. Bom mesmo é a business class, o resto é, vamos dizer, resto...

Quando comecei a escrever aqui no Viajar Vicia, falei de uma conhecida minha, que mora em Londres, e que um dia acordou e decidiu passar um ano viajando pelo mundo. Claro que não deve ter sido bem assim, acredito, mas peço permissão para a intervenção da minha visão romântica. E não tenho dúvida que se tratou de uma decisão cercada de romantismo, até porque ela viajou com o namorado para conhecer nada mais nada menos do que... o mundo.

Uma volta ao mundo, com o namorado, por um ano. Ouvir novos idiomas a cada ponto da jornada, respirar diferentes odores, sentir temperaturas desconhecidas, brigar e fazer as pazes enquanto paisagens como essas que coloquei nesse post (SIM, foram eles que registraram esses cenários sem qualquer auxílio de photoshop, JURO!) ajudam a tornar o dia-a-dia desses dois um pouquinho diferente da rotina da grande maioria dos mortais...

Tinha um bocado de tempo que eu não dava uma lidinha na aventura dos dois, confesso. Só hoje, ao dar uma passadinha por lá, dei-me conta que eles partiram da Inglaterra em Outubro de 2008! E estão viajando até hoje! Minha professora que me desculpe, mas COMO não comparar? Coitados dos meus pacotes de uma semana na praia! Se eu juntar todas as viagens da minha vida não devem chegar nem perto do tempo de férias desses dois, que percorreram até agora um roteiro que contemplou o Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Fiji, Austrália, Bali, Java, Singapura, Malásia, Tailândia...

Não tô com inveja, gente... Tá, tô um pouco. E feliz por conhecer alguém assim, capaz de chutar o balde e meter o pé na estrada, brigar com escorpiões no chuveiro, nadar com tubarões, escalar montanhas... Um brinde ao ano sabático! Quem sabe um dia chego lá? (Em versão, digamos, um pouco menos radical...)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

SP em P&B


4 e meia da manhã, dilúvio em BH.

Ai, dureza, acordar cedo (madrugada) para viajar a trabalho, e ainda debaixo de um temporal?

Droga de aeroporto longe!!!!!!!!!!

Troquei o sapato. O que eu tinha escolhido tinha a meia aparente, ia ensopar tudo.

Chamei o taxi, que chegou super rápido.

Marcelo foi me levar lá na portaria, que delícia de marido.

Ia aterrisar praticamente na hora, não fosse o fato de que o avião teve de subir de novo quando já avistávamos a pista de Congonhas.

"Xi, fechou"- comenta o moço do meu lado, fato que até me assustou, para falar a verdade, pois normalmente quase não troco palavras com ninguém no avião. O oposto de uma conhecida, que simplesmente beijou seu vizinho de poltrona (que até então nunca tinha visto na vida) durante praticamente todo seu vôo internacional. Mas isso é um caso em um milhão, que deveria ir para o Guinness!

Liguei para avisar que me atrasaria para a primeira reunião.

Ainda bem que os paulistas entendem tudo o que se refere a trânsito caótico e atraso de vôo. Choveu? Melhor ainda. Pode processar se alguém brigar com você!

Enquanto a garoa molhava São Paulo, uma espessa camada de nuvens cobria a cidade deixando o céu todo branco, que nem cobertura de chantily.

Ao final do dia, entro na casa de minha amiga Miriam e me deparo com um lindo quadro de um beijo em Paris.

Vontade de estar em Paris.

Vontade de beijar em Paris.

Não era como o quadro que ilustra esse post, mas tão lindo quanto, talvez ainda mais!

E mais garoa.

E mais conversa, como é bom colocar o papo em dia!

E dá-lhe comida boa, boas risadas, e boas checadas de e-mail porque afinal de contas estava ali pra trabalhar!

No outro dia, café da manhã saudável e pé na estrada, ou melhor, na Avenida.

Depois do treinamento, sigo para o Consulado Americano.

Tremo, mas não é de nervoso, é de frio. 12 graus centígrados!!!!!! Tá nevando!

Fila, deixo o celular guardado, passo por uma revista, faço amizade com algumas companheiras de espera, mais precisamente com duas, muito simpáticas e de São Paulo. Mais fila, pré-entrevista, espero de novo (e muito), dou uma corridinha no banheiro enquanto minhas novas amigas seguram minha bolsa, volto pra fila, tiro impressão digital, mais espera para a entrevista final, fome, barriga roncando (por que eu não almocei antes ?), mais fila para pagar a taxa do visto de negócios, e ainda outra para pagar a taxa do sedex, onde estão minhas amigas, será que algum dia as verei de novo?

Ah, Starbucks! Agora minha viagem a São Paulo tem a cara da minha ida a Boston.
Como não tem chá? Tudo bem, vou de mocha latte mesmo...

Consigo antecipar o vôo pela primeira vez, ôba!

Descubro que a aeronave tá atrasada, mas tudo bem, ainda assim chego em Confins uma hora antes do que chegaria com a minha passagem antiga.

Meia hora para o próximo ônibus até BH?????? De que adianta antecipar o vôo nessa terra?

Fecho os olhos e tento dormir.

Estou nos braços de Marcelo, dou um beijo estalado na Júlia.

Sonho?

Não, voltei pra casa.

E mês que vem tem mais...


domingo, 13 de setembro de 2009

Viagem de Domingo




Domingo tem sido meu dia eleito para viajar pela internet.


Normalmente, para não dizer em quase 100% das vezes, uso a danada para o trabalho, mais precisamente para e-mails, centenas, milhares, zilhares deles.


Mas no domingo tenho procurado aproveitar um tempinho para checar as novidades: ver as recentes fotos de minha grande amiga que está morando na Austrália e que é simplesmente a mais nova vizinha do guitarrista do ACDC; dar uma visitadinha no recente blog que descobri, o garotinharuiva.blogger.com, onde aproveito para me enriquecer culturalmente e aprender que, na Rússia, o domingo é o dia mais movimentado da semana.

Sim, é isso mesmo! Enquanto nós, brasileiros, conhecemos beeeem aquela rotina de almoço em família e uma cochilada básica depois (não que eu faça isso - eu almoço, mas não cochilo rs rs), os russos movimentam as cidades fazendo compras em meio a um trânsito de pessoas fervilhante. De acordo com a autora do blog, somente os bancos e as escolas fecham!


É, sem dúvida essa é uma visão diferente do domingo. Tudo bem que nossos shoppings tem funcionado, e muitas outras casas comerciais também, mas estamos longe desse auê, que aliás deve ser bem interessante!


Essa história de rotina é uma coisa meio maluca, pois ao mesmo tempo que queremos fugir dela, às vezes amamos encontrar o conhecido: a mesma deliciosa padaria para se tomar o café da manhã do final de semana, o mesmo tempinho reservado para a internet, os mesmos amigos para trocar confidências... O novo, o antigo, o novo, o antigo...


E formar uma nova rotina, em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas? Pois é isso que meus intercambistas fazem. Intercâmbio é participar do dia-a-dia de um outro povo. Leia-se: atividades rotineiras, mas uma rotina nova, que nunca foi sua!!! E aí, essa rotina pode ser considerada rotina??

Outro dia o Pedro, um de meus intercambistas, mandou o link para seu blog, que vou dividir com vocês. Nele é possível navegar pela rotina de um adolescente no exterior, aquela história de acordar de manhã, ver a neve na calçada e tiritar de frio enquanto espera o escolar (para descobrir que as meninas entram primeiro no ônibus... - que tal adotarmos essa prática de primeiro mundo?).


Apesar de já ter escrito um livro sobre intercâmbio, jamais fui tão fundo em tão genuína descrição. Obrigada, Pedro! Com você pude aprender ainda mais!


E obrigada, Pedro e Bella, por mais duas fotos estonteantes...


PS - O link do blog é:http://hearthehush.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Moving...





Hoje à tarde fiz algo que não faço há muito, muito tempo. Aliás, fiz algo que nunca havia feito na minha vida. Passei parte da tarde navegando na internet - até aí nada muito inédito - passeando pelas páginas de meus intercambistas e me emocionando com suas fotos - também algo presente em meu cotidiano - ouvindo boa música... Mas fiz isso da sala da MINHA CASA. Minha primeira casa, my little lovely cozy home - e estou apaixonada por ela.

Tá, é um apartamento, mas não importa. Dele vejo a lua cheia da janela da varanda e um pedaço de montanha que brinda a manhã no quarto da minha filha. Aqui arranco mato, troco água do bebedouro de beija-flores (ainda não vieram, mas somos pacientes), sinto o vento mais forte e o barulho de chuva vindo da coifa da cozinha. Aqui sou feliz, como já era, só que um pouco mais.

Mudar é uma viagem. Uma viagem pra dentro, enquanto arrumamos as coisas e separamos o que encaixotar. Uma viagem pra fora, enquanto nos aprendemos a nos desprender. Fotos, bilhetes, cartas, cartões, passado... Nenhuma mudança passa ilesa, mudar é revigorante, mas é doído, e uma maravilha, mas estressa, é uma nova etapa, e por isso também é saudade.

A verdade é que a vida da gente é uma coleção de intercâmbios, de novas realidades, de mudanças, de processos de adaptação, de criação de histórias, de contemplação, de meditação e de descobertas (exteriores e interiores).

Ao enxergar a viagem de meus intercambistas através de suas lentes e olhares tão singulares, tive hoje ainda mais certeza de que experiências como essas são para quem gosta de viver intensamente. Enquanto eles descobrem o Canadá, a Nova Zelândia e os Estados Unidos, descubro a sensação de cuidar da minha própria casa. Enquanto eles registram com seu olhar adolescente a enormidade de suas vivências, coloco uma fadinha de brinquedo no meu canteiro. E a terra gira, a vida continua, e estamos todos em nossa constante mudança... desejando... que seja sempre... para melhor.


Crédito das fotos: Bella Corradi (Canada), Pedro Prado (Canada), Thais Fernandez (England)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quem disse que a Nova Zelândia é longe?


Certa vez, há quase quinze anos, recebi uma carta (lá vamos nós de novo com essa história de cartas) de uma tal de Alyson, diretora de marketing da escola Dominion, em Auckland, NZ.

Na época, estava sendo contratada por uma nova empresa e decidi, sabe-se lá por quê, juntar a tal da cartinha aos outros "pertences pessoais" que carreguei comigo.

Não foi então que eu e a tal da Alyson nos tornamos parceiras profissionais? E o mais incrível: montamos grupos especiais e produtos que ainda não existiam no mercado. Ralamos, levamos cabeçadas da vida e até chegamos a brigar. Essa parte eu já tinha até esquecido, juro.

Na primeira vez que tive um grupinho de alunos para a Nova Zelândia (estudantes de High School) lá fui eu acompanhá-los rumo a Auckland! Detalhe: eles foram e eu fiquei em Buenos Aires. Overbooking... Queria voltar para o Brasil, mas a empresa não deixou. "Vá, Luiza, nem que seja um dia depois. É seu compromisso com os pais". Eu fui. E fiquei na casa da Alyson. Foi lá que a amizade começou.

Quando você chega ao aeroporto de Auckland (ao menos quando eu fui, pois tem séculos que não visito a cidade), você é recebido com um lindo "Bem Vindo"na lingua Maori. E é engraçado como me senti em casa na Nova Zelândia. Em casa, e na casa de uma nova amiga.

Fui duas vezes ao seu país. Alyson, claro, ganha de mim de "lavada". Desde que a Júlia nasceu, já nos visitou três vezes. A trabalho, mas a passeio. Sempre tem um tempinho pra nós. É incrível como essa minha amiga viaja!!!! Seu Skype é assim: Alyson in Hong Kong, Alyson in Venice, Alyson in Berlin, Alyson in Belo Horizonte, Alyson in Auckland (Ah, é, ela mora lá!).

Hoje meu carro tem um adesivo do seu país, a "silver fern", símbolo de lá. Hoje Júlia arrisca palavras em inglês e gosta de chocolate recheado de Kiwi. Hoje Alyson leva na bagagem um litro de cachaça Germana e imagens (lindas imagens...) de Inhotim.

Dear Friend, it was lovely to have you here again! Miss you already! When will we meet next time?

Kisses from the other side of the world (pensando bem, acho que não é tão longe assim...)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Viajar é... Redescobrir amizades




Houve um tempo em que o carteiro era um dos meus melhores amigos.
Sim, houve um tempo em que eu recebia cartas (e não cobranças, muito menos mala-direta)!
Esse tempo é, vamos dizer, um tempão atrás. Eu tinha 10 anos quando fui ao acampamento Paiol Grande, em São Paulo, pela primeira vez. Naquele tempo, as "temporadas" duravam 1 mês e eram destinadas somente às meninas ou aos meninos, tudo à moda do clube da Luluzinha ou do Bolinha (houve um tempo em que eu era apaixonada pelas aventuras da Luluzinha - para falar a verdade, ainda sou!).
Mas qual a relação do Paiol com as cartas? Todas as possíveis. Lá, para matar as saudades, eu escrevia quase que diariamente para a família. Sim, porque houve um tempo em que as crianças não tinham celular e lambiam selos!
E naquela época onde as crianças carregavam blocos de cartas pautados para o acampamento e registravam por escrito os momentos inéditos que viviam, a esperteza era tão grande que elas, mesmo pequenas, já sabiam como conservar uma grande amizade embalada em papéis de carta cheirosos e recheada de adesivos e segredos da pré-adolescência.
Certo dia, já adulta, durante uma aula de Pós Graduação da FGV, alguém me ligou e deixou um recado na secretária do meu celular. Era a Denise, e meus pensamentos se voltaram para aquele tempo, há mais de 20 anos, quando nos conhecemos no Chalé Primavera do acampamento Paiol Grande (Eu sou feliz, também pudera... O meu chalé é o Primavera!).
Naqueles anos deliciosos trocamos muitas cartas e confidências. Denise, que era de SP, me visitou em BH (e na mesma época minha casa foi assaltada enquanto estávamos passeando, e ainda roubaram várias coisas dela!!!). Que vergonha... Nunca visitei a Denise em Sampa, mas acompanhava (pelas cartas) suas aventuras por aí, fosse para a Nova Zelândia em um dos acampamentos do SISV, fosse em um cruzeiro marítimo com seus pais.
Denise se mudou, casou e não me convidou (literalmente). Mas voltou e deixou um recado em minha secretária eletrônica.
Hoje ela tem doutorado, vivenciou o 11 de setembro de perto, é mãe de dois filhos lindos e mora em Salvador.
Hoje tenho que viajar uma vez por mês para promover as escolas que represento, e coincidentemente fui à capital baiana. Além do trabalho, pude dormir na casa de minha amiga Denise.
Sentada na cama e lendo meu livro "Bagunçado ou Bem Guardado?"para seus filhos Nuno e Antônio, senti-me em minha própria casa. E isso não se deu pelo fato de que os dois são a CARA de meus sobrinhos Yuri e Luca, mas talvez porque relacionamento não se mede somente pelo sangue, mas pelo coração.

Denise, meu desejo de hoje é que nossos filhos saibam o valor de se cultivar as grandes amizades.

sábado, 1 de agosto de 2009

3 dias que valem um mês






Jaguara é, no dizer sertanejo, a onça.
Achei essa definição na internet, mais precisamente no Dicionário inFormal.
O Planalto da Jaguara é, no dizer urbano, um hotel fazenda.
Ou talvez o melhor significado seria "um lugar que vai salvar a pátria de quem só tem alguns dias de férias, uma criança sozinha em casa, e ainda não quer pegar a estrada porque odeia dirigir nessa época do ano".

Houve um tempo em que a menção "hotel/fazenda" me causava arrepios. Não na infância, claro, afinal de contas quase toda criança gosta de bichos e de comer aquelas coisas gostosas preparadas no fogão de lenha. Quando eu era criança fui a várias fazendas de verdade. Fiz um bezerro dormir fazendo carinho no bichinho. Tomei leite tirado na hora, daqueles que fazem espuma. Vi filhotinhos de gatinho, minúsculos. Acho que essas são as lembranças mais vívidas que tenho da época em que eu curtia uma vida no campo, nem que fosse de vez em quando.

Mas quando eu cresci passei a não gostar do ócio. Aliás, passei a não saber o que fazer com o ócio. Sei que essa não é uma característica só minha, mas de grande parte das pessoas que eu conheço. Quem é que não se identifica com a imagem de alguém atendendo ao telefone, fazendo unha e vendo TV ao mesmo tempo? E hotel fazenda significa ócio. Dormir cedo, acordar cedo, comer guloseimas, sentar à sombra e ler um livro, curtir o canto dos passarinhos... Deus me livre! O que me vinha à cabeça era um jeito de fugir disso.

Graças a Deus eu cresci mais. Digo isso porque alguma parte da minha infância foi recuperada nesse meu pequenino passeio ao Planalto da Jaguara. Eu sei que o fato de ter a minha filha Júlia como companheira de jornada foi determinante para que me sentisse assim, ou talvez pelo fato de me sentir filha de novo, já que fui com minha mãe...

Ali descobri que pavão mia que nem gato (algum leitor aí já ouviu o barulho de um pavão?), que o tamanho da paixão de minha filha por filhotinhos de cachorro não se mede, que é uma delícia escorregar na lona ensaboada (que nem tobogã), que existem cachaças e CACHAÇAS, e uma caipirinha feita de CACHAÇA não tem preço, que andar a cavalo dói mesmo a bunda (ao menos a minha) mas que a dor fica pequena perto do orgulho de ter cavalgado, que é uma delícia dormir às nove e acordar às seis (se bem que isso eu já sabia), que eu engordei uns 3 quilos e tô precisando fazer regime (mas deixa pra depois), que o pavê que experimentei foi um dos melhores que já comi na vida, que a rapadura é dura mesmo mas é muito doce, e que três dias (sim, apenas três dias) podem valer, quem diria, UM MÊS DE FÉRIAS...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

"Internet-Novela"


Ontem estava lendo um blog da sobrinha de uma grande amiga minha. Trata-se de um blog sobre sua estadia em Londres, já que a menina partiu de BH com o intuito de estudar por 6 meses na capital inglesa.



Minha amiga me mandou um e-mail para que eu desse uma passadinha pelo blog e me divertisse com as situações tragicômicas vividas até então. Lógico que corri para conferir essa “internet-novela”, como minha própria amiga resolveu classificar o blog.



Não posso negar que me diverti muito ao ler as descobertas cotidianas dessa corajosa garota que se desvencilhou de tantos laços para passar um tempo fora. Ri por saber que ela comprou um protetor labial em uma ultra-mega-liquidação (e ainda com sabor morango!) para descobrir logo depois que o danado deixava um gosto tão, mas tãaaao amargo na boca que ela teve de escovar os lábios (isso mesmo, os lábios!) para ver se conseguia se livrar daquele troço.



Ri também da forma como ela descreveu certas coisas, como a rede de farmácias “Boots”, que está em todo canto da Inglaterra. É a nossa “Araújo”, ela disse. Quem é de Belo Horizonte sabe bem o que isso significa, não é?




Quando viajamos, levamos em nossa bagagem não só roupas e ítens de higiene, mas também (e principalmente, pois malas extraviam!) nossas referências, nossa história, nossa cultura. Isso está nas mínimas coisas, é realmente impressionante. E me impressiona também essa história de entrar aos poucos na cultura do outro, que nem massinha colorida que se mistura e, bem aos poucos, vai virando uma cor mais homogênea e...tão nova e brilhante! Sei que daqui a pouco ela vai achar que a Araújo e a nossa "Boots"!



Conheço cada vez mais intercambistas que se aventuram pela escrita quando estão fora do Brasil. Acho que todos deveriam fazê-lo! Nada como registrar momentos tão incríveis para que não se percam na memória, e depois de anos fazer uma visita a esse tempo tão precioso...
Sempre fui adepta a diários de viagens e tenho pilhas de cadernos aqui em casa (desde quando passava as férias em Santos – SP – com menos de 10 anos de idade). Coleciono anotações desde “hoje o sol tá quente”ou “hoje tomei picolé de uva” até “sentei-me às margens do Rio Sena com uma torta de morango em mãos...” - ÔBA!!!!!!!!!!! QUE EVOLUÇÃO!



O importante é tomar cuidado para que a internet não tome uma proporção maior do que a viagem. Mais válido do que registrar é viver intensamente o momento: respirar, sentir, sorver, enfim...



Mas se der para colocar em palavras (e de preferência bem escritas, não é?) a platéia agradece!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




P.S - A foto não é da autora do blog sobre Londres não... Mas achei a foto na internet e achei muito linda. Tem total cara do "encontro com a gente mesmo". É impossível mensurar o quanto aprendemos quando viajamos sozinhos...

sábado, 27 de junho de 2009

Não dá pra falar em viagem sem falar da alegria do retorno


Tão bom quanto viajar é o sentimento de voltar.

Tão bom quando ver o desconhecido é redescobrir o conhecido.

Abrir a porta de casa, largar as malas no chão e correr para o abraço...


Neste dia 25 de junho, meu amigo Elimar lançou um livro de poesias chamado "Vitral". Emocionei-me particularmente com um poema que registro aqui. Porque viajar vicia, mas voltar também. E como...


VOLTEI


Senti falta de sua sombra de concreto,

Da sua turba diária e

Da paisagem mutante.


Sobrevivi à ausência do seu monóxido

À falta de sobrenomes meus

Ao vai-e-vem desesperado das ladeiras.


Respiro seu cheiro cinza repleto de lembranças

Busco sua claridade laranja em toda curva da estrada

O poente não é o mesmo fora de ti.


Não estou preso a você por grilhões nem amarras

Estou liberto para o universo que parte de ti.

E só estou assim porque me fizeste capaz.


Quero seu barulho noturno

Busco suas luzes da montanha

Carrego sua pressa no meu andar.


És feia na paisagem que conflita com tempo

És bela por nome e origem

És triste por destino e progresso.


Suas veias repletas ao sol,

Suas artérias dilatadas sob a lua e

Seu horizonte de um vermelho longínquo

reacendem meu pulso.


Em ti estão minhas raízes.

De ti sai a minha seiva

Para que eu alcance o que me é de direito.


Saio como quem vai à feira comprar e vender,

Retorno como quem busca o colo morno

da segurança.

Vivo sem ti, mas não sem lembrar de ti.


Meus pés já alcançam seus limites,

Minhas mãos já recebem seus abraços e

Meus olhos já descansam no seu belo horizonte.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Every little thing she does is magic





Though Ive tried before to tell her /Of the feelings I have for her in my heart / Every time that I come near her / I just lose my nerve / As I`ve done from the start



Com Dublin foi assim. Há muitos anos eu a conheci, mas a sensação que tive foi de que já a conhecia de alguma maneira, sabe-se lá como. Tem coisa que a gente não explica. A sensação deve ter sido forte mesmo, pois me fez voltar 12 anos depois. E ela ainda mexe comigo.



Muita coisa mudou. Na minha vida, MUITA coisa mesmo! Quando visitei a cidade pela primeira vez, era solteira e começava um novo trabalho. Hoje sou casada, tenho uma filha de 7 anos e... estou começando um novo trabalho. Nem tudo é tão diferente assim. E a sensação de déjà vu continua.



A cidade tem um novo aspecto. Dublin é hoje mais internacional do que da primeira vez que a conheci. Mais elegante, mais cosmopolita, mais movimentada. Contudo, o espírito da Irlanda ainda está aqui, presente nas mínimas coisas (little things), como na quantidade de crianças loirinhas, ruivas e sardentinhas na rua. Ou pelo sotaque delicioso que ouvimos por aí. Ou pela quantidade de Guinness consumida nos pubs que se espalham por todos os cantos e me lembram... minha própria cidade. E dá-lhe déjà-vu.



Every little thing she does is magic / Everything she do just turns me on /Even though my life before was tragic /Now I know my love for her goes on



Meu amor por Dublin continua, talvez agora revitalizado e ainda mais forte. Aqui nem a chuva que inesperadamente caiu nessa semana - o que não é tão comum nessa época do ano, mas tudo bem, já que em Boston também choveu - Mais déjà vu - consegue arrancar a magia que já se impregnou - no sentido melhor da palavra - por cada canto cheio de passado dessa cidade tão cheia de personalidade e vida própria.



Nem mesmo o fato da minha mala ter extraviado conseguiu tornar Dublin sem graça. Não foi a primeira vez que isso aconteceu comigo. A primeira vez, na verdade, foi quando viajei a...


Dublin. Déjà-vu, déjà-vu, déjà vu!




Do I have to tell the story / Of a thousand rainy days since we first met /Its a big enough umbrella /But its always me that ends up getting wet




Por isso esse post é uma carta de amor. Não é qualquer viagem que ganha uma trilha sonora. No segundo dia aqui, ouvi uma linda versão dessa música do The Police. E hoje, enquanto estava no GRAVITY BAR, que é o bar da fábrica da Guinness e que tem uma vista de 360 graus para toda a cidade, qual é a música que ouço? Sim, ela... De novo! E é uma música antiga, pelo amor de Deus! Se ainda fosse um sucesso estourando nas rádios.... Nada explica isso, a não ser... Déjà...




I resolve to call her up a thousand times a day / And ask her if shell marry me in some old fashioned way / But my silent fears have gripped me / Long before I reach the phone /Long before my tongue has tripped me /Must I always be alone?




Minha querida cidade, amanhã a deixarei com uma prece para que, da próxima vez, possa vir em companhia das pessoas que amo.




Mais magia do que essa vai ser até covardia!




See you soon, Dublin.




PS - A partir de junho representarei a escola LCI em Dublin. Quem se interessar (ou souber de alguém que se interesse) em estudar inglês na Irlanda, contem comigo! A escola, as pessoas, o ambiente, every little thing that this city does is magic!






Onde está Teresa?


Ouvi essa pergunta enquanto frequentava tranquilamente o banheiro da sala de embarque internacional do velho e conhecido aeroporto de Confins, prestes a entrar na aeronave da American Airlines com destino a Miami e, posteriormente, Boston.

Tranquila talvez não seja a palavra mais correta. Bom, eu tinha tomado um calmante, coisa inédita para mim, mas mereço um desconto. Não dava para lidar com saudades de casa, um novo caminho profissional à vista, o fato de ter desacostumado com vôo longo e a danada da gripe suína ao mesmo tempo! Quer dizer, até que dava, mas o comprimido ajudou. Atenção... Não estou fazendo apologia de calmante! Tanto que agora nessa viagem à Irlanda eu não tomei nadinha!!!!

"Alguém aí é a Teresa?"

Não, isso eu não sou - pensei. Foi só meio comprimido, ainda me chamo Luiza.

-É porque meu filho me falou que a mãe de uma amiga dele está nesse vôo, e que ela se chama Teresa e é uma senhora que gosta de conversar... Só que eu já perguntei para várias pessoas e estou ficando sem graça, sabe como é...

É, eu sei como é ficar sem graça - pensei novamente. Minha máscara ultra-mega-preventiva de gripe suína (aquela que me faria ficar igual à Margarida por causa de sua forma de bico de pato) já estava no fundo da mochila. E a outra máscara, mais neutra, assim, mais classudinha, dada pela minha cunhada, estava pendurada no pescoço porque eu estava sem graça de colocar no rosto.

Ao entrar no avião, contudo, deparo-me novamente com a senhora que estava à caça da Teresa. "Que bom!"- ela exclamou. Não encontrei a Teresa mas ao menos a gente já se conhece e pode conversar.

É mesmo... Eu disse. Mas eu estava mole de sono, ou mole com o remédio, ou mole de respirar naquela máscara que acabei colocando (afinal estava com alguém ao lado que era íntima e não ia rir de mim) e acabei não conversando muito. Aliás, fui para a fila de trás e tentei dormir espremida em duas poltronas. Foi meio desconfortável, mas deu para descansar um pouco. E a minha nova colega acabou achando que eu tinha sumido que nem a Teresa.

Boston é uma cidade linda, e foram vários os momentos que me deixou de lembrança. Vamos lá:

-Foi lá que andei em um mini-cooper pela primeira vez. Achei o carrinho o máximo, tirei até foto.

-Foi também minha estréia na Cheese Cake Factory, que a Silvia, minha (ex) colega de trabalho (não acredito que não vou encontrar você na volta, Silvia) mencionou em um dos comentários desse post. A cheese cake que comi foi de chocolate branco com frutas vermelhas, algo entre o surreal e o sobrenatural. Sai de lá levitando, apesar do excesso imediato de quilos extras na balança.

-Foi em Boston que me emocionei ao passear pelo Campus da Harvard. É uma sensação inexplicável de mergulho na História com mistura de cenas de filmes que já vi, sei lá o que é aquilo. O campus da Harvard está colado à escola de inglês para estrangeiros que vou representar no Brasil, a NESE. Aliás, se tiver alguém interessado em estudar inglês em Boston, fale comigo. Aproveitem pois estou totalmente apaixonada pela cidade e vou contaminar quem estiver pelo caminho. (Se bem que esse assunto de contaminar é melhor ser evitado).

- Foi lá também que dirigi um Duck Tour. Sim, I DROVE a DUCK TOUR. Vou explicar melhor. É um carro anfíbio que faz um city-tour e de repente... um rio tour! E lá vamos nós virando barco e navegando pelas águas do Charles River, o rio que separa a cidade de Cambridge (onde está a escola NESE, a Harvard, o MIT...) da cidade de Boston.

- Em Boston descobri o sabor do Chai Tea, que minha (ex) colega de trabalho Miriam (Não aguento mais perder colegas de trabalho!!!!) me indicou. Valeu cada dólar gasto, apesar de serem tantos. É muito, muito bom. No final, talvez um pouquinho doce demais da conta, como dizem os mineiros, mas ainda assim repeti todos os dias.

- Lá me senti estudante de novo, como há tempos não sentia. Frequentei aulas como ouvinte mas não aguentei e acabei levantando a mão para responder às perguntas da professora!

- Em Boston comprei meu laptop. Meu primeiro laptop. Meu amigo de viagem. Tudo bem que depois de eu voltar da loja totalmente envolvida e orgulhosa com o presente que me dei tive que ouvir de uma estudante coreana que o computador que eu comprei é o pior de todos e que esquenta horrores. Diferenças culturais à parte, isso é FALTA DE NOÇÃO! (Concorda, Miriam?) A sorte é que a outra coreana quis me ajudar e falou que o dela esquenta muito mais (e que dá até para usar como ferro de passar roupa hahahahahaha).

- Em Boston me apaixonei pelas árvores de folhas brancas que parecem cerejeiras - acho que são, mas não tenho certeza.

-Lá também aprendi a caminhar na chuva ao invés de pegar o ônibus ou metrô - e adorei.

- Ah, e tive ainda mais certeza de que nada é mais prazeroso do que trabalhar com pessoas prestativas e simpáticas - Obrigada, equipe da NESE!

- Uma última coisinha, senão o post vai ficar grande demais: Lá descobri que se pode aprender até no banheiro (A NESE usa o banheiro como forma de comunicação! Está com dúvidas? Pegue aqui um folheto sobre phrasal verbs... Veja a programação cultural da semana! FANTÁSTICO!).

E já que o papo voltou ao banheiro, voltemos à Teresa.

Alguém aí já descobriu onde ela estava? Pois bem... Sabem a foto que tem a vista do avião? Foi antes de chegar ao meu destino final. A Teresa estava dentro desse avião, mais precisamente do meu lado, durante toda a viagem de Miami até Boston.

Luiza encontrou Luciana, que infelizmente não achou a Teresa.

Teresa encontrou Luiza que encontrou a Luciana.

Mas Teresa e Luciana jamais se encontraram.

Acabei sendo o elo de ligação entre as duas. Não foi por falta de tentativa que a pobre da Luciana não encontrou a Teresa,era a minha obrigação deixar a Teresa ciente disso! Como diz meu marido, nada mesmo é por acaso.


Pensando melhor, minha obrigação era trabalhar em Boston.


Mas acabei me envolvendo emocionalmente com a cidade. Meus novos colegas de trabalho que me perdoem...

Ventos de Maio

Depois das águas de Março, os ventos de Maio.

Eu sei, eu pulei o mês de Abril. Quem mandou eu ter leitores tão atentos? Mas a verdade é que foi de propósito.

Maio veio como uma ventania, e com ele trouxe mudanças nos meus caminhos profissionais.

No início do mês, visitei a linda (e até então desconhecida) cidade de Boston, nos EUA.
Hoje, ou melhor, agora mesmo, enquanto escrevo este post, encontro-me no Quarto 2 do simpático Hotel Boutique Trinity Lodge, localizado na Rua Sth Frederick em Dublin, Irlanda.

Há pouco tempo escrevi neste blog que não tenho viajado nem mesmo para Sabará. Novamente reforço que não tenho nada, absolutamente nada, contra Sabará, que é, aliás, uma linda cidade histórica do meu estado de Minas Gerais. Só uso Sabará porque está coladinha à BH, o que não gera dúvidas quanto à minha posição atual de pouco viajante. Se bem que devo discordar dessa última frase, já que os ventos de Maio me levaram para lugares bem distintos.

Não vou aqui descrever a cidade de Boston ou Dublin. Quem já passou pelo meu blog sabe que o objetivo não é esse... Se é que há algum motivo lógico para registrar minhas palavras aqui. O que eu quero escrever, pois estou MORRENDO DE VONTADE de escrever, é o turbilhão de coisas que passa dentro da gente quando a gente sai do Brasil. Posso me considerar no momento atual vivendo em um mundo paralelo. Querendo ou não, a gente descola de tudo o que está acostumado e entra de cabeça em um mundo estranho. Estranho, frio, envolvente, mágico, nervoso, solitário, feliz, culto e bem sucedido. É tudo ao mesmo tempo. Haja cabeça e coração.

Já que não dava pra fazer um post enorme, vou dividi-lo em três partes, que nem redação de escola, só que no lugar da introdução, desenvolvimento da idéia e conclusão (até porque não concluí coisa alguma, só coloquei minha cabeça para fritar), vou fazer uma introdução (Ventos de Maio), uma passeada por Boston (Onde está Teresa?) e por fim uma visita a Dublin (Every Little Thing she does is Magic).


Beijos and... See you soon!
By the way, a foto que ilustra este Post é de Boston, mas precisamente do em um dia que estava ventando e chovendo muito. Nossa, como choveu em Boston! E como choveu em Dublin!


Vou ficar devendo as fotos da Irlanda, pois não trouxe o cabo da máquina. Aarrrrrrrrrrrg!

sexta-feira, 27 de março de 2009

São as águas de março...





Um mar de gente. É isso o que vi na ALPHE LATIN AMERICA, uma das feiras de intercâmbio internacionais que felizmente nos prestigiam em São Paulo.

Pelo terceiro ano consecutivo percorri as mesas de educadores (escolas de línguas no exterior, distritos escolares para programas de "High School", Universidades...) em busca de reforçar as parcerias já existentes e encontrar deliciosas novidades no mundo da educação internacional.

Como é raro conseguir sair de trás da mesa do escritório e respirar novos ares. Sei que todos nós estamos cientes da importância de conviver com o mercado, trocar idéias com outros profissionais, crescer em cultura e informação, o que não quer dizer, porém, que seja fácil agir nesse sentido...

Nossa tendência (ao menos a minha, vá lá...) é deixar com que a rotina operacional vá tomando uma proporção tão grande até chegar o ponto de atrapalhar esse outro lado, o tão importante lado de enxergar a vida que corre lá fora. Mas nem as águas de março foram capazes de me desestimular (e como foram poderosas, ainda mais em São Paulo!). Mas apesar de se tratar de um dos meses mais turbulentos do meu trabalho, arrumei as malas, respirei fundo (o que não chega a ser tããão agradável assim se tratando da capital paulista) e fuuuui!

Para quem não está familiarizado com essas convenções, ou workshops, ou feiras, elas funcionam normalmente assim: você marca as reuniões com parceiros que lhe interessam com antecedência - às vezes com um mês de antecedência - e existem programas on-line específicos para este fim. Nestes programas, é possivel estudar o perfil da empresa com a qual você pretende se encontrar, além de solicitar a marcação de uma conversa. Caso a convidada aceite sua proposta, está automaticamente marcada a reunião em sua agenda para o horário que vocês designaram. Ao final das marcações, esta agenda ficará convenientemente prontinha para impressão!

Detalhe: cada reunião tem meia-hora de duração. Quando soa o gongo (LITERALMENTE, pois é um gongo mesmo), é hora de trocar de mesa. Como não há intervalos, daí a importância de se encaixar alguns encontros com parceiros já antigos, que permitirão com que você converse em pé enquanto pega um cafezinho, ou mesmo vá ao banheiro (juro que tive metade de uma dessas conversas no banheiro, afinal tanto eu quanto a diretora da escola somos filhas de Deus).

É exaustivo, a gente fica morto, a cabeça dói, mas ainda é preciso guardar fôlego para as reuniões sociais (almoços, jantares e afins). Afinal de contas, é nesses momentos que se conhece melhor as pessoas, e assim surgem as conversas mais interessantes, as melhores negociações, aquele "clic" de confiança que faz com que uma escola seja tão próxima de você em detrimento de outra, por exemplo. Isso é fundamental em todos os sentidos, mas principalmente quando você precisa de uma ajudinha extra para seu estudante que está no exterior. Como é diferente quando você liga para alguém que sabe exatamente quem está do outro lado da linha!

Fico imaginando como deve ser a ICEF Berlin, a maior feira do mundo em minha área profissional. Mais de 1500 pessoas reunidas... Quem já foi, conta que é um verdadeiro turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo, ainda mais com uma trilha sonora de inúmeras vozes se expressando em diversas línguas... Alguma semelhança com a Torre de Babel?

A ICEF Berlin é em novembro. Será que é época de chuva por lá? Tomara que seja, pois já vi que essas águas não são tããão fortes assim a ponto de nos derrubar...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Outros ângulos de uma mesma visão? Visões diferentes de um mesmo ângulo?



É Carnaval. Aliás, hoje já é terça-feira de carnaval! Passou rápido, como passa rápido tudo o que é bom.

Sei que vou causar descontentamento, mas a parte onde escrevi "o que é bom" não se refere propriamente ao samba e à muvuca que ilustra esta época. Na verdade, pensei no extremo oposto. Pensei em BH, a minha cidade, que por sinal parece outra nesses dias desprovidos de boa parte de sua população.

Está bem, você deve estar me achando estranha. Como uma pessoa que escreve um blog sobre viagens pode pregar a idéia de ficar estático no maior feriado do ano? À primeira vista, parece esquisito mesmo. Mas a verdade é que sempre me senti atraída por explorar a cidade de maneiras diferentes, e talvez nenhuma época do ano seja mais propícia para isso. Ou seja, não estou estática, estou me movimentando. Aliás, estou me movimentando como nunca, pois esse trânsito tá bom demais da conta...

Certo dia, ainda na época da faculdade, resolvi andar de barquinho no Parque Municipal. Juro que me achei a mais corajosa das criaturas, aquela que não se importa em pagar o mico do século em troca de reviver a infância.

Aí eu virei mãe. Quando a gente vira mãe, a gente ganha um pacote que inclui os mais variados programas de índio, tipo jogar pão para os patos da Barragem Santa Lúcia, ou ver uma apresentação de bandas marciais, debaixo de um sol a pino, lá na Praça da Liberdade.

Mas sabe o que é pior (ou melhor) dessa história toda? É que a gente passa a adorar essas coisas, a querer essas coisas, a desejar curtir o maior feriado do ano fazendo um tanto dessas coisinhas gostosas (juro que são gostosas mesmo!) na cidade da gente.

Só para ilustrar meu pensamento, descrevo uma cena que vai ficar na minha memória (já que não deu pra tirar foto). Imaginem um guarda sol imenso de clube. Agora imaginem dois. E debaixo dos dois, um monte de gente (incluindo adultos, crianças no colo, e outras tropeçando pelo caminho) tentando bravamente se deslocar da área da piscina até o estacionamento. E para completar, a chuva. Aliás, que chuva! E gargalhadas, muitas gargalhadas.

Isso aconteceu ontem, lá no Minas Náutico, em Alphaville. Foi a gente (eu, o maridão, irmão, cunhada, prima, sobrinhos, agregados, filhos e babá...). Não me lembro de ter me divertido tanto assim em nenhum baile de carnaval.

Bom, tenho que me despedir. O sol está brilhando lá fora e vamos andar a cavalo e almoçar no Restaurante Paladino, lá na Pampulha. Aliás, outro dia andei só eu e Júlia (minha filha) na roda gigante do Parque Guanabara, à noite. Alguém já andou em uma roda gigante sem que ela precise parar para receber outros ocupantes? E, já adulto, montar em um cavalo do carrossel? Não vale aquelas poltroninhas onde a gente fica sentadinho, nem ficar em pé ao lado do cavalo do filho, isso não!!!! Falo de montar no cavalo mesmo. Sem se preocupar com a provável platéia que observa sorrindo, admirada. Experiência extrasensorial? Não, coisas de um moradora-turista em uma BH de Carnaval...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Guloseimas que valem uma viagem.


Eu sou partidária de se experimentar coisas novas quando viajamos. Se estou no Nordeste, gosto de pedir uma "caipijá" (caipirinha de cajá) ao invés da velha conhecida caipivodca. Às vezes corro o risco de não gostar tanto, mas... Vale a tentativa. Novos sabores, novas paisagens, novo cabelo (não sei quanto a vocês, mas o meu sempre fica meio esquisito fora de casa). Viajar é também experimentar novas guloseimas.


Ser guloso é bom, nem que seja só nas férias. Tempo de descansar também é tempo de relaxar dessas preocupações mundanas, tipo os pneuzinhos a mais que ninguém nota... Lembro de uma grande amiga que diz que tem a maior preguiça de conviver com quem não gosta de comer! E o pior é que dá preguiça mesmo. Que papo vai ter uma pessoa que só come rúcula e chupa gelo?


Só sei que cada lugar que vou tem uma comidinha eleita. Aquele prato típico, ou doce, ou sorvete, que só de pensar dá água na boca e me faz lembrar de tantas coisas boas como... viajar.


Exemplos? Vamos lá:


Tiradentes, MG - Ai, aqueles doces de abóbora com côco que tem aquela casquinha dura e são molinhos por dentro, que delícia!!!!!!!!!!


Bahia - ADORO ir para a Bahia e comer tapioca no café da manhã! Me dá até vontade de acordar de madrugada e sair correndo para o restaurante. Na última viagem, comi mosca e não experimentei a vitaminha de abacate, que tem gosto da minha infância! Na volta, tive que correr no sacolão e fazer uma para não ficar aguada! (Loira aguada não dá!)


Paris - Pra mim Paris tem gosto do doce mil folhas! Minha primeira visita a esta cidade encantada foi aos 14 anos, e ao experimentar o "Mil Folhas" percebi o que estava perdendo até então!!!!


EUA - Starbucks! Tem em qualquer esquina, eu sei, mas não tem em Belo Horizonte. Se bem que o Californian Coffe lá do Shopping Diamond quebra um galho imenso. Quem não foi, está perdendo. E amo Donuts também. Sei que engorda, mas é bom demais. Deus, onde arrumo um por aqui??? Outra coisa que tem gosto de Estados Unidos é o sorvete Häagen-Dazs de Bayles. Na época em que eu viajava bastante (a trabalho, diga-se de passagem), era só colocar o pé nos Estados Unidos para sair feito uma louca procurando o sorvete de Bayles! E dá-lhe milk-shake, sorvete de casquinha, TUDO de Bayles. Mas esse eu não passo mais vontade, porque tem aqui agora!!! Que delícia, que delícia!


Irlanda - Cerveja Guinness. Não sei o motivo, mas comprei uma no Carrefour outro dia e não gostei nada. Será que é porque falta todo o resto, tipo o pub, o cenário magnífico?...


Canadá - Chocolate branco quente na 'Second Cup'! Gostei tanto que fiz minha amiga canadense implorar para que eles vendessem o pó instantâneo que eles usam para fazer essa maravilha! E não é que eu consegui? Mas não ficou tão bom, acho que essa história de cenário tem a ver mesmo :(


México - Não consigo esquecer de algo que comi em Cancun. Foi em um restaurante inspirado no filme Casablanca. Não é comida mexicana, era um frango recheado com lagosta. Existe algo mais "sui generis"? Mas foi tão, tão, tão insuperável!


Vamos lá, gente... Completem essa lista pra mim!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

"Micos no Exterior"


Na minha comunidade do Orkut, chamada "Quero fazer intercâmbio"(http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=26423571) criei um tópico sobre "Micos no Exterior". Sabe aquelas gafes engraçadíssimas que a gente obrigatoriamente comete quando está fora do país? Impossível quem não tenha passado ao menos por uma...

Pois é, o único problema é que está duro de fazer as pessoas admitirem suas situações embaraçosas... Por mais que eu convide, tem gente que jura por tudo quanto é santo que nuuuunca passou por nada digno de risadas... Sei...

Por isso convido os corajosos a se manifestarem através dos comentários! Quem sabe aqui no blog não terei mais sorte?

Começo com um meu, só pra quebrar o gelo:

No final da copa de 1994, eu estava LOUCA de felicidade no dia da final, e quando o Brasil ganhou, peguei um ônibus para um dos parques da Disney (estava na Flórida), toda de uniforme da seleção! Quando a porta do ônibus abriu, o motorista me estendeu a mão e eu disse "oh, thank you, thank you" (acreditando que ele estava me dando os parabéns pela vitória!!!!) Na verdade, ele estava pedindo para que eu me afastasse e aguardasse as pessoas saírem, para só então entrar... Que vergonha!!!!!!


Curiosidade: O mico da foto foi pego no flagra pelas lentes da minha câmera, lá no Iberostar (Praia do Forte, BA).

sábado, 24 de janeiro de 2009

"All-Inclusive" - Vale também o desperdício?


Minhas últimas férias foram em Salvador, mais especificamente na Praia do Forte, ou melhor ainda, no Resort Iberostar Bahia.


Além das deliciosas instalações, caprichada piscina, simpático serviço, o Resort oferece o sistema "all-inclusive", que nos dá a possibilidade de bebericar e comer petisco no momento em que nos der vontade. Simples assim.


Bom, seria mais simples se todos fizessem isso, ou seja, pedissem suas refeições ou bebidas no momento em que realmente tivessem vontade. O que pudemos perceber em diversos momentos, porém, foi a cultura do "vou pedir porque está incluído mesmo..." Resultado? Pratos largados pela metade, sucos esquecidos pelas mesas da piscina, drinks abandonados pelos donos em um canto qualquer.


Claro que uma situação como essa não é culpa do Iberostar. A raiz de tudo isso se chama educação. Só pessoas esclarecidas tem a noção de que é melhor experimentar algo antes de se colocar uma montanha no prato. Ou que não é saudável comer o dia todo e depois nadar sob o sol. Ou ainda, que excesso de bebida alcóolica não combina com mar. Aliás, cá entre nós, excesso de bebida alcóolica não combina com nada!


Ainda bem que a mentalidade em relação ao consumo está mudando, assim como a consciência de que o meio ambiente é de todos nós. Sei que se trata de uma mudança lenta, mas não importa. Um dia chegamos lá: à beira da praia e... da perfeição!



sábado, 17 de janeiro de 2009

Quer viajar? Leia um livro.


Ok, é um clichê. Mas não deixa de ser verdade.Quem nunca viajou ao ler um livro, que atire a primeira pedra. Ou então... quem nunca levou um livro durante uma viagem? Sim, acho que é sobre isso o que eu quero falar! Os deliciosos livros, companheiros absolutos de nossas jornadas por esse mundão afora.

Está bem, confesso. Foi minha grande amiga Analucia quem pediu para que eu escrevesse sobre esse assunto. Mas, verdade seja dita, eu bem que estava pensando nele há alguns dias, o que não exclui, é claro, o fato de que o e-mail da Ana foi o empurrão que faltava.

Durante uma viagem, há momentos em que ler um livro se torna uma atividade insuperável! Exemplos?

- Quando, no ônibus ou no avião, o vizinho esquisito da poltrona ao lado da sua insiste em bater um papo. Se ele perguntar se está tudo bem com você, diga que só vai ficar quando descobrir o final da história daquele livro de quase mil páginas. Detalhe: você está no prólogo.

- Quando você fica doente porque exagerou no camarão. Tá, esse pode não ser dos mais agradáveis, porém nada pior do que enfrentar sozinho as consequências de um ataque de gula desenfreado. Melhor ter um livro à mão.

- Quando você se descobre absolutamente aceso às três horas da manhã por causa daquele inconveniente fuso horário que provoca a troca do dia pela noite – ou vice-versa. Nesse caso, opte por uma xícara de leite morno e uma literatura descompromissada, pois é pouco provável que você se lembre de algo após umas cinco páginas (NÃO OPTE POR UM BOM LIVRO: você corre o risco de não dormir e se sentir três vezes pior no dia – noite? – seguinte).

- Quando você tem a informação de que a aeronave que deveria estar na pista ainda se encontra em Manaus e, detalhe, você está em Curitiba.

- Quando você não aguenta desgrudar do livro, pois nesse caso o negócio é feio, e qualquer motivo é válido para não largar aquelas páginas suculentas (sim, nesse caso a fome é de palavras!).

Todos esses motivos são familiares para mim. Uma viagem a Recife há pouco mais de um ano ilustra o último deles. Em apenas dois dias fui capaz de ler um exemplar inteiro (mais de 900 páginas) da série “Ayla, a Filha das Cavernas”. Não me lembro exatamente qual deles, se “O Vale dos Cavalos”, “Os Caçadores de Mamutes” ou “O Abrigo de Pedra”, mas quem conhece as obras da escritora Jean M. Auel vai entender bem porque eu troquei um sol ensolarado daquela mágica cidade por um dois dias enfurnada no quarto. Só não foram dois dias inteiros porque eu fui obrigada a dar um intervalo por motivos profissionais. Afinal de contas, era essa a razão de eu me encontrar em Pernambuco, que acabou me proporcionando uma viagem no tempo e no espaço ( Ayla vivia há 35000 anos ... )

Em minha última viagem à Bahia, mais precisamente no penúltimo dia das minhas férias, encontrei um livro muito interessante ao remexer as prateleiras da sala de jogos. O livro “By the Time you Read This” da escritora Lola Jaye. Trata-se da história de uma menina (Lois Bates), que após a morte de seu pai descobre um manual que ele a deixou. É claro que a idéia se mostra sofrida demais para a menina Lois, afinal a dor é tão recente... Porém, com o passar do tempo, aquele manual se torna um companheiro em vários estágios de sua vida, e procura aconselhá-la sobre os mais variados assuntos – de entrevistas de empregos a relacionamentos amorosos.

Isso também parece clichê? E daí? O livro é muito gostoso de ler... Alias, simplesmente adorei o jeito que Lola Jaye escreve, e o fato de ser possível descobrir seu dia-a-dia em seu blog faz com que ela pareça uma boa amiga que me emprestou seu original para que eu aproveitasse para lê-lo nas férias.

Assim como minha querida amiga Analucia, que fez nascer esse “post” e que curiosamente me chama de... Lois!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Com licença, vou conhecer o mundo


Imaginem a cena:



Uma linda jovem, bem sucedida, com o emprego dos sonhos (ao menos para mim, pois organiza eventos educacionais no mundo todo), de origem francesa e morando em Londres. "Got the picture?"



De repente, numa manhã fria e chuvosa (comentário dispensável), ela diz assim para a sua diretora: Olha, com licença, vou conhecer o mundo. Não vai demorar muito não, talvez uns... doze meses. Acho que isso significa que vou ter de sair do escritório...



Meu queixo caiu. Não que seja novidade o fato de pessoas fazerem isso. É claro que eu sei que há pessoas que fazem isso. O problema é que quase ninguém que eu conheça faz isso. EU não faço isso!!!! Meu Deus (pensei), ela abriu mão daquele trabalho assim, como quem pede um suco de abacaxi com raspas de gelo à beira da piscina????



Ok, ela fala quatro línguas fluentemente, é excelente profissional e, quando voltar, talvez não só consiga recuperar o antigo cargo como poderá alçar voos ainda maiores (literalmente). E obviamente ela tem condições financeiras para tal empreitada. Mas mesmo assim, cá entre nós, não é fácil achar alguém que possua o espírito aberto para isso... Não basta dinheiro, auto-confiança, e uma ótima companhia (no caso dela, o namorado). Precisa ter aquela coisa que incomoda por dentro e que manda a pessoa se mexer, trocar o conforto da própria cama por uma cabana no meio do mato, descobrir que o mundo é mais do que seu próprio umbigo.



E meu conhecido casal apaixonado (que certamente tem essa tal coisa que incomoda por dentro) optou por um caminho que os levou até agora a Lima, Cusco, Trilha dos Incas, Arequipa, Lago Titicaca, La Paz, Uruguai, Argentina, Brasil...



As atividades até então? Só pra resumir um pouquinho, posso mencionar 20 horas de ônibus por estradas sinuosas do Peru (que os fizeram ficar verdes de enjôo), caminhada de três dias na região de Arequipa (ainda no Peru), refeições compostas de sopa de batatas, batatas cozidas, batatas fritas e panquecas de batatas na casa de locais em Amantani (uma ilha do lado peruano do Lago Titicaca), escaladas na Bolívia (Monte Huayna Potosi) e a conquista do vulcão Licancabur (próximo a San Pedro do Atacama, na linha divisória do Chile e extremo sul da Bolívia). Isso sem falar nas cavalgadas (um deles sobre uma égua grávida, quase parindo), na descoberta de locais malucos como um cemitério de trens ao sul da Bolívia, onde as máquinas a vapor podem enfim descansar em paz...



Fiquei cansada só de ler. Não basta dinheiro, namorado, coragem, espírito aberto. No caso deles, é preciso fôlego (MUITO fôlego) e excelente preparação física. Realmente há muitas formas de se viajar.



E acompanhar jornadas como essas pela internet é definitivamente uma delas, e inesperadamente interessante, por sinal. Confesso que ao seguir a aventura de minha colega, sinto-me simultaneamente embasbacada e burra, tamanha a quantidade dos locais mencionados dos quais - confesso - nunca ouvi falar. Porém, aproveito a oportunidade para fazer muita pesquisa, mandar posts, enfim, viajar junto - à minha maneira, em frente ao monitor. Por enquanto...