quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Com licença, vou conhecer o mundo


Imaginem a cena:



Uma linda jovem, bem sucedida, com o emprego dos sonhos (ao menos para mim, pois organiza eventos educacionais no mundo todo), de origem francesa e morando em Londres. "Got the picture?"



De repente, numa manhã fria e chuvosa (comentário dispensável), ela diz assim para a sua diretora: Olha, com licença, vou conhecer o mundo. Não vai demorar muito não, talvez uns... doze meses. Acho que isso significa que vou ter de sair do escritório...



Meu queixo caiu. Não que seja novidade o fato de pessoas fazerem isso. É claro que eu sei que há pessoas que fazem isso. O problema é que quase ninguém que eu conheça faz isso. EU não faço isso!!!! Meu Deus (pensei), ela abriu mão daquele trabalho assim, como quem pede um suco de abacaxi com raspas de gelo à beira da piscina????



Ok, ela fala quatro línguas fluentemente, é excelente profissional e, quando voltar, talvez não só consiga recuperar o antigo cargo como poderá alçar voos ainda maiores (literalmente). E obviamente ela tem condições financeiras para tal empreitada. Mas mesmo assim, cá entre nós, não é fácil achar alguém que possua o espírito aberto para isso... Não basta dinheiro, auto-confiança, e uma ótima companhia (no caso dela, o namorado). Precisa ter aquela coisa que incomoda por dentro e que manda a pessoa se mexer, trocar o conforto da própria cama por uma cabana no meio do mato, descobrir que o mundo é mais do que seu próprio umbigo.



E meu conhecido casal apaixonado (que certamente tem essa tal coisa que incomoda por dentro) optou por um caminho que os levou até agora a Lima, Cusco, Trilha dos Incas, Arequipa, Lago Titicaca, La Paz, Uruguai, Argentina, Brasil...



As atividades até então? Só pra resumir um pouquinho, posso mencionar 20 horas de ônibus por estradas sinuosas do Peru (que os fizeram ficar verdes de enjôo), caminhada de três dias na região de Arequipa (ainda no Peru), refeições compostas de sopa de batatas, batatas cozidas, batatas fritas e panquecas de batatas na casa de locais em Amantani (uma ilha do lado peruano do Lago Titicaca), escaladas na Bolívia (Monte Huayna Potosi) e a conquista do vulcão Licancabur (próximo a San Pedro do Atacama, na linha divisória do Chile e extremo sul da Bolívia). Isso sem falar nas cavalgadas (um deles sobre uma égua grávida, quase parindo), na descoberta de locais malucos como um cemitério de trens ao sul da Bolívia, onde as máquinas a vapor podem enfim descansar em paz...



Fiquei cansada só de ler. Não basta dinheiro, namorado, coragem, espírito aberto. No caso deles, é preciso fôlego (MUITO fôlego) e excelente preparação física. Realmente há muitas formas de se viajar.



E acompanhar jornadas como essas pela internet é definitivamente uma delas, e inesperadamente interessante, por sinal. Confesso que ao seguir a aventura de minha colega, sinto-me simultaneamente embasbacada e burra, tamanha a quantidade dos locais mencionados dos quais - confesso - nunca ouvi falar. Porém, aproveito a oportunidade para fazer muita pesquisa, mandar posts, enfim, viajar junto - à minha maneira, em frente ao monitor. Por enquanto...

2 comentários:

  1. Interessante o seu post, Lois! Durante o meu mochilao (muito menos ambicioso) de 2 meses e meio, topei com muita gente viajando por 12 meses e ate mesmo por tempo indefinido! A gente encontra tanta razao pra nao sair por ai (familia, emprego, crise mundial, etc) que acaba perdendo a oportunidade de fazer algo por si proprio. Viajar eh uma maneira unica de alimentar a alma, eh necessario! Ha uns anos atras eu escrevi uma mensagem de abertura do neu celular, que ainda nao consegui apagar, pois continua fazendo sentido: "Nao deixe que o medo a impeca de tentar!". Acho que eh isso, Lois, o medo impede a gente de fazer coisas extraordinarias! Tiro o chapeu para a sua amiga! Cheers!

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  2. Interessante o seu post, Lois! Durante o meu mochilao (muito menos ambicioso) de 2 meses e meio, topei com muita gente viajando por 12 meses e ate mesmo por tempo indefinido! A gente encontra tanta razao pra nao sair por ai (familia, emprego, crise mundial, etc) que acaba perdendo a oportunidade de fazer algo por si proprio. Viajar eh uma maneira unica de alimentar a alma, eh necessario! Ha uns anos atras eu escrevi uma mensagem de abertura do neu celular, que ainda nao consegui apagar, pois continua fazendo sentido: "Nao deixe que o medo a impeca de tentar!". Acho que eh isso, Lois, o medo impede a gente de fazer coisas extraordinarias! Tiro o chapeu para a sua amiga! Cheers!

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