sexta-feira, 22 de maio de 2009

Onde está Teresa?


Ouvi essa pergunta enquanto frequentava tranquilamente o banheiro da sala de embarque internacional do velho e conhecido aeroporto de Confins, prestes a entrar na aeronave da American Airlines com destino a Miami e, posteriormente, Boston.

Tranquila talvez não seja a palavra mais correta. Bom, eu tinha tomado um calmante, coisa inédita para mim, mas mereço um desconto. Não dava para lidar com saudades de casa, um novo caminho profissional à vista, o fato de ter desacostumado com vôo longo e a danada da gripe suína ao mesmo tempo! Quer dizer, até que dava, mas o comprimido ajudou. Atenção... Não estou fazendo apologia de calmante! Tanto que agora nessa viagem à Irlanda eu não tomei nadinha!!!!

"Alguém aí é a Teresa?"

Não, isso eu não sou - pensei. Foi só meio comprimido, ainda me chamo Luiza.

-É porque meu filho me falou que a mãe de uma amiga dele está nesse vôo, e que ela se chama Teresa e é uma senhora que gosta de conversar... Só que eu já perguntei para várias pessoas e estou ficando sem graça, sabe como é...

É, eu sei como é ficar sem graça - pensei novamente. Minha máscara ultra-mega-preventiva de gripe suína (aquela que me faria ficar igual à Margarida por causa de sua forma de bico de pato) já estava no fundo da mochila. E a outra máscara, mais neutra, assim, mais classudinha, dada pela minha cunhada, estava pendurada no pescoço porque eu estava sem graça de colocar no rosto.

Ao entrar no avião, contudo, deparo-me novamente com a senhora que estava à caça da Teresa. "Que bom!"- ela exclamou. Não encontrei a Teresa mas ao menos a gente já se conhece e pode conversar.

É mesmo... Eu disse. Mas eu estava mole de sono, ou mole com o remédio, ou mole de respirar naquela máscara que acabei colocando (afinal estava com alguém ao lado que era íntima e não ia rir de mim) e acabei não conversando muito. Aliás, fui para a fila de trás e tentei dormir espremida em duas poltronas. Foi meio desconfortável, mas deu para descansar um pouco. E a minha nova colega acabou achando que eu tinha sumido que nem a Teresa.

Boston é uma cidade linda, e foram vários os momentos que me deixou de lembrança. Vamos lá:

-Foi lá que andei em um mini-cooper pela primeira vez. Achei o carrinho o máximo, tirei até foto.

-Foi também minha estréia na Cheese Cake Factory, que a Silvia, minha (ex) colega de trabalho (não acredito que não vou encontrar você na volta, Silvia) mencionou em um dos comentários desse post. A cheese cake que comi foi de chocolate branco com frutas vermelhas, algo entre o surreal e o sobrenatural. Sai de lá levitando, apesar do excesso imediato de quilos extras na balança.

-Foi em Boston que me emocionei ao passear pelo Campus da Harvard. É uma sensação inexplicável de mergulho na História com mistura de cenas de filmes que já vi, sei lá o que é aquilo. O campus da Harvard está colado à escola de inglês para estrangeiros que vou representar no Brasil, a NESE. Aliás, se tiver alguém interessado em estudar inglês em Boston, fale comigo. Aproveitem pois estou totalmente apaixonada pela cidade e vou contaminar quem estiver pelo caminho. (Se bem que esse assunto de contaminar é melhor ser evitado).

- Foi lá também que dirigi um Duck Tour. Sim, I DROVE a DUCK TOUR. Vou explicar melhor. É um carro anfíbio que faz um city-tour e de repente... um rio tour! E lá vamos nós virando barco e navegando pelas águas do Charles River, o rio que separa a cidade de Cambridge (onde está a escola NESE, a Harvard, o MIT...) da cidade de Boston.

- Em Boston descobri o sabor do Chai Tea, que minha (ex) colega de trabalho Miriam (Não aguento mais perder colegas de trabalho!!!!) me indicou. Valeu cada dólar gasto, apesar de serem tantos. É muito, muito bom. No final, talvez um pouquinho doce demais da conta, como dizem os mineiros, mas ainda assim repeti todos os dias.

- Lá me senti estudante de novo, como há tempos não sentia. Frequentei aulas como ouvinte mas não aguentei e acabei levantando a mão para responder às perguntas da professora!

- Em Boston comprei meu laptop. Meu primeiro laptop. Meu amigo de viagem. Tudo bem que depois de eu voltar da loja totalmente envolvida e orgulhosa com o presente que me dei tive que ouvir de uma estudante coreana que o computador que eu comprei é o pior de todos e que esquenta horrores. Diferenças culturais à parte, isso é FALTA DE NOÇÃO! (Concorda, Miriam?) A sorte é que a outra coreana quis me ajudar e falou que o dela esquenta muito mais (e que dá até para usar como ferro de passar roupa hahahahahaha).

- Em Boston me apaixonei pelas árvores de folhas brancas que parecem cerejeiras - acho que são, mas não tenho certeza.

-Lá também aprendi a caminhar na chuva ao invés de pegar o ônibus ou metrô - e adorei.

- Ah, e tive ainda mais certeza de que nada é mais prazeroso do que trabalhar com pessoas prestativas e simpáticas - Obrigada, equipe da NESE!

- Uma última coisinha, senão o post vai ficar grande demais: Lá descobri que se pode aprender até no banheiro (A NESE usa o banheiro como forma de comunicação! Está com dúvidas? Pegue aqui um folheto sobre phrasal verbs... Veja a programação cultural da semana! FANTÁSTICO!).

E já que o papo voltou ao banheiro, voltemos à Teresa.

Alguém aí já descobriu onde ela estava? Pois bem... Sabem a foto que tem a vista do avião? Foi antes de chegar ao meu destino final. A Teresa estava dentro desse avião, mais precisamente do meu lado, durante toda a viagem de Miami até Boston.

Luiza encontrou Luciana, que infelizmente não achou a Teresa.

Teresa encontrou Luiza que encontrou a Luciana.

Mas Teresa e Luciana jamais se encontraram.

Acabei sendo o elo de ligação entre as duas. Não foi por falta de tentativa que a pobre da Luciana não encontrou a Teresa,era a minha obrigação deixar a Teresa ciente disso! Como diz meu marido, nada mesmo é por acaso.


Pensando melhor, minha obrigação era trabalhar em Boston.


Mas acabei me envolvendo emocionalmente com a cidade. Meus novos colegas de trabalho que me perdoem...

2 comentários:

  1. Oi Lois! Eu nao ligo nada pra carro, mas se pudesse escolher, eu ia ter um mini cooper e uma vespa! Eu sei que nao combina (ja que eu sou bem alta, mas eu adoro!!!) Beeeeijos
    Ah, adoro ouvir falar de Boston... Me da uma nostalgia do meu dezembro la, no curso de ingles... Eh uma lembranca tao forte que as vezes eu sinto um cheiro ou provo alguma coisa que me leva direto pra cozinha, o quarto ou a rua do meu homestay!

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  2. A gente é alta mas cabe bem no Mini Cooper. Ele é cheio das frescuras, todo arrumadinho... Se bem que o dono desse Mini Cooper era um tampinha! Rs rs

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