sábado, 27 de junho de 2009

Não dá pra falar em viagem sem falar da alegria do retorno


Tão bom quanto viajar é o sentimento de voltar.

Tão bom quando ver o desconhecido é redescobrir o conhecido.

Abrir a porta de casa, largar as malas no chão e correr para o abraço...


Neste dia 25 de junho, meu amigo Elimar lançou um livro de poesias chamado "Vitral". Emocionei-me particularmente com um poema que registro aqui. Porque viajar vicia, mas voltar também. E como...


VOLTEI


Senti falta de sua sombra de concreto,

Da sua turba diária e

Da paisagem mutante.


Sobrevivi à ausência do seu monóxido

À falta de sobrenomes meus

Ao vai-e-vem desesperado das ladeiras.


Respiro seu cheiro cinza repleto de lembranças

Busco sua claridade laranja em toda curva da estrada

O poente não é o mesmo fora de ti.


Não estou preso a você por grilhões nem amarras

Estou liberto para o universo que parte de ti.

E só estou assim porque me fizeste capaz.


Quero seu barulho noturno

Busco suas luzes da montanha

Carrego sua pressa no meu andar.


És feia na paisagem que conflita com tempo

És bela por nome e origem

És triste por destino e progresso.


Suas veias repletas ao sol,

Suas artérias dilatadas sob a lua e

Seu horizonte de um vermelho longínquo

reacendem meu pulso.


Em ti estão minhas raízes.

De ti sai a minha seiva

Para que eu alcance o que me é de direito.


Saio como quem vai à feira comprar e vender,

Retorno como quem busca o colo morno

da segurança.

Vivo sem ti, mas não sem lembrar de ti.


Meus pés já alcançam seus limites,

Minhas mãos já recebem seus abraços e

Meus olhos já descansam no seu belo horizonte.