sábado, 1 de agosto de 2009

3 dias que valem um mês






Jaguara é, no dizer sertanejo, a onça.
Achei essa definição na internet, mais precisamente no Dicionário inFormal.
O Planalto da Jaguara é, no dizer urbano, um hotel fazenda.
Ou talvez o melhor significado seria "um lugar que vai salvar a pátria de quem só tem alguns dias de férias, uma criança sozinha em casa, e ainda não quer pegar a estrada porque odeia dirigir nessa época do ano".

Houve um tempo em que a menção "hotel/fazenda" me causava arrepios. Não na infância, claro, afinal de contas quase toda criança gosta de bichos e de comer aquelas coisas gostosas preparadas no fogão de lenha. Quando eu era criança fui a várias fazendas de verdade. Fiz um bezerro dormir fazendo carinho no bichinho. Tomei leite tirado na hora, daqueles que fazem espuma. Vi filhotinhos de gatinho, minúsculos. Acho que essas são as lembranças mais vívidas que tenho da época em que eu curtia uma vida no campo, nem que fosse de vez em quando.

Mas quando eu cresci passei a não gostar do ócio. Aliás, passei a não saber o que fazer com o ócio. Sei que essa não é uma característica só minha, mas de grande parte das pessoas que eu conheço. Quem é que não se identifica com a imagem de alguém atendendo ao telefone, fazendo unha e vendo TV ao mesmo tempo? E hotel fazenda significa ócio. Dormir cedo, acordar cedo, comer guloseimas, sentar à sombra e ler um livro, curtir o canto dos passarinhos... Deus me livre! O que me vinha à cabeça era um jeito de fugir disso.

Graças a Deus eu cresci mais. Digo isso porque alguma parte da minha infância foi recuperada nesse meu pequenino passeio ao Planalto da Jaguara. Eu sei que o fato de ter a minha filha Júlia como companheira de jornada foi determinante para que me sentisse assim, ou talvez pelo fato de me sentir filha de novo, já que fui com minha mãe...

Ali descobri que pavão mia que nem gato (algum leitor aí já ouviu o barulho de um pavão?), que o tamanho da paixão de minha filha por filhotinhos de cachorro não se mede, que é uma delícia escorregar na lona ensaboada (que nem tobogã), que existem cachaças e CACHAÇAS, e uma caipirinha feita de CACHAÇA não tem preço, que andar a cavalo dói mesmo a bunda (ao menos a minha) mas que a dor fica pequena perto do orgulho de ter cavalgado, que é uma delícia dormir às nove e acordar às seis (se bem que isso eu já sabia), que eu engordei uns 3 quilos e tô precisando fazer regime (mas deixa pra depois), que o pavê que experimentei foi um dos melhores que já comi na vida, que a rapadura é dura mesmo mas é muito doce, e que três dias (sim, apenas três dias) podem valer, quem diria, UM MÊS DE FÉRIAS...

2 comentários:

  1. Que fofos os filhotinhos! Eu sou que nem a Juju, aaaaaaaaamo cachorrinhos!!!! Ah, Lois, uma temporada no mato tem o seu lugar! Eu adoro os programas de fazenda, o contato com bichos (exceto pererecas, sapos, lagartixas e cobras e insetos...) Reformulando: adoro o contato com mamiferos (exceto ratos) e passaros (exceto urubus) Voce entendeu, ne? Beijos!

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  2. Nossa, você não acredita o tanto que a JUJU ficou grudada o DIA TODO com os cachorros de lá!! E eu entendi sua mensagem, não se preocupe... Você está na Austrália mas ainda fala Português e se expressa bem rs rs

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