quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Viajar é... Redescobrir amizades




Houve um tempo em que o carteiro era um dos meus melhores amigos.
Sim, houve um tempo em que eu recebia cartas (e não cobranças, muito menos mala-direta)!
Esse tempo é, vamos dizer, um tempão atrás. Eu tinha 10 anos quando fui ao acampamento Paiol Grande, em São Paulo, pela primeira vez. Naquele tempo, as "temporadas" duravam 1 mês e eram destinadas somente às meninas ou aos meninos, tudo à moda do clube da Luluzinha ou do Bolinha (houve um tempo em que eu era apaixonada pelas aventuras da Luluzinha - para falar a verdade, ainda sou!).
Mas qual a relação do Paiol com as cartas? Todas as possíveis. Lá, para matar as saudades, eu escrevia quase que diariamente para a família. Sim, porque houve um tempo em que as crianças não tinham celular e lambiam selos!
E naquela época onde as crianças carregavam blocos de cartas pautados para o acampamento e registravam por escrito os momentos inéditos que viviam, a esperteza era tão grande que elas, mesmo pequenas, já sabiam como conservar uma grande amizade embalada em papéis de carta cheirosos e recheada de adesivos e segredos da pré-adolescência.
Certo dia, já adulta, durante uma aula de Pós Graduação da FGV, alguém me ligou e deixou um recado na secretária do meu celular. Era a Denise, e meus pensamentos se voltaram para aquele tempo, há mais de 20 anos, quando nos conhecemos no Chalé Primavera do acampamento Paiol Grande (Eu sou feliz, também pudera... O meu chalé é o Primavera!).
Naqueles anos deliciosos trocamos muitas cartas e confidências. Denise, que era de SP, me visitou em BH (e na mesma época minha casa foi assaltada enquanto estávamos passeando, e ainda roubaram várias coisas dela!!!). Que vergonha... Nunca visitei a Denise em Sampa, mas acompanhava (pelas cartas) suas aventuras por aí, fosse para a Nova Zelândia em um dos acampamentos do SISV, fosse em um cruzeiro marítimo com seus pais.
Denise se mudou, casou e não me convidou (literalmente). Mas voltou e deixou um recado em minha secretária eletrônica.
Hoje ela tem doutorado, vivenciou o 11 de setembro de perto, é mãe de dois filhos lindos e mora em Salvador.
Hoje tenho que viajar uma vez por mês para promover as escolas que represento, e coincidentemente fui à capital baiana. Além do trabalho, pude dormir na casa de minha amiga Denise.
Sentada na cama e lendo meu livro "Bagunçado ou Bem Guardado?"para seus filhos Nuno e Antônio, senti-me em minha própria casa. E isso não se deu pelo fato de que os dois são a CARA de meus sobrinhos Yuri e Luca, mas talvez porque relacionamento não se mede somente pelo sangue, mas pelo coração.

Denise, meu desejo de hoje é que nossos filhos saibam o valor de se cultivar as grandes amizades.

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