domingo, 18 de outubro de 2009

Olhar Estrangeiro

Em homenagem aos meus intercambistas e ex-intercambistas...

domingo, 11 de outubro de 2009

Lembranças doces de um mar salgado




Houve um tempo em que as nossas férias na praia duravam de 15 dias a um mês.

Houve uma época em que, ao invés de procurar uma agência de viagens, bastava combinar com a família e partir para a casa da avó. Família, leia-se: avó, pai, mãe, irmãos, tios, tias, primos, amigos, cachorro...

Um rancho, que delícia de palavra. Um rancho na praia, uma combinação ainda mais deliciosa.

Acredito que as pobres das mães daquela época, caso questionadas, prefiram de longe as férias de hoje àquela visão interminável de louças para lavar!

Ah, aquela época onde não havia restaurantes self-service...

Ah, aquele tempo em que meu pai trazia peixes recém-pescados e mais um tanto de mentiras cabeludas na geladeira de isopor...

Um tempo de farofeiros na praia (e nós éramos uns deles, e com orgulho!). Imagens nítidas me vêm à cabeça da intrincada operação para se colocar o guarda-sol bem enterradinho na areia. Não, eles não nos esperavam já prontinhos, como as praias particulares de nossos bem conhecidos resorts. Eram colocados ali, com suor e esforço. E ainda tínhamos que carregar as cadeiras de praia naquela grande trilha de terra batida e mais um tanto de metros de areia quente.

Houve uma época em que conferíamos as ofertas de cadeira de praia na loja Mesbla! (Que me perdoem os mais novinhos que não têm essa referência...)

Houve um tempo em que eu lambia o picolé de creme holandês e ele ficava transparente, pois era puro gelo. Ou comia abacaxi cortadinho em rodelas e chupava cana até a barriga doer.

Nas minhas férias de infância, o cheiro de terra molhada, maresia, fumaça para espantar pernilongo, peixe frito e pitanga se confundiam ao longo dos dias que pareciam intermináveis, tanto era o tempo disponível para brincar, comer, nadar, brincar, dormir ou não fazer nada (sim, isso existe!)

Meu Deus, eu assisti ao casamento da Ladi Di com o Príncipe Charles em uma casa de praia. Ou tentei assistir, para ser mais clara. A televisão raramente pegava, e a imagem era tão cheia de fantasmas e chuviscos que freqüentemente perdíamos a paciência, isso quando o controle do vertical (lembram-se?) tinha que ser acionado para conseguirmos enxergar alguma coisa.

Houve um tempo em que eu gritava porque tinha sapo no box do banheiro, porque tinha minhoca no anzol, porque tinha besouro na mesa, porque minhas costas e meu corpo inteiro doíam e eu parecia um pimentão vermelho e porque minha barriga estava ralada de tanto pegar jacaré na prancha de isopor.

Eu já peguei bicho de pé na praia.

Já chorei de medo de histórias de terror contadas na praia.

Já tive paixonites de infância na praia, alimentadas pelo som de “Como uma Onda” do Lulu Santos no meu walk-man.

Já brinquei de jogo da memória na praia, de mímica de filmes, de fogãozinho de lenha para fazer arroz doce de verdade, de cavaleiro, de princesa, de sereia, de bola, de castelo, de gravar imitações de novelas de rádio em um gravador de fita-cassete.

Já guardei água salgada na garrafa de água mineral para levar para casa.

Já peguei um siri e coloquei em um balde para virar bicho de estimação (ele fugiu, lógico).

Já fiz coleção de conchinhas.

Já cresci. Mas essas lembranças não saem nunca de dentro de mim.

Elas vêm e voltam.

Como uma onda no mar.

sábado, 3 de outubro de 2009

E a gente ACHA que viaja...






Bom, a gente, leia-se: eu.

O que é que eu estou achando, pobre coitada de mim, que um dia me julguei capaz de criar um blog sobre viagem? Está certo que já passeei um bocado, é verdade. Mas um bocado comparado a quê?

A minha professora de Francês acha que esse negócio de comparar é uma bela de uma roubada.

Até o cara conhecer a classe executiva, acha que viajar de econômica é a oitava maravilha do mundo. Depois que a sorte o contempla, certo dia, com um tal de "upgrade"... Acabou-se a fantasia. Bom mesmo é a business class, o resto é, vamos dizer, resto...

Quando comecei a escrever aqui no Viajar Vicia, falei de uma conhecida minha, que mora em Londres, e que um dia acordou e decidiu passar um ano viajando pelo mundo. Claro que não deve ter sido bem assim, acredito, mas peço permissão para a intervenção da minha visão romântica. E não tenho dúvida que se tratou de uma decisão cercada de romantismo, até porque ela viajou com o namorado para conhecer nada mais nada menos do que... o mundo.

Uma volta ao mundo, com o namorado, por um ano. Ouvir novos idiomas a cada ponto da jornada, respirar diferentes odores, sentir temperaturas desconhecidas, brigar e fazer as pazes enquanto paisagens como essas que coloquei nesse post (SIM, foram eles que registraram esses cenários sem qualquer auxílio de photoshop, JURO!) ajudam a tornar o dia-a-dia desses dois um pouquinho diferente da rotina da grande maioria dos mortais...

Tinha um bocado de tempo que eu não dava uma lidinha na aventura dos dois, confesso. Só hoje, ao dar uma passadinha por lá, dei-me conta que eles partiram da Inglaterra em Outubro de 2008! E estão viajando até hoje! Minha professora que me desculpe, mas COMO não comparar? Coitados dos meus pacotes de uma semana na praia! Se eu juntar todas as viagens da minha vida não devem chegar nem perto do tempo de férias desses dois, que percorreram até agora um roteiro que contemplou o Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Fiji, Austrália, Bali, Java, Singapura, Malásia, Tailândia...

Não tô com inveja, gente... Tá, tô um pouco. E feliz por conhecer alguém assim, capaz de chutar o balde e meter o pé na estrada, brigar com escorpiões no chuveiro, nadar com tubarões, escalar montanhas... Um brinde ao ano sabático! Quem sabe um dia chego lá? (Em versão, digamos, um pouco menos radical...)