quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma passagem para... Onde?


A escolha está feita, você vai freqüentar um curso no exterior. Durante o período de sua empreitada, que pode ter a duração de duas semanas de férias, três meses de licença prêmio ou até mesmo um semestre (ou ano?) sabático, você vai virar estudante novamente, ou continuar a ser um estudante, mas daqueles que respiram ares diferentes.

Sem dúvida este é um passo importante. Grande para alguns, enorme para outros. Mas não se iluda: é apenas o primeiro, a decisão que dá a “arrancada” para as etapas que estão por vir.

Assim como não há passagens vendidas sem destino definido, também não se define um destino sem o cuidado devido. Para onde ir? Esta é uma pergunta com ramificações, pois para descobrir o caminho que resultará no sucesso de uma experiência como essa, é preciso, primeiramente, olhar um pouco para dentro de si. Quais são meus reais objetivos? Poderei alcançá-los com o curso que escolhi? Quão aberto estou para conviver com a cultura que me espera e estabelecer novas relações? Quão preparado me encontro em relação ao idioma estrangeiro? Estou ciente da série de mudanças que enfrentarei durante esse período (clima, alimentação, possíveis alterações no organismo)?

Obviamente, perguntas de ordem prática também não podem ser esquecidas. É crucial, por exemplo, saber se o país escolhido exige visto dos estudantes brasileiros. Se for o caso, é necessário saber se a sua documentação satisfaz às exigências do Consulado em questão. Isso ajuda a evitar a decepção de ter seu visto negado, às vezes em data próxima da viagem, o que causa, além de sentimentos como raiva e tristeza, prejuízos financeiros pelo cancelamento da passagem, curso, acomodação, etc.

Qual o orçamento que você dispõe? Como é o custo de vida na cidade onde viverá? Quantas horas por dia pretende se dedicar aos estudos? Lembre-se: sentir o lugar, conhecer pessoas, lidar com questões do dia-a-dia em outra realidade pode ser tão ou até mais importante do que seu aprendizado em sala de aula. Como estará o clima? A última consideração é importante, já que interfere, inclusive, no planejamento financeiro da viagem. Um exemplo é a necessidade de adquirir roupas apropriadas para um inverno rigoroso. Outro fator a ser considerado é o tipo de acomodação mais adequada ao seu perfil. Você é daquelas pessoas que adora compartilhar experiências e não se importa em dividir a rotina com uma família desconhecida, ou daquelas que preferem ter a privacidade preservada?

Parece uma longa estrada? Não se preocupe! A escolha de um bom consultor educacional fará toda diferença neste momento. Esse profissional o ajudará a percorrer a trilha dos questionamentos e buscar, junto com você, as respostas para todos eles. Aliás, nem todos... Sim, é possível se programar para aumentar consideravelmente as chances de sair satisfeito de sua jornada. Não, não se tem respostas para todos os desafios que você encontrará. No fundo, um toque de surpresa, a chance do inesperado, a beleza do desconhecido, tudo isso fará parte das alegrias de suas novas descobertas. E lhe darão mais ânimo para começar tudo novamente. E para um destino diferente.

Artigo de minha autoria, publicado na Revista Linha Direta - Fevereiro 2010 - Ed.143

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

É Carnaval... (É folia?????)


Já me vesti de havaiana uma vez (aí está a prova).
Já pulei carnaval em clube, mergulhando naquelas piscinas de serpentina, confete e montanhas de poeira estrategicamente posicionadas nos cantinhos do salão.
Já me deitei nessas montanhas e tive as pernas puxadas por meus irmãos, que nem carrinho de mão.
Já fiz parte do bailinho de carnaval da escola.
Já me misturei à "pipoca" no carnaval de Salvador.
Já vivi um carnaval de rua em Tiradentes, Ouro Preto...
Já varei inúmeras madrugadas vendo desfiles das Escolas de Samba pela TV, enquanto todos em casa dormiam.
Já briguei com namorados no Carnaval. Foram as piores, essas brigas, daquelas de deixar sequelas...
Já decorei enredo de Escola de Samba, torci pela Mangueira (sempre) sem jamais saber o motivo.
Já fui para a praia pra fugir do carnaval (e encontrei engarrafamentos estratosféricos).


Pôxa vida, como faz tempo que não viajo nessa época! No ano passado,escrevi um post sobre passar esse período em BH para redescobrir a cidade, e cá estou eu de novo, FAZENDO A MESMA COISA (êta cidade que gosta de ser redescoberta!!!!).

Logo eu, criadora do 'Viajar Vicia', fazendo parte da turma 'amo BH radicalmente - e provo'!!!!!

É, tenho que admitir, não viajei no Carnaval de novo! Me vi ali, na beira do ócio, maravilhando-me com o desfile dos blocos 'Nada pra fazer', '40 graus e ainda é nove da manhã', 'Não acredito que Júlia gripou no meio desse calor senegalesco', 'Como é bom ficar em família', 'O filme High School Musical - O desafio é MUITO fraco', 'Passar um dia no clube foi delicioso', 'Ver Bethoven (o cachorro) na TV me fez lembrar os momentos sessão da tarde em Ilhéus' (esse foi um bloco especialmente longo), 'Preciso desesperadamente saber lidar com o tempo livre', 'Não acredito que amanhã é quarta-feira de cinzas' e, por último, para fechar com chave de ouro: 'Não quero que o Carnaval acaaaaabe'!!!

Vai entender as mulheres :)

P.S - Jamais poderei deixar de mencionar (nossa, ficou fino) que não há coisa melhor no mundo do que ver (ou rever) filmes emocionantes em feriados prolongados. Nesse eu vi "Kolya, uma lição de amor" - lindo, perfeito! e revi "Encontros e Desencontros" - sem palavras, extremamente inspirador!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Voando de Azul por um céu cinzento


-Plim! - Acende o sinalzinho de apertar os cintos.

-Favor retornarem aos seus assentos! Estamos atravessando uma zona de instabilidade climática!

"Sei"- penso comigo, ajustando o cinto e evitando deixar a tensão tomar conta de mim.
À minha frente, o sorriso simpático da comissária com a boina vintage de cor azulada quase me faz esquecer a tempestade que se exibia ao fundo do horizonte. Uma, duas, três, trombas d'água! Coitada de São Paulo... Coitada de Campinas, Sorocaba, Valinhos...

Voei de Azul pela primeira vez, e foi ótimo. A turbulência nem foi tanta assim, a minha tremedeira era, na verdade, muito mais causada pelo medo da chuva despencar no momento do embarque. Como anda sofrendo aquela região! Como somos impotentes em relação a... como se chama? Ah, é, a instabilidade climática.

A Azul não tem assento do meio. São duas poltronas, o corredor, e mais duas poltronas ao lado. Por uma estranha razão, o único assento livre do vôo era logo o que estava ao meu lado. Feliz e perturbador, ao mesmo tempo.

As comissárias da Azul não usam aqueles carrinhos. Primeiro, elas vão de banco em banco perguntar o que a gente quer beber. No caso do meu vôo, bastava percorrer algumas fileiras para... "plim" e lá se iam as mocinhas apertar os cintos...

Quem escolhe suco, ganha um suquinho de caixinha e um copo com gelo. Quem quer refri, uma lata inteira. Num ponto é bom, no outro... Sei lá, dá medo de derramar tudo por causa da tal instabilidade climática. Moça, o copo tá aqui, mas cadê o suco??? Ah, ela foi se sentar e apertar os cintos...

E para comer,a simpática moça carrega uma cesta abarrotada de saquinhos de batata chips ou mini-waffers e sai desfilando pelo corredor. Pode pegar os dois? Êba, comemorei que nem criança. Os pacotinhos tem a logomarca da Azul e são bem bonitinhos. A batata vou dar para a Júlia quando chegar em casa. O waffer... Ah, tô com fome, vai...

Ao pousarmos em Confins, a equipe nos deseja uma "noite azul". No dia de hoje, penso em São Paulo com carinho, e desejo a todos seus habitantes infinitos dias, tardes, e noites azuis pela frente.
Vocês merecem!!!!