quinta-feira, 25 de março de 2010

Veneza Brasileira, o Leão do Norte

Foi assim que a proprietária de uma grande agência de intercâmbio definiu Recife, sua cidade natal, onde passei meus últimos dois dias.

Aliás, novidade: estou escrevendo este texto dentro de um avião, viva as estréias! Primeira vez tem um gostinho especial, e é realmente ótimo escrever levando esbarrões a cada... (Ops! Olha o meu cotovelo aí, por favor!) ...intervalo de 05 segundos. Estou na pista do aeroporto de Salvador, onde o avião da TAM faz uma escala antes de seguir rumo a Confins. Meus amigos (Ôpa, companheiro!!!!) de esbarrões são os que agora embarcam nesta aeronave com destino a BH, ávidos por pão de queijo, doce de leite e torresminho.

Minha viagem começou com um espirro. Aliás, o espirro aconteceu na noite anterior à minha partida e, por mais incrível que isso possa parecer, travou alguma coisa nas minhas costas. Acho que alguns leitores se encantaram com meu post sobre a viagem a São Paulo no Natal, quando sofri horrores devido a uma danada de uma enxaqueca intrometida, e agora essa... Quatro e meia da manhã, eu me desdobrando para calçar a meia sem dobrar (ai!) muito (ui, agora doeu!) a danada das costas... Cancelo ou não cancelo, vou ou não vou? Voei!

Muito calor, como não poderia deixar de ser, mas logo descubro ser um calor meio anormal para essa época do ano em Pernambuco – quem não estiver vivenciando experiências anômalas em relação ao clima que atire a primeira pedra (se for nas costas EU MATO!). Estico o pescoço para ver o mar da janela do táxi e logo me deparo com uma placa que avisa – DANGER – SHARKS – tudo bem, é mais fácil o tubarão me encontrar em uma das minhas reuniões previamente agendadas do que eu ter um tempinho para curtir a praia desta vez.

Taxistas simpáticos, suco de cajá, tapioca no almoço, chuva, sol, reunião, parceiros receptivos, papos interessantes, muito aprendizado, cama de mola (horrível), banho morno (pra lá de sofrível), Nossa Senhora, mas que dureza de hotel, meu Deus do céu!!! Gente, não fiquem no Onda Mar da praia de Boa Viagem, se essa hospedagem já foi boa um dia, deve ter sido na época em que Recife foi fundada, porque hoje... Paredes sujas, mobiliário velho, banheiro trincado, até a cobertura que abriga a piscina é meio apavorante (os muros de proteção são meio baixos, e a gente naquela altura danada, enfim...). Tá duro, Onda Mar! Não fosse pela simpatia do pessoal do hotel, tão característica do amigável povo nordestino... Juro que tive vontade de sair de lá correndo, mas depois de ligar para umas 5 opções de hospedagem e descobrir que nenhuma delas tinha disponibilidade, resolvi ficar quietinha por ali mesmo. Eu e minhas costas doídas na ‘agradabilíssima’ cama que me abrigou na quente noite de Recife. Olho para o prato que minutos antes abrigava uma canja e a única coisa que me vem à cabeça é fugir para Porto de Galinhas!!!!!!!!

Termino esse post sobrevoando esse céu do Brasil. Rapaz, não vejo a hora dessa minha coluna, músculo, espinha (SEI LÁ) voltar para o lugar! Só não tá mais desconfortável nessa cadeira do avião por falta de espaço! Como é que é, as poltronas de número 11 não reclinam? Me ajuda aí, comissária!!! Nunca soube disso na minha vida! Ah, é porque estou à frente da saída de emergência? Mas isso É uma emergência, tô travada e minha cadeira também!!!!!

A temperatura está boa em Confins, diz o comandante. Estamos voando a 38.000 pés e a uma velocidade aproximada de 800 quilômetros por hora. Passou rápido, de novo. No início de abril tem mais. BEIJOS!:)

P.S – Sou cada vez mais fã de revista de bordo. A-D-O-R-O, tenho vontade de colecionar todas elas. A da GOL, claro, é a melhor! Já no quesito lanchinho... :)

FOTO 1 - Na cobertura do Onda Mar. Que "meda"!
FOTO 2 - Vai um suco de cajá aí?


domingo, 7 de março de 2010

Viajar... E sentir-se em casa...



Ir à missa é algo que faço desde pequena.

Às vezes com mais frequência e, às vezes, por motivos variados, torno-me um pouco distante, mas nunca demais.

Ir à missa me faz falta. É uma parte importante da minha vida, da qual tenho inúmeras lembranças.

Fecho os olhos e me enxergo nas aulas de catecismo aos sábados. Lembro-me das excursões da igreja, principalmente quando eu e minha turminha fomos a um sítio abarrotado de jabuticabas. No ônibus, cantarolando, estávamos de barriga cheia e coração repleto.

Fecho os olhos novamente e me vejo, com minha prima, 'dublando' o refrão da coroação. Tempo depois, já um pouquinho mais velha, participando do ensaio, sonho com o momento inesquecível de, enfim, coroar Nossa Senhora. Penso nas lembrancinhas, aqueles cones cheios de praliné.

Lembro com carinho da minha primeira comunhão, na franja do meu cabelo que minha mãe inventou de cortar - e deixar torta, no lindo bolo que minha avó paterna encomendou, com um enfeite de trigos que completou a beleza do evento, da pequena bíblia que ganhei.

Tão bom era frequentar a missa e correr para a fila onde minha avó materna entregava a comunhão, e o melhor, fazer parte dela!

Quando pequena, frequentei um acampamento em São Paulo, e quando ia à missa que se celebrava por lá, lágrimas corriam pelas minhas bochechas. Choro de saudade - Missa lembrava meus pais - sempre. Missa lembrava família.

Certa vez, quando acompanhei um grupo de alunos para um curso de imersão em uma Universidade na Flórida, conheci uma senhora que me levou a frequentar a missa no campus todos os dias pela manhã. Mesmo com frio, névoa, até mesmo chuva, lá estávamos nós ouvindo a missa em inglês e seguindo a leitura do dia em Português. "Faz bem" - ela me disse. "Faz mesmo" - concordei.

Já assisti à missa com um boníssimo Irmão Marista, velhinho, lá de Araçuaí, na Catedral de Notre Dame, em Paris. Sem dúvida foi um evento impressionante, todos aqueles folhetos em diversas línguas, toda a imponência da celebração...

Já presenciei uma canonização em Roma, ou melhor, tentei presenciar, pois junto com 6 colegas éramos os responsáveis por um grupo de 400 peregrinos. Uma das melhores (e piores) experiências da minha vida.

Já assisti a missas em Roma, Assis... Frequentei igrejas em praias do litoral do Espírito Santo durante as férias... Já parei em um sem número de igrejinhas, onde fechei os olhos e fiz três pedidos. Quantas vezes já agradeci três vezes ao invés de pedir.

Já me apaixonei por igrejas indescritíveis, como a Notre Dame em Montréal ou a Sainte Chapelle em Paris. Já tive uma experiência um pouco mística no interior da França, já participei de uma celebração em uma igreja anglicana na Austrália, já chorei em uma igreja no Canadá. Naquela época, eram tantos os sentimentos envolvidos...

O mais importante de tudo, porém, é que em todas elas, independente da construção, da cor, da importância histórica, do tamanho, elas me acolheram, muitas vezes em terras longínquas...

E me senti em casa.


Foto: Igrejinha de Santa Quitéria_Catas Altas_Ricardo Avelar Andrade-BH-MG
Terceiro Lugar no "Clique Turismo 2009" - Minas Gerais