domingo, 7 de março de 2010

Viajar... E sentir-se em casa...



Ir à missa é algo que faço desde pequena.

Às vezes com mais frequência e, às vezes, por motivos variados, torno-me um pouco distante, mas nunca demais.

Ir à missa me faz falta. É uma parte importante da minha vida, da qual tenho inúmeras lembranças.

Fecho os olhos e me enxergo nas aulas de catecismo aos sábados. Lembro-me das excursões da igreja, principalmente quando eu e minha turminha fomos a um sítio abarrotado de jabuticabas. No ônibus, cantarolando, estávamos de barriga cheia e coração repleto.

Fecho os olhos novamente e me vejo, com minha prima, 'dublando' o refrão da coroação. Tempo depois, já um pouquinho mais velha, participando do ensaio, sonho com o momento inesquecível de, enfim, coroar Nossa Senhora. Penso nas lembrancinhas, aqueles cones cheios de praliné.

Lembro com carinho da minha primeira comunhão, na franja do meu cabelo que minha mãe inventou de cortar - e deixar torta, no lindo bolo que minha avó paterna encomendou, com um enfeite de trigos que completou a beleza do evento, da pequena bíblia que ganhei.

Tão bom era frequentar a missa e correr para a fila onde minha avó materna entregava a comunhão, e o melhor, fazer parte dela!

Quando pequena, frequentei um acampamento em São Paulo, e quando ia à missa que se celebrava por lá, lágrimas corriam pelas minhas bochechas. Choro de saudade - Missa lembrava meus pais - sempre. Missa lembrava família.

Certa vez, quando acompanhei um grupo de alunos para um curso de imersão em uma Universidade na Flórida, conheci uma senhora que me levou a frequentar a missa no campus todos os dias pela manhã. Mesmo com frio, névoa, até mesmo chuva, lá estávamos nós ouvindo a missa em inglês e seguindo a leitura do dia em Português. "Faz bem" - ela me disse. "Faz mesmo" - concordei.

Já assisti à missa com um boníssimo Irmão Marista, velhinho, lá de Araçuaí, na Catedral de Notre Dame, em Paris. Sem dúvida foi um evento impressionante, todos aqueles folhetos em diversas línguas, toda a imponência da celebração...

Já presenciei uma canonização em Roma, ou melhor, tentei presenciar, pois junto com 6 colegas éramos os responsáveis por um grupo de 400 peregrinos. Uma das melhores (e piores) experiências da minha vida.

Já assisti a missas em Roma, Assis... Frequentei igrejas em praias do litoral do Espírito Santo durante as férias... Já parei em um sem número de igrejinhas, onde fechei os olhos e fiz três pedidos. Quantas vezes já agradeci três vezes ao invés de pedir.

Já me apaixonei por igrejas indescritíveis, como a Notre Dame em Montréal ou a Sainte Chapelle em Paris. Já tive uma experiência um pouco mística no interior da França, já participei de uma celebração em uma igreja anglicana na Austrália, já chorei em uma igreja no Canadá. Naquela época, eram tantos os sentimentos envolvidos...

O mais importante de tudo, porém, é que em todas elas, independente da construção, da cor, da importância histórica, do tamanho, elas me acolheram, muitas vezes em terras longínquas...

E me senti em casa.


Foto: Igrejinha de Santa Quitéria_Catas Altas_Ricardo Avelar Andrade-BH-MG
Terceiro Lugar no "Clique Turismo 2009" - Minas Gerais

5 comentários:

  1. É verdade!
    Quando estava em Firenze e recebi a notícia que o Marcilo estava mal, no Hospital, meu primeiro impulso foi correr para uma Igreja (por coinscidência, quando entrei, a missa estava começando). No final da missa, procurei pelo padre (baixinho e velhinho, muito fofo, parecia até um santinho), e foi conversando com ele, que fui me acalmando, conseguindo por ordem aos meus pensamentos, e me preparando psicologicamente para a volta precipitada ao Brasil...
    Ter fé e frequentar uma Igreja, prá mim pelo menos, é de suma importância.
    Sei que Deus está em toda parte, mas na Igreja a gente tem aquele "colo" que ampara e acalenta. Você não concorda?
    Beijo grande e feliz dia 8 prá você!

    Cid@

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  2. LINDO, LINDO, LINDO! LEMBREI DEMAIS DE NÓS DUAS DUBLANDO NA IGREJA SANTO INACIO, PARTICIPANDO DOS ENSAIOS COM A GESSY E A DARCY, LEMBRA? E AQUELAS SOBRINHAS, COM VOZ DE NEGRA AMERICANA, QUE ÓDIO QUE DAVA! E A GENTE BRIGANDO PARA LEVAR O TERÇO, A COROA, O VÉU...E O TRIO: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE? LEMBRO ATÉ HOJE DAS CORES!BARANGUICE...MAS O MELHOR ERAM AS LEMBRANCINHAS, SÓ COISA BOA!O MELHOR: QUANDO O DR. ALUISIO (LEMBRA?) ELOGIAVA A NOSSA VOZ...KKKKKK...E A GENTE SÓ DUBLANDO...KKKKKKK ...E O PADRE PAULO QUE FICAVA BALANÇANDO NO ALTAR E A GENTE FICAVA OLHANDO PARA O SAPATO DELE ACHANDO QUE ELE IA CAIR...É, LU! MELHOR NÃO DEIXAR A JUJU LER ISSO!E DÁ-LHE REZA!BONS TEMPOS...

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  3. Ahahahahahaha
    Passei mal de rir do seu comentário!
    Só não lembro do Dr.Aluisio, quem é ele?

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  4. ERA AMIGO DA MÃE LETA, COROA BONITÃO...ERA FINO, IGUAL AO CHIQUINHO "MEU IRRRRRMÃO".

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  5. Igreja é bom em qualquer lugar do mundo. Pode ser uma capelinha num lugar no meio do nada que sentimos a fé que está em nós. Pode também ser uma missa na Notre Dame de Paris.Jamais me esquecerei do som daquele orgão.Lindo demais!
    Lembra-se das viagens que fazíamos com a mãe Leta? A primeira coisa que ela queria visitar em qualquer cidade era uma Igreja. Acho que herdamos isso.
    Mil beijos. Amo seus escritos.

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