quarta-feira, 28 de abril de 2010

Obrigada, obrigada! Aproveito o Viajar Vicia para agradecer quem prestigiou o lançamento do meu livro 'Palavra de Criança'






Olá pessoal, fiquei muito emocionada e tocada com a presença de cada um de vocês no lançamento do livro “Palavra de Criança”. A todos que colaboraram com frases, meu MUITO OBRIGADA! A todos que dedicaram seu tempo para prestigiar o evento, MEU CARINHO e AGRADECIMENTO!!!! A todos que, de longe, torceram por mim, MUITOS BEIJOS e ABRAÇOS!!!! Que continuemos firmes e fortes com o blog!!!! Na semana que vem recomeçarei com toda força os novos posts no Palavra de Criança!!! Beijos e confiram as fotos!
Para mais informações, acessem www.matrixeditora.com.br

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pequenos detalhes de uma cidade chamada Paris.






Céu branco. Calor no metrô. Vento gelado na saída do metrô.

Muita gente. Muita gente diferente. Muito penteado diferente, corte de cabelo, cabelo-afro, preso em um coque. Gente com cara de mundo, gente com cara de França. Francês, pra mim, tem cara de francês, não tem jeito. Todos magrinhos, todos com nariz grande, rostos bonitos, bochechas rosas de frio. As meninas tem jeito de bailarinas. Mas a França é hoje muito mais, não só azul, branca e vermelha, mas também marrom, negra e amarela. A França é um mundo. Muita gente.

O celular conectado à internet virou um ícone. Onde olhamos, lá estão os parisienses com o fone nos ouvidos e o telefone à mão. A cor do aparelho muda, o hábito não. No metrô, na estação de trem, no trabalho, na rua, esperando o ônibus, a companhia é certa, mesmo estando só. Pedi uma informação a um jovem e ele, gentilmente, pegou o telefone e digitou o meu destino no Googlemaps. Acabou-se a era do “vira pra lá e vai direto”, gesticulando com o braço. Ou, para ser mais original, acabou-se a época do “siga o rumo do seu nariz”. Sim, uma vez já ouvi essa indicação em uma viagem de carro a Cabo Frio...

O tênis All-Star, ou Converse, é também uma instituição. A garrafa de água mineral é inseparável. Vale também uma caixa de 1 litro de suco, Garrafa Pet de 2 litros de água com sabor, não tem mal tempo. Difícil é ver alguém que não leve uma embalagem na bolsa ou a carregue nas mãos.

Paris é glamour e é pobreza. É grife e é lata de lixo. Aliás, o lixo não é de lata, pois todas as lixeiras públicas são de saco plástico transparente, que são trocados periodicamente. Os homens são muito elegantes, as meninas têm moda no sangue, enquanto outros têm fome. Não há como não se comover, estando no Brasil ou na França. Choca ver pessoas dormindo no metrô, embaixo de marquises, pedindo esmolas na porta das mais lindas igrejas ou nas bilheterias das estações, comendo sobras das lanchonetes, sendo acolhidas pelo “Samu Social”, como vi ocorrer com um senhor que morava embaixo de uma das marquises da linda e insuperável Place des Vosges.

O céu de Paris é tracejado. São desenhos formados pelos aviões. Impossível não
notar no céu azul os inúmeros caminhos que eles percorrem. O mundo inteiro passa por aqui a cada minuto. O tempo todo. Qual seria a linha que deixei? Ou que ainda deixarei?

Paris é a terra do vinho, do queijo, da boa culinária, do croissant, do pain au chocolat, da graça e do charme dos cafés à beira da rua, do cigarro, da bicicleta, da baguete conduzida pela mão e embalada apenas com um papelzinho no meio. Paris é a cidade dos turistas que a descobrem pela primeira vez, mas também é para os que têm sorte de vê-la novamente, em uma segunda oportunidade, e, assim, descobri-la de outra maneira... Um turismo por camadas... Vemos primeiro o que achamos que é essencial, para encontrar a essência algumas visitas depois...

O vento bate e carrega minúsculas flores brancas pelo ar. É a neve da primavera. Um passeio por um jardim sobre um viaduto, em meio à dinâmica capital francesa, tem o poder de nos transportar para outro tempo, um tempo que desacelera. É importante saber desacelerar.

É sábado. O céu azul e o vento gelado continuam. Gelado para mim, brasileira, não para alguns que vejo passar de camiseta de algodão, sem casaco nenhum. Meus ouvidos doem, eles sorriem ao ver o sol. Um delicioso passeio pelo Bois de Boulogne me faz pensar na minha minha filha. Saio tirando fotos como uma desesperada, tantas as novidades que vejo no caminho. Por que nunca pensamos em fazer esse brinquedo? E aquele? E o outro lá embaixo? Sim, moço, vou fazer o passeio de barquinho, sou só eu mesma, carrego minha filha no coração... Fotos, fotos, crepe de nutela com café, foto da crepe de nutela com café, hora de ir embora para o centro da cidade.

Vim aqui com medo de cara feia, fui surpreendida pela amabilidade de alguns. Vim para trabalhar, descobri que é também possível ser turista nas horas vagas. É possível ser muito em Paris, porque a cidade é assim. Intensa. Viva. Colorida. Fria. Quente. Cheia.

Na bagagem, levo lembranças para os que ficaram. Para mim, bastam as fotos, os cheiros, os gostos, a dor nos ombros, o cansaço físico, a saudade, o êxtase, a admiração, o pesar, o vento gelado que passeia pela nuca, o inchaço dos pés, os lábios rachados de frio e o sorriso de quem um dia, ah, um dia, pretende voltar pra descobrir um pouquinho mais disso daqui.


PS – Esse é o primeiro post (e talvez o único) que escrevo na fila de um check-in (em pé, apoiando o notebook no carrinho de bagagem!).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Parada... Na parada...

À frente, dois homens fazem uma dancinha instantaneamente ensaiada. Bracinhos pra lá, palma, bracinhos pra cá, palma.
Eles estão sentados no porta-malas de um carro antigo (bem, quando escrevi antigo, quis dizer VELHO mesmo). O porta-malas está aberto, o som ferve pelos auto-falantes que não suportam o grave e fazem um barulho de chiado. Mas tá valendo.
Minha cunhada imita a dança, logo sigo atrás. Minha filha também. Estamos no nosso carro, com os vidros abertos, um calor de melar, a roupa chega a grudar. Não resta muito a fazer, a não ser ver os moços empolgados com o ar de "estressar pra que, já estamos na lama mesmo".
Parados. Completamente parados. Uma fila de carros imensa à frente, outra seguindo atrás de nós. Eu, meu irmão, minha cunhada, e três crianças cansadas de tentar entender porque cargas d'água elas não chegam nunca em casa.

Era uma vez duas famílias que quiseram ir a uma Parada da Disney no bairro da Pampulha, na cidade de Belo Horizonte, promovida pela Nestlé. Era uma vez duas famílias que imaginaram ser capazes de ver as Princesas da Disney e a turma do Toy Story. Ao contrário, viram uma multidão de pessoas se aproximando da orla da lagoa, sem entenderem o que deveriam fazer para participar de tão promissor espetáculo.

-Vou sentar aonde?
-Só se for na cabeça das pessoas.
-Ou em cima do banheiro químico, olha lá, tá cheio de criança ali em cima.
-Vai passar aonde essa parada?
-Sei não.
-Mas você não trabalha pra eles? Tá toda uniformizada!

Surreal... Surreal a quantidade de pessoas, surreal a quantidade de folhetos sendo distribuídos, de campanha anti-dengue a curso de inglês, e que imediatamente eram despejados no chão... Surreal as mães carregando recém-nascidos debaixo de um sol de rachar mamona... Surreal perceber que, apesar do esforço, ia ser tarefa impossível conseguir enxergar alguma coisa!

-Quero sair daqui - reclamavam as crianças.
-Vamos lá no parque Guanabara então (eu disse), quem sabe lá a gente vê alguma coisa.

E a gente viu: mais fila, mais gente, mais calor, mais reclamação, mais estresse. Quem foi mesmo quem teve a brilhante idéia de vir aqui??? Ah, sim, fui eu.

-Vamos lá para a pracinha da frente, quem sabe a gente vê alguma coisa.
-Mas tá lotada.
-Põe os meninos no ombro.
-Põe no teto do banheiro químico.
-Não, é melhor no ombro.
-Gente, eu não consigo, a Júlia tá pesada demais, tem que ser assim, ó, levantando ela e segurando pelas pernas!!! Tá vendo, filha?
-Tô, mãe, é a turma do Toy Story, o Woody...
-Não olha pra mim, filha, olha pra FRENTE! Eu aqui te carregando, e você olha pra MIM?
-Mãe...
-QUÊ???
-Não tá passando nada, pode me descer, acho que é intervalo.

Ufa... Balanço os braços, respiro fundo, OLHA AS PRINCESAS, agarro a Júlia, subo ela de novo...

-Tá vendo, filha???
-Tô, mãe, a Ariel tá linda, o Sebastian tá bem atrás, e...
-OLHA PRA FRENTE, Júlia! Para de olhar pra mim!

Tio Léo, nesse momento, entra em ação e pega a Júlia nos ombros. Os meninos reclamam, estão com ciúmes. Gente, gente, é hora das princesas, dá uma chance para a prima!

-Mãe, tô vendo a coroa! - Grita a menina do lado, cuja mãe era baixinha...

-Mãe? MÃE!!!! (Ah, dessa vez era a Júlia)
-Que foi, filha???
-Tô toda pinicando, tá doendo, tá coçando, ai, ai, ai!

Pronto, era só o que me faltava. Uma crise alérgica agora.

-Foi aquela hora que você me sentou no telhado do banheiro químico.
-SHHHHHH.... Fica quieta, filha!!!!!!!! Ninguém pode descobrir que sua mãe fez isso!!! Isso foi um momento de insanidade! Foi um minutinho só, depois eu tirei!
-Tá coçando, mãe!
-Tira a roupa! Tira a blusa!
-Não quero,mãe.
-Gente, o pior é que eu tô coçando também, e nem fui no banheiro químico... O que é que tá acontecendo? Tá pinicando, uma coisa esquisita!

Um minuto depois, Luca começa a reclamar. Graças a Deus a parada tinha acabado. Não que fizesse alguma diferença, já que não vi nada mesmo. Ai, tá coçando, minhas costas doem, tô com calor.

Mais uns minutos enfrentando a multidão para ir até o carro. Resolvemos dar um tempinho na casa de um amigo do meu irmão, que mora ali do lado, para esperar a multidão ir embora.

Doce ilusão. Tudo bem, demoramos um pouquinho, demos banho de ducha nos meninos em plena área da piscina, arrancamos as roupas, esfregamos sabonete, Júlia empolou, uma delícia! É planta mesmo, tem que passar bucha vegetal para tirar os micro-espinhos. Micro-espinhos... Essa foi demais. Júlia põe a roupa e grita de novo. Claro, tá tudo na roupa dela. Pega a blusa do Yuri, é o único que não tá coçando. Yuri fica sem blusa, Júlia de Homem Aranha.

-Que cheiro é esse?
-De carro estragado.
-Mas que carro é esse?
-Uma Belina.
-Belina é carro?
-Depende do ponto de vista.
-E esse?
-Um Corcel.
-Estragou também?
-O que você acha????

Duas horas no carro. DUAS HORAS. Não, você não leu errado. Duas horas, e voltamos para a dancinha à nossa frente. Quanto tempo durou a parada? Sei lá, meia hora. Ah, contando com a parada no trânsito? Umas três horas e meia... Ah, contando com a parada que fizemos em um restaurante para comer espetinho, correr atrás de bolha de sabão e esperar o trânsito acalmar? Umas quatro horas e meia.

Ao sairmos do tal restaurante, em uma avenida movimentada do bairro Ouro Preto, cansados, extenuados, loucos para chegar em casa, ouvimos uma menina de uns 6 anos de idade reclamar para sua mãe:

-Ah, neeem.... Uma hora parada aqui e nem é ponto de ônibus????????????

Tem gente em pior situação, pensei, reunindo as últimas energias para a derradeira etapa da viagem...


Bom-humor à parte, fica a indignação pela ABSURDA falta de organização do evento. Melhor não tê-lo. Sofreu a Pampulha, a cidade, a criança, os pais, enfim, um CAOS. Verdadeiro CAOS.

Era uma vez, três crianças esperançosas...

Que tiveram que contar com colos solidários...


Era uma vez pais que passaram a contar com 'adereços' pesadinhos nos ombros...


Que tiveram de esticar o braço até o último grau para conseguir uma foto que engana bem quem pensou que realmente VIMOS a parada...


Ou enfrentar filas intermináveis de carros...


PARADA (Poxa, mais uma?) para um espetinho... Uma hora e meia enrolando para o trânsito melhorar... E alguém esperando em um ponto de ônibus imaginário por uma hora... Uma aventura para ficar na história. NUNCA MAIS...