sábado, 30 de outubro de 2010

Longe de tudo, longe de você...


Sim, sou da época do Ira. Amava o Ira, já vi inúmeros de seus shows, que tanto embalaram minha adolescência e época de faculdade. O título deste post é em homenagem a essa banda que é tudo de bom, e que criou a música "Longe de tudo".

Mas o post é em homenagem a um de meus intercambistas. Outro dia recebi um e-mail pedindo que eu falasse um pouco, aqui no Viajar Vicia, sobre "relacionamentos no exterior".

Em primeiro lugar é bom deixar claro que eu não sou psicóloga, nem expert em relacionamentos, muito menos no exterior (acho que os daqui já nos consomem um bocado de energia), mas foi impossível não me identificar com esse meu intercambista. Sou do tempo do IRA, mas já fui adolescente. Já me apaixonei aos 15 anos com uma força tão grande como se encontrasse, ali, o amor da minha vida. Mas nunca escrevi sobre isso...

Quando fazemos nossas reuniões preparatórias destinadas aos alunos de High School (aqueles que optam por fazer parte do Ensino Médio no exterior), o relacionamento é um dos tópicos abordados. "Observem" - pedimos - "Vejam como as coisas acontecem, como os relacionamentos são construídos... Um simples flerte no Brasil pode ser uma ofensa lá fora, e vice-versa. Diferenças culturais podem ser tão ou mais complicadas do que as diferenças entre homens e mulheres."

Só que não paramos por aí. Pedimos também que eles evitem relacionamentos sérios. Hoje fiquei pensando sobre isso... Como evitar uma coisa dessas? Alguém aqui já conseguiu ter controle suficiente quantos às coisas do coração, a ponto de dizer: Hum... Com você não, só me envolvo 62%, se passar disso eu recuo... KKKKK

Nossa intenção é boa, diga-se de passagem. Queremos evitar o sofrimento de um relacionamento que tem data e hora para acabar... Não é fácil viver apaixonado por aquela menina da Groelândia cujas chances de reencontrar beiram impossível... Por outro lado, viver é risco. Não estou aqui dizendo que devemos pular da ponte para fazer a adrenalina se movimentar pelo corpo, por favor! Isso é estupidez. O risco ao qual me refiro é simplesmente é o de... Entregar-se à vida. Entender o que ela nos propõe. Não dá pra mergulhar sem sentir a água gelada primeiro. Não dá para ter prazer se o medo de sofrer for maior.

Existem vários tipos de amor: O primeiro, o último, o da adolescência, o da faculdade, o sofrido, o ingênuo, o pra sempre, o do intercâmbio. Quando este último acontece, geralmente une pessoas com cenários tão distintos quanto o mar e o deserto. A mágica disso tudo é que, apesar de tamanhas diferenças, existem coisas que são, quem diria, UNIVERSAIS.

O amor é universal. Seja o primeiro, o do meio, último, não importa. Todos nós o buscamos, de uma maneira ou outra, e às vezes o encontramos longe de tudo, longe até de nós mesmos, lá no meio da região rural de Wisconsin, ou no Estado de Queensland, ou mesmo nas maravilhosas praias do Sul da França (cá entre nós, no quesito romantismo, sou mais a última opção).

Querido intercambista, falo a você como se agora falasse com todos os adolescentes que passam por mim nessa "Próxima Estação:Intercâmbio". O que quero dizer, no fundinho, é que embarque nesse trem, sem se esquecer de ítens essenciais na bagagem: cautela, senso de direção, auto-estima e muita alegria pela vida. Se algum sofrimento vier pelo caminho, não será o primeiro e nem o último, acredite. O importante é poder olhar para trás e dizer: VALEU A PENA!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Elixir da Juventude


Trabalho com intercâmbio cultural há 16 anos.
Hoje meu tempo de experiência profissional tem a idade dos meus clientes!!!
Arrrgh!!!! Isso me assusta =D

Houve uma época em que eu me identificava totalmente com os adolescentes que me procuravam: quase os mesmos gostos, as mesmas roupas, as mesmas preocupações.
Hoje me identifico com os pais!!!!

Teve um tempo em que meus clientes perguntavam assim:
-Luiza, se fosse você, pra onde você iria?
Hoje o que eu mais escuto é:
-Luiza, se fosse sua filha, o que você faria???

Teve um tempo em que meus clientes me viam como amiga, confidente, no máximo uma irmã um pouquiiiiinho mais velha.
Hoje me vêem como uma tia "gente boa" - Bom, o gente boa ficou por minha conta, mas realmente espero que eles concordem!

Brincadeiras à parte, não tem receita melhor pra manter a mente jovem do que trabalhar com essa 'moçada'. Realmente não sei se 'moçada' é gíria de mineira ou uma maneira de falar ultrapassada, mas se você entendeu... Melhor se preocupar.

Trabalhar com adolescentes é a melhor maneira de ficar atualizada.Hoje praticamente não converso com eles por e-mail, só pelo Facebook. Criei um grupo chamado "Próxima Estação:Intercâmbio" lá no Facebook mesmo, onde eu posto as incríveis fotos que eles andam tirando por aí, no quintal da casa deles: Londres, Paris, ou alguma cidade do interior do Canadá, no litoral da Austrália, nas montanhas da Nova Zelândia, na Costa Azul da França... Melhor forma de comunicação não há.

Se devo hoje à minha filha o fato de saber o que é Bakugan,Littlest Pet Shop,iCarly e Nintendo DS-i, devo aos meus queridos clientes as músicas atuais presentes no meu Ipod, a estar mais ou menos por dentro dos modelos disponíveis do Ipad, às idas no cinema para ver a Saga Crepúsculo (JURO que li os 4 livros!!) etc etc...

Hoje não há dia em que não abra o MSN, mesmo que seja de madrugada, sem ver aquelas luzinhas verdes de adolescentes "disponíveis".

-Nossa, Luiza, vou ver o show do Gorillaz esse final de semana!
-Ah, legal... E aí, como estão as coisas? - eu pergunto.
-Tudo ótimo! E blá... blá... blá.. blá...
15 minutos depois...
-Posso perguntar uma coisa? - eu questiono, meio sem graça.
-Claro!
-O que é... Exatamente... Gorillaz? (Sim, sei que é um animal horrendo, mas além disso?)

E dá-lhe link do Youtube como resposta...

-Pô, Luiza,é uma banda antiga virtual (se é virtual não pode ser antiga, eu penso, e lá vou eu clicar no link do Youtube...)

Delícia, a banda. E mais delícia ainda, eu conhecia a música!!!

-É porque é antiga, Luiza, eu falei!

E eu achando que tinha achado o elixir da juventude...

=D

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Alô alô Paiol eu gosto de você



Ontem foi 10/10/10, o que me fez pensar na época em que eu tinha 10 anos. Nessa idade, viajei pela primeira vez ao Paiol, um acampamento no interior de São Paulo, pertinho de São Bento do Sapucaí.

Eram férias de julho, um frio de rachar.

Meus pais me levaram de carro, lembro-me bem. Dormimos em uma cidade com cheiro de biscoito antes de prosseguirmos, no dia seguinte, para aquela que seria minha casa (na verdade um chalé) durante um mês.

Um mês pode ser um século para quem tem 10 anos.

Quando paro para pensar, acho que acabei mesmo aprendendo lições para um século de vida...

Sabe quando a gente volta de férias e a professora pede para escrevermos uma redação?

A minha começaria assim: No Paiol eu aprendi...

... A arrumar a cama todos os dias, tendo o cuidado de olhar embaixo do estrado para ver se não tinham beirinhas travessas de lençol dependuradas pelas gretas: a gente perdia ponto na inspeção.

... A dormir sem me mexer, pois o frio era tão grande que eu só conseguia manter aquecida a parte do colchão ocupada por mim. Se chegasse um centímetro pra direita ou esquerda, ai, que lençol gelado!!!!

... A tomar banho contando os minutos, pois tinham quase 30 colegas disputando os chuveiros.

... Que pensar em equipe pode ser mais divertido do que pensar sozinho.

... Que apesar de ser péssima em esportes, sempre tinha alguém me convidando pro seu time, afinal de contas a amizade vale mais.

... Que mesmo que nos achemos péssimos em esportes, é sempre possível que alguma modalidade nos surpreenda e diga "ei, você leva jeito pra isso!" - No meu caso, foi o tiro ao alvo (por mais surreal que isso pudesse parecer na época).

... Que escrever cartas para quem faz falta pode ser mais do que um passatempo - e se tornar uma declaração de amor.

... Que receber cartas de quem se ama pode mudar o dia - ou a semana.

... Que as pessoas que pensam que escalar montanhas cura medo de altura estão absurdamente enganadas!

... Que a vista da pedra do Baú e do Bauzinho pela janela do segundo andar de uma beliche compensa qualquer colchão gelado e estrado duro.

... Que ter dor de garganta fora de casa é que nem dor na alma.

... Que quando bate a saudade, dá vontade de chorar só de ver o nome da gente escrito em cada pecinha de roupa (obra de uma mãe zelosa)...

... Que apesar do zelo da mais querida das mães, é impossível não passar horas procurando suas roupas no meio de outras duzentas de suas colegas, assim que elas voltam em forma de "trouxas" da lavanderia.

... Que comer bife de fígado não é tão horrível se a gente tampar o nariz e pensar em brigadeiro enquanto engole.

... Que mingau no café da manhã pode virar pudim na janta, ou vice-versa. E se você não comer, bem... Aí não come, simples assim!

E que quando uma música é cantada em volta da fogueira, a gente não esquece nunca mais, nem depois de muitos, muitos, e muitos anos...

Alô, alô Paiol, eu gosto de você...
Tchibum, Tchibum, chaiá, chalaiálaiálaiá...
Quando ele se vai tudo é desprazer
têm-se a impressão de que se vai morrer
Mas eu amoooo
E gosto dele assim
Assado, cozido, fritinho, enrolado, todinho pra mim!

Ai, como é bom voltar no tempo!
Feliz dia das crianças a todos que acompanham meu blog...

sábado, 2 de outubro de 2010

Que seja eterna enquanto dure



O que torna uma viagem perfeita?

Acredito que várias respostas podem ser dadas, ou um conjunto delas: companhia, local escolhido, época do ano, a programação (ou a falta dela), o clima, o hotel, o serviço, a quantidade de dinheiro disponível, a disposição física e psicológica, etc, etc, etc.

E o ítem 'duração', será que conta? Talvez no sentido de que não seja grande demais a ponto de saturar o viajante, nem pequena demais a ponto de não permitir que seja desfrutada. Nem grande, nem pequena. Na medida certa.

No final de semana passado, fomos à Águas do Treme Lake Resort, bem pertinho de Sete Lagoas (1 hora de BH).
O clima? Sol e céu azul.
A água da piscina? Gelada, o que rendeu boas risadas.
O serviço? Vamos dizer que esqueceram nosso pedido e que o sanduíche levou uma hora e meia para chegar à mesa, mas quem se importa se o objetivo é descansar?
A companhia? Deliciosa! Nada melhor do que curtir a família...
A programação? Andar de "trenzinho" sobre rodas para conhecer a estrutura do hotel e seus arredores, procurar o pangaré mais mansinho para a cavalgada da Juju, observar o vôo gracioso das garças, ver uma casinha de João de Barro ao vivo, catar coquinho (literalmente), conhecer a casinha dos "Três Porquinhos", observar outros hóspedes pescando no lago...

Uma viagem não precisa ser longa para ser válida. Uma escapadinha, ou "escapulida", como gostamos de dizer, é mais do que suficiente para deixar a semana diferente. É impressionante como poucas horas de passeio podem trazer recordações incríveis, como o primeiro passeio de bicicleta feito em família, que nem mesmo o banquinho danado de duro da minha bike foi capaz de estragar.

Acho que o que faz uma viagem perfeita é não buscar a perfeição, é deixar que ela aconteça. E saber percebê-la, esteja onde estiver.