sexta-feira, 15 de abril de 2011

RIO!



Há alguns (bons) anos, quando eu trabalhava organizando intercâmbios para os colégios da Rede Marista, fizemos um vídeo com cenas dos alunos que viajaram para a Irlanda.

Lembro-me muito bem que a “música-tema” do início do tal vídeo era “Samba do Avião”, com a deliciosa voz de Tom Jobim:

Minha alma canta / Vejo o Rio de Janeiro / Estou morrendo de saudade / Rio seu mar / Praia sem fim / Rio você foi feito pra mim

Cristo Redentor / Braços abertos sobre a Guanabara / Este samba é só porque / Rio eu gosto de você / A morena vai sambar / Seu corpo todo balançar / Rio de sol, de céu, de mar... Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão...

Era do Rio que partia a aeronave rumo à Europa, com aquele montão de adolescentes ansiosos que não viam a hora de chegar a Dublin.

Foi do Rio que partiu a aeronave que me levou à França em minha primeira viagem internacional, lááá no início da adolescência.

Quantas férias passei no Rio de Janeiro... Já perdi a conta, foram inúmeras. Em uma delas, ainda criança, fizemos um passeio no Galeão... Que barato, sair em família para conhecer um aeroporto internacional! E como eu curti tudo aquilo, o ônibus executivo que nos levou até lá... Que coisa maluca, um “passeio” que hoje chamaria fácil de “traslado”...

Rio pra mim tem gosto de infância, de primeira visita ao Mc Donald`s, de biscoito Globo, de mate na praia, de viagem de barco rumo a Paquetá...

Foi no Rio que empinei pipa correndo pela areia, me perdi por horas na praia, foi ali que me apaixonei pelo milk-shake do Bob’s, e foi nessa cidade que vi inúmeras asas-deltas colorirem o céu da Praia do Pepino.

Rio tem jeito de novela da Globo, gosto de sorvete da Shaika, temperaturas tão elevadas que fazem a roupa colar na pele e que curiosamente trazem junto lembranças gostosas de patinar na pista de gelo do Barra Shopping...

São tantas as bagagens que carrego do Rio: Seu planetário, seu Jardim Botânico, a rede da varanda da casa da minha tia... As hospedagens no “Iglu” (eram como barracas de acampamento, porém em fibras de vidro, verdadeiros “iglus” que nos acomodavam na Barra...), a emoção que se renovava a cada vez que eu subia no bondinho (será que é por isso que amo tanto teleférico?), a toalha forrando o banco do carro para não ensoparmos tudo com o biquíni molhado...

Já visitei o Rio trabalhando, fazendo cursos, levando estudantes (de 9 e 10 anos!) pra passear, pedindo visto americano, visitando familiares, curtindo família, namorado, já visitei o Rio chuvoso, seco, quente, abafado... Já fiquei parada no canteiro central da Av.Brasil (meu pai havia “escalado” o canteiro com o nosso carro, que ficou com os pneus no ar) debaixo de um dilúvio...

E de repente, assim, do nada, parei de ir até lá. Há quanto tempo não visito a cidade... Há uns bons, bons anos...

Não sou da praia, sou da montanha, como diz a música “Seio de Minas”, da linda Paula Fernandes:

Eu nasci no celeiro da arte / No berço mineiro / Sou do campo da serra
Onde impera o minério de ferro
Sou das Minas de ouro / Das montanhas Gerais / Eu sou filha dos montes
Das estradas reais...

Não sou do mar, sou da serra.
Então por que choro todas as vezes que ouço Samba do Avião?

Não sou do calçadão, sou da calçada.
Então por que ver o filme Rio e inexplicavelmente me sentir em casa?

Viajante é assim: uma colcha montada com cenas das cidades visitadas.
E há muitos, muitos, muitos retalhos do Rio compondo a minha...



8 comentários:

  1. Seu blog é ótimo, parabéns! Cheguei até ele buscando no google pela frase "Eu viajo no seu blog", pois tenho um de viagens. Já que as pessoas viajam em tantas histórias por aqui, quero dar um selinho pra você. Passa lá:
    http://deturistaaviajante.blogspot.com/2011/04/selo-eu-viajo-nesse-blog.html

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pelo carinho, Silmara, vou visitar o seu blog! ;)

    ResponderExcluir
  3. LEMBREI DOS IGLUS, DO BONDINHO, DO CARRO DO SEU PAI SUBINDO NO CANTEIRO...MAS SABE O QUE EU NUNCA ESQUECI? A GENTE REPARANDO NO DINHEIRO AMASSADO NA MÃO DE UM HOMEM VESTIDO DE URSO OU CACHORRO E A GENTE TENTANDO ADIVINHAR QUANTO TINHA, LEMBRA??? KKKK...SEU AFILHADO TB MORRE DE VONTADE DE CONHECER O RIO, PODEMOS COMBINAR...BJS!!!

    ResponderExcluir
  4. Lu, seu blog ta lindo! Parabens!

    ResponderExcluir
  5. Line, não lembro desse dinheiro amassado de jeito nenhum!!!!!!!!!!! Que coisa maluca!!!! Mas lembro que a gente tava na crise de sandália de plástico, e eu quase cortei meu pé ao meio com uma que arrumei lá no RIO... Sempre tendo problemas com sandálias que machucam meu pé, que ÓDIO!!! Lembro também que você esqueceu seus óculos e ficou em cima do Pão de Açúcar sem ver a vista... SUA LOUCA!!!!!!!!!!!!! KKKKKKK

    ResponderExcluir
  6. Luiza, gostei do blog! Curti muito seu texto, suas recordações. Nascido no Rio e criado em Minas, revisitei alguns momentos de minha adolescência na cidade maravilhosa que você descreveu com carinho e emoção. De fato, a capital dos fluminenses precisa ser acarinhada um pouco mais, tem sofrido muito. Creio que Saldanha, no filme, e você, em seu blog, prestaram um bom serviço ao nosso maior cartão postal.

    ResponderExcluir
  7. Oi filha, que saudades daquelas viagens...o Rio daqueles tempos tinha outra cara, era só diversão e entretenimento.Que pena que hoje não podemos dizer o mesmo. Enfim, sobram as recordações,boas recordações.Adoro ler o seu blog.

    ResponderExcluir