terça-feira, 14 de junho de 2011

Dia de visitar Montevideo...






-A senhora não pode embarcar...
-Como assim? - perguntei.
-Por causa do vulcão.
-Que vulcão???
O moço do check-in respirou fundo, e foi aí que eu percebi que ele não estava brincando. Senti que algo se passava e que eu deveria ser a única a não estar informada o suficiente... Calma, leitor, isso foi no início do problema com o vulcão chileno, mas precisamente na terça-feira passada, ou seja, ainda tinha ALGUMA desculpa para estar, digamos, um pouquinho fora de órbita.

Quando olhei para a minha malinha, já coberta por sua velha conhecida capa plástica protetora, que de velha não tinha nada pois acabara de ser colocada, vi que aquele não seria o dia de conhecer Montevideo.

Na loja da TAM, remarquei a passagem para a manhã seguinte, sem saber ao certo quanto duraria uma erupção vulcânica.
-Só tem lugar pra voltar no domingo.
“Tudo bem”, pensei, “agora meu objetivo é ir”...

No caminho pra casa, dentro do ônibus da linha do aeroporto, digitei freneticamente a mensagem que dizia aos parceiros uruguaios o motivo de não comparecer à reunião do dia seguinte, e aproveitei para perguntar se a mesma poderia ser adiada para... O dia seguinte ao dia seguinte.

Surpresa boa: ninguém se estressou, o que já mostrou que o povo uruguaio sabe levar a vida. Não deu? Vem depois e boa viagem!

E realmente a viagem acabou sendo boa, mas a noite anterior... Liguei para a TAM de uma em uma hora, para receber de presente mensagens tão desencontradas que pareciam piada: embarca, não embarca, embarca, não embarca... (E eu que nem uma zumbi, pois a opção “dormir” estava fora de cogitação!)

Solução? Liguei para o Uruguai, a terra onde o povo sabe viver a vida, e onde as informações foram precisas: o aeroporto estava operando normalmente.

-Está estressada? – perguntou meu companheiro de voo BH/SP, atleta ciclista que faria o caminho de Santiago na Espanha...
-Sim, na verdade tenho pouquíssimo tempo para a conexão, e esse avião não para de sobrevoar São Paulo!
-Está torcendo pra ele descer?????
-Se for em doses homeopáticas, sim...

Mas o voo atrasou, ficamos parados na pista, e o pior, a mala demorou séculos para atingir a esteira... Não entendi o motivo da TAM ter despachado a valise para Guarulhos, ao invés da dita cuja ser encaminhada diretamente para Montevideo...

E corre com mala, respira, corre com mala que nem uma maluca pelos terminais do aeroporto de Guarulhos... Por pouco não embarquei. Mas aquele ERA o dia de conhecer a capital uruguaia.

Ando com certa tendência a achar as cidades que visito como as mais lindinhas do mundo, até visitar a próxima. Mas Montevideo é mesmo lindinha, não dá pra negar. Uma amiga minha tinha me contado uma ótima definição da cidade: um brechó a céu aberto, uma cidade que parou no tempo... Sem dúvida, a capital uruguaia é assim, mas também é muito charmosa e carrega consigo uma atmosfera deliciosa, mesmo com cinzas vulcânicas pairando no ar...

Então, só pra não perder o costume, seguem minhas impressões da viagem:

-Carros antigos na rua, alguns lindinhos e outros literalmente caindo aos pedaços, o que se aplica também aos táxis... Ou a porta não fecha, ou você não acha a manivela que abre o vidro, ou o teto está preto de tão sujo, ou você não está nem aí pra nada disso porque quer mesmo é aproveitar para apreciar a paisagem.

-Do lado de lá, sábado tem cara de domingo... É dia de passear na orla abraçadinho à garrafa térmica e tomar mate observando o mar... Nunca vi um traço cultural tão forte e tão evidente como a paixão pelo mate e pelas tais garrafinhas de água quente que o povo carrega que nem um bebê (e ainda customiza a dita cuja com adesivos, só pra chamar de “sua”).

-Falando em bebê, o que mais vi foram homens carregando os bebezinhos e as mulheres ao lado, com os braços livres... Coincidência ou traço cultural?

-Ô terra pra ter doces deliciosos! Bastou eu chegar por lá para começar a achar normal comer doce de leite com pão pela manhã, tão normal que repeti o hábito nos outros dias da minha viagem... O pior é quando você começa a achar que o normal é comer doce de leite o dia inteiro, e a não compreender como conseguiu sobreviver antes disso...

-Descobri que podemos tomar café da manhã ao final da tarde, e que desse jeito ele fica ainda mais gostoso... Na verdade, é que o menu “lanche” era tão idêntico ao café da manhã que achei que não seria servido naquele horário... Morri de prazer ao comer o waffle com doce de leite (lógico), croissant com presunto e queijo (MUITO mais gostoso que o argentino), torrada com geléia e café com leite...

-Vi que visitar o centro histórico 15 vezes tem seu gosto especial, diferente a cada visita... No meio do caminho tinha um centro histórico, tinha um centro histórico no meio do caminho...

-Experimentei o melhor peixe, o melhor cordeiro e a melhor massa que comi em toda a minha vida... Uma surpresa gastronômica a cada dia, quer mole ou quer mais?

Quero MAIS!!! Eu quero sempre mais, como dizia o Ira...

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