terça-feira, 16 de outubro de 2012

Santiago, Chile


Acabo de chegar de Santiago, Chile. Estou no aeroporto de Guarulhos, com o laptop no colo, pensando no que escrever sobre essa cidade que me acolheu pela terceira vez.

O clima ajudou, apesar da primavera fria que soprou ventos gelados e trouxe a temperatura média de 10 graus para a capital chilena. Mais uma vez tive a oportunidade de encontrar parceiros de trabalho simpáticos e interessados, que reforçaram, para minha felicidade, a afinidade entre os povos chileno e brasileiro.

Santiago tem se mostrado cada vez mais cosmopolita. Prédios altíssimos, modernos, centro financeiro com arquitetura similar ao de Nova Iorque. Imponência, organização, preços altos. Achei o custo de vida pesado, bem mais do que da última vez que estive na cidade, há dois anos. De chocolates a brinquedos, de transporte a refeições, da hospedagem a roupas, enfim, senti-me em São Paulo – pelo clima frio e pelos gastos representativos.



Algumas coisas me marcaram – e marcam – em Santiago. A cordilheira dos Andes imponente, vista ao fundo, mexe conosco – impossível ignorá-la. Admirá-la da janela do avião, então, é um espetáculo visual inesquecível. Quem já viu vai concordar comigo, principalmente quando temos a benção do contraste com o céu azul.

Outra coisa que não sai da minha cabeça são os cachorros da cidade. Sim, os simpáticos vira-latas de Santiago são, em primeiro lugar, enormes. Em segundo lugar, peludos. Em terceiro lugar, bonzinhos, principalmente se levarmos em consideração o fato de estarem sempre dormindo. Sabe essa foto que tirei aí? Pois é, é de um típico cachorri...rrão de Santiago. Estão sempre recostados em uma árvore, deitados no meio da rua, à sombra de uma barraquinha de camelô, abaixo de uma tenda de um prédio... Dormem tanto que ver algum deles acordado chega a assustar. Deu vontade de ver no Google a explicação desse fenômeno.  Seria a qualidade do ar?


Santiago tem lanchonetes e restaurantes que presenteiam as calçadas com mesinhas e toldos, tornando a atmosfera bastante europeia. Ainda há a presença de muito cigarro em locais públicos, o que para nós, brasileiros, chega a chocar. Dá satisfação pensar que chegamos nesse nível de desenvolvimento em relação ao fumo, é realmente uma conquista J

Hoje em dia, tenho ficado cada vez mais fascinada por artesanato, e os produtos feitos a mão pelo povo chileno são irresistíveis. A minha preguiça de free-shop aumenta proporcionalmente à tara por feiras de rua, onde cada obra conta uma história, e compra-las nos torna mais próximas do destino onde foram criadas ;)
Uma boa surpresa foi conhecer o novo Centro Cultural Gabriela Mistral, em frente ao metrô da Universidade Católica do Chile, que abriga exposições variadas, café, restaurante e – OBA – feirinhas de artistas e designers que encheram meus olhos. Coloco em anexo uma foto do prédio moderno, com arquitetura arrojada – e uma surpresa que me tocou – na exposição de artesanatos latinos, uma lindeza de obra de Carmo do Rio Claro, MG. Minha alma mineira encheu-se de orgulho! Delícia de opção para um tempinho livre entre as reuniões.



Coisas simples atualmente tem me chamado a atenção, detalhes como tornar “bancos de praças” obras de artistas locais. Ideia nada complicada, mas que tem um poder de tocar quem passa, quem senta, quem admira. Tirei a foto desse post em uma pracinha no Bairro Las Condes, na rua Isidora Goyenechea, hoje um “point” de restaurantes, excelentes hotéis, lanchonetes, lojinhas... A arte modifica nosso estado de espírito, traz cores para o cinza da cidade, alegra nosso dia e nossa alma.


Comi empanada, peixe da região, custei a achar uma barraquinha de rua que me vendesse um “mote com huecillos” – veja a foto e minha cara de satisfação, para depois descobrir que o danado do mote que tanto me dava saudade era vendido em qualquer lojinha de conveniência, mercadinho ou supermercado. Sim, mote industrializado! A era dos comes e bebes típicos industrializados...


Foi muito bom estar em Santiago de novo, mesmo que rapidinho. A cidade foi tão legal comigo que me proporcionou um tremor de 5.7 na escala Richter sem que eu percebesse! Enquanto todos me perguntavam “Luiza, você sentiu o tremor, foi forte, balançou tudo!” , minha resposta era: Hã????? Tremor??? Que tremor????

Entrei em Santiago brasileirinha de tudo, sem qualquer experiência em abalos sísmicos, e assim continuei – Sorte de estar no táxi no momento do tremor, sorte do balanço do carro ter disfarçado o que estava ocorrendo, fazendo com que eu não percebesse absolutamente NADA. Mas Santiago mexeu comigo, como toda viagem sempre mexe, e deixa a gente um pouquinho diferente, menos Brasil, mais mundo. 

3 comentários:

  1. Quando fui a Santiago, também AMEI ver a Cordilheira dos Andes, de dentro do avião! É realmente inesquecível!!
    Beijinhos pra você, criança!
    :)

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  2. Você é mesmo uma madrinha muito viajada, viu????????????

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