domingo, 25 de janeiro de 2015

Talento, onde está?


Cada um tem um talento dentro de si. Algumas pessoas tem mais de um. Há quem acredite que talentos são presentes, dons divinos a nós entregues antes mesmo de nascer, para serem descobertos em algum momento da nossa existência nesse mundo.

Às vezes eu me pergunto o que acontece se não descobrimos esses talentos. O que ocorre se por algum motivo estivermos tão apressados e passarmos pela vida sem nota-los. Ou qual a consequência de termos um contato superficial e raso com eles, seja lá por que razão, e os abandonarmos antes de mesmo de desenvolvê-los.

Gosto tanto de cantar, por isso me pergunto se não teria sido esse o caminho. Fiz aulas de teatro, técnica vocal, participei de coral, e agora... Agora ouço música e me emociono. Raramente canto em família. Sigo praticando? Não.

Dançar ilumina meu espirito. Passei quase 15 anos da minha vida dançando. Experimentei diferentes estilos, tive contato com o público, já me cansei das aulas, redescobri a vontade de frequenta-las, e em algum ponto da estrada larguei as sapatilhas e segui com novos calçados. Se passa pela minha mente retornar ao ponto exato onde as deixei? Sim, claro. Mas de repente concluo que não há espaço na minha rotina para tal atividade, e resolvo novamente caminhar sem as saudosas sapatilhas.

Amo desenhar, pintar, mas há quanto anos não encaro uma folha em branco ou uma tela que pacientemente espera ganhar cor? Algum tempo, penso. Outro dia fui desenhar com a minha filha de 12 anos e percebi claramente como ela de longe já me superou. Em técnica, em criatividade, em vontade de se aperfeiçoar. Quando eu era criança, eu não largava a caneta hidrocor. Minhas mãos eram uma constante exposição de rabiscos prontos para serem limpos com uma bucha. Por algum motivo, a maioria dos adultos para de desenhar para ceder lugar a outras atividades, nem sempre (ou quase nunca) mais interessantes ou instrutivas.

Amo viajar, descobrir lugares novos, mas a parte racional que ainda conservo me explicou um dia que, sem trabalho, não há viagem. Resolvi então trabalhar com viagem, o que me pareceu uma solução inteligente e apaixonante, caso o amor seja realmente verdadeiro a ponto de fazê-lo vibrar com a experiência dos outros (nesse caso, seus clientes). Se vibro? Sim, muito.  Se viajo? Também, mas menos do que gostaria. Há tanta coisa no mundo que não conheço que evito até mesmo pensar no assunto. Prefiro curtir os lugares que me acolhem com toda a curiosidade e interesse possíveis, mesmo que sejam velhos conhecidos. Sempre há algo para se descobrir, isso é fato.

Vida de encruzilhadas, decisões tomadas, e assim vamos fazendo nossa história. E em dias como hoje, quando a cabeça encara a chance de pensar porque a lista interminável de tarefas dá um alivio momentâneo, eu me questiono: onde estará meu verdadeiro talento?

Nessas horas, lanço as palavras nas nuvens (a internet poética), como um agradecimento pelo dom que elas têm (as benditas palavras) de dar nome aos pensamentos aflitos, e com isso, acalma-los.


Se eu pudesse escolher um talento, seria o de escrever. Mas não se escolhe um presente divino. O que se escolhe é o tamanho da persistência de encontra-lo. E quero seguir tentando... 

Um comentário:

  1. Lindo! Você tem talento de sobra pra muitas coisas .Talvez isso explique o tamanho da dúvida.
    Busque sempre o que mais gosta e seja feliz.Te amo.

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