sábado, 16 de maio de 2015

Consultor de intercâmbio cultural = cupido?


Certo dia, vi uma reportagem de pessoas que se pareciam com seus cachorros. As fotos eram hilárias: às vezes, era o corte de cabelo que lembrava o estilo do pelo do pet. Alguns donos bochechudos faziam pares com seus cachorrinhos da raça buldogue, e outros, carrancudos, combinavam com seus cães ferozes.

Na minha caminhada profissional pela área do intercâmbio, aprendi a olhar através das pessoas para descobrir o destino que seria “a sua cara”. Confesso que, vez por outra, essa percepção é imediata e óbvia, do tipo: Meu Deus, essa garota é a Nova Zelândia em forma de gente! Outras vezes, o trabalho é mais árduo, e são necessárias conversas e mais conversas para que eu consiga arrancar daquele cliente mais tímido algo que me dê um “click”: uma frase, um gesto, uma atitude, uma pequena observação. É preciso, nesse caso, saber ler nas entrelinhas.

Essa busca me deixa alegre, é como se eu fosse um cupido geográfico, buscando o lugar da vida daquele(a) estudante. Fico me imaginando passando a receita de viagem, quem sabe alguma coisa assim:

-Suas sardas me levam à Irlanda, seu sorriso me faz pensar no sol da Flórida, seu olhar enigmático me faz buscar um destino exótico, sua agitação me faz oferecer uma grande metrópole...

Brincadeiras à parte, escolher um destino é tarefa cerebral, mas também emocional. Vale a pesquisa, as conversas, o estudo, mas sem deixar de lado algo vital: a intuição.

Um bom consultor de intercâmbio deve ser aquele que ajuda seu cliente a encontrar o ponto no mapa, o centro do alvo, o tiro certeiro de sua jornada. Diversas variáveis estão em jogo: tempo disponível, clima de preferência, volume de investimento possível, documentação necessária... Mas de nada vale se o passageiro não relatar aquela sensação de borboleta no estômago, que nem paixão de adolescente.


A descoberta do novo mexe com as pessoas, a experiência de intercâmbio muda aqueles que aceitam o desafio. Sou grata por fazer parte dessa busca!