sexta-feira, 10 de junho de 2016

Meu México



Menos de 40 minutos para o embarque. Já escrevi textos em aeroportos algumas vezes na minha vida, e hoje aproveito o chá ( o de aeroporto e o de maçã com canela que estou tomando nesse momento ) para falar das minhas impressões sobre a minha primeira visita à cidade do México.


Apesar de estar com a boca ressecada, os olhos avermelhados e o nariz meio estranho pelo efeito da poluição, saio daqui com o coração tranquilo e tocado pelo povo mexicano, com sua graça, simpatia, desordem, caos. Gente que nem a gente.


Lembro-me de um post que fiz com algumas particularidades que observei no Chile, e senti vontade de fazer isso de novo. Uma vez meu marido me disse algo que nunca saiu da minha cabeça. "Quando viajamos, nascemos de novo". E é isso mesmo. Em um passe de mágica, tornamo-nos abertos para outras cores, gostos, cheiros. Há pessoas que passam por essa experiência de maneira mais prática. Outras, não. Gosto de pensar que os verdadeiros viajantes são aqueles que conservam a curiosidade de uma criança pequena, e se emocionam com os detalhes. Os detalhes são tudo, na verdade.


Os mexicanos sempre dizem ‘buenos dias’ com sorriso no rosto. Eles me chamam de ‘senhorita’, mesmo sendo uma senhora. Se espirro, me desejam ‘salud’.


Os mexicanos riem se pergunto se o molho é muito picante. Para eles, nunca é. Quando minha língua fica dormente, sou obrigada a sorrir com eles.


Os mexicanos dobram o comprovante da sua compra e o enrolam no seu cartão de crédito. É fofo, mesmo você tendo que desdobrar o papel e guardar separadamente do cartão, na sua carteira.


Os mexicanos têm duzentos tipos de táxi, mil tipos de bandeiras e cobranças, e confesso que às vezes você se sente um pouco enganada. Mas possuem um projeto de táxis elétricos pioneiros, e tive a sorte de ser passageira de um dos 20 veículos disponíveis na cidade.


Os mexicanos comem em barracas de rua, sentam-se em banquinhos de plástico e se servem de linguiça, arroz, carnes variadas e legumes. Imagino a trabalheira daquelas senhoras montando as barraquinhas de esquina todos os dias, com inúmeros recipientes de molho, panelas, chapa... Não experimentei, quem sabe na próxima =)


Os mexicanos me trataram bem. Foram educados e cordiais. Sim, tive sorte. Mas acredito nos anjos protetores dos viajantes, aqueles que colocam as pessoas certas no nosso caminho, pessoas que dedicam um pouquinho do seu tempo para explicar que as bandeirinhas de festa junina não tem nada de festa junina, apenas chamam a atenção para possíveis compradores do imóvel que está ali à exposição.


Cada um dos mexicanos que perdeu um pouquinho de seu tempo comigo, foi apreciado. Com eles, pratiquei espanhol. Aprendi sobre a arte de colocar minúsculas miçangas em esculturas de madeira, de uma tribo indígena quase intocada pela colonização espanhola, e que por isso preserva sua cultura. Aprendi que os Maias eram povos mais educados e refinados, e os Astecas mais conquistadores. Aprendi que Cancún não é o México. Só que isso eu já sabia, e Cancún é bom assim mesmo.


Hoje, em um mercado da cidade, as cores mexicanas me inundaram. Senti-me perdida em meio a produtos chineses, artesanatos de verdade, comida típica, frutas e verduras. Parei para fazer compras e tive uma aula de Frida Kahlo. A vendedora me explicou que, para ela, o mais tocante na história de Frida é o fato dela apreciar as pessoas mais simples. A ingenuidade e simplicidade dessa gente era admirada por essa pintora tão conhecida, em detrimento dos que se diziam intelectualizados.


Em minhas reuniões de trabalho, mais uma vez senti o quanto o mundo é pequeno. A distância não impede que tenhamos amigos em comum no Facebook, que possamos nos ver pela primeira vez e compartilhar histórias de pessoas que ambos conhecemos em diferentes épocas e situações.


Saio com a sensação de que somos povos tão diferentes, mas ao mesmo tempo, tão parecidos. Somos frutos de um mesmo Deus, e só queremos ser felizes. Que o respeito ao outro seja a semente dos viajantes. Quero ver essa terra florir!

***